Os pensamentos que outrora tivemos
O que é Os pensamentos que outrora tivemos
Dirigido por Thom Andersen, o documentário parte de um conceito filosófico de Gilles Deleuze: a "imagem-afecção", inaugurada no cinema pela dramaticidade do rosto de D.W. Griffith.
A partir daí, Andersen amplia o conceito e costura um mosaico com obras de Godard, Cassavetes e Pedro Costa, dialogando com suas musas Anna Karina, Gena Rowlands e Vanda Duarte.
O resultado é um filme-ensaio sobre a história recente da humanidade, organizada em ciclos de destruição e restauração que se repetem em diferentes épocas e geografias.
Linha do tempo e legado
Os pensamentos que outrora tivemos estreou em 2017, chegando ao circuito de cineclubes e mostras como uma das obras mais densas do cinema-ensaio contemporâneo.
Andersen já havia se firmado com o cult Los Angeles Por Ela Mesma (1987), referência obrigatória do ensaísmo sobre arquivo audiovisual.
O filme integra uma fase de trabalho do diretor dedicada à arqueologia da imagem em movimento, ao lado de obras como Eadweard Muybridge, zoopraxógrafo e Reconversão, ambos também de 2017.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a articulação intelectual é brilhante. Andersen conecta apropriação cultural, guerra, crime e redenção em um fluxo de imagens que redesenha a história do século XX.
Sequências como a comparação entre o roubo da música de Hank Ballard por Dick Clark em Twist (1992) e os dilemas éticos de apropriação são didáticas sem serem didatismo.
Ponto fraco: a montagem fragmentada exige atenção constante e repertório prévio em cinema europeu e teoria deleuziana.
Quem busca narrativa linear ou respostas fechadas vai se frustrar. É um filme para ver com caderno do lado.
Curiosidades de bastidores
- O título do filme dialoga diretamente com conceitos da filosofia de Henri Bergson, referência central no pensamento de Deleuze.
- A passagem sobre Hank Ballard e Chubby Checker usa o documentário Twist (1992) para mostrar como uma "pequena diferença" gera transformações históricas gigantescas.
- Andersen mistura ficções de autor como O testamento do Dr. Mabuse (1933) com registros de guerra como The 17th Parallel (1968), borrando fronteiras entre arquivo e obra.
Perguntas frequentes
Os pensamentos que outrora tivemos é ficção ou documentário?
É um documentário ensaístico. Não há entrevistas nem narração em voz off tradicional; a argumentação é construída pela montagem de trechos de outros filmes.
Qual a duração do filme?
São 105 minutos, densidade típica das obras de Andersen para o circuito de mostras.
Preciso conhecer Deleuze para entender o documentário?
Ajuda bastante, mas não é obrigatório. O filme apresenta os conceitos de forma visual e acessível para quem tem paciência com ensaio.
Pra quem é este filme:
- Apaixonados por documentário ensaístico e cinema de arquivo
- Leitores de Gilles Deleuze, Susan Sontag e teóricos da imagem
- Frequentadores de mostras, cineclubes e sessões comentadas
Título original: Os pensamentos que outrora tivemos
País de origem: EUA
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Thom Andersen