Veja o trailer do filme Estrada para Perdição
O que acontece em Estrada para Perdição
Inverno de 1931, meio da Grande Depressão. Michael Sullivan trabalha como braço armado do mafioso irlandês John Rooney, que o criou quase como um filho. Fora do trabalho, ele é pai dedicado de Michael Jr. e Peter, e marido de Annie.
A rotina desmorona quando o filho mais velho, escondido no banco de um carro, presencia uma execução feita por Connor Rooney, filho biológico de John. A partir dali, a família de Sullivan vira alvo. Connor, paranoico e instável, decide que só ficará seguro com todos mortos.
Sullivan escapa com Michael Jr. e parte em uma fuga pelo Meio-Oeste americano. Na estrada, ele planeja a vingança contra os Rooney, usa o dinheiro de bancos mafiosos como moeda de troca e expõe o filho aos bastidores mais crus de sua vida dupla. Jude Law entra como Maguire, um fotógrafo que também é assassino profissional, rastreando Sullivan até o estado de Illinois.
Estreia, legado e o que o filme virou
Estrada para Perdição chegou aos cinemas dos Estados Unidos em 12 de julho de 2002 e ao Brasil ainda naquele ano. A direção é de Sam Mendes, que tinha acabado de vencer o Oscar por Beleza Americana (2000).
O roteiro adapta a graphic novel de Max Allan Collins, com fotografia assinada por Conrad Hall, que levou o único Oscar da carreira póstuma na categoria. A trilha melancólica de Thomas Newman entrou na lista das mais lembradas dos anos 2000.
Hoje é citado como referência obrigatória em qualquer lista de dramas de gângster modernos, ao lado de obras como Os Bons Companheiros e O Poderoso Chefão II. Para quem gosta de drama e suspense com peso dramático real, segue sendo sessão obrigatória.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a fotografia de Conrad Hall é das mais bonitas já feitas em filme de gângster. Chuva, neve, sangue e farol baixo viram linguagem. A cena da chuva sob a luz do posto de gasolina virou imagem de manual.
Tom Hanks sai da zona de conforto do personagem bom e entrega um pai silencioso, controlado, assustador quando precisa. Paul Newman tem uma das atuações mais contidas e dolorosas do fim da carreira.
Ponto fraco: o roteiro é mais contemplativo do que tenso. Quem espera tiroteio estilo Os Bons Companheiros pode achar o ritmo lento demais. A relação entre pai e filho funciona, mas apega no simbólico em alguns momentos, o que pode soar piegas para o público mais cínico.
- Oscar póstumo: Conrad Hall ganhou o Oscar de Fotografia por este filme, meses após a morte. Foi o segundo dele na categoria, e o primeiro veio por American Beauty.
- Graphic novel de base: o filme adapta a HQ em quadrinhos de Max Allan Collins, ilustrada por Richard Piers Rayner, publicada em 1998.
- Último grande papel: entre os trabalhos de Paul Newman nos anos 2000, este é considerado o último papel de peso absoluto em sua carreira, encerrando um ciclo de mais de 50 anos de cinema.
Estrada para Perdição tem cena pós-créditos?
Não. Os créditos finais rolam normalmente após a última cena, sem teaser, sem gag, sem clipe extra. Pode levantar da poltrona sem medo de perder nada.
Estrada para Perdição vale a pena?
Vale, sim, especialmente para quem gosta de drama de gângster com peso emocional e fotografia de manual. É um filme para ver de cabeça fria, no escuro, sem pressa.
Onde assistir Estrada para Perdição online?
O título circula em catálogos de streaming no Brasil e também está disponível em edições físicas restauradas em Blu-ray, com a fotografia de Conrad Hall no melhor formato possível.
Pra quem é este filme:
- Fãs de dramas de gângster clássicos: quem curte O Poderoso Chefão, Os Bons Companheiros e O Irishman vai reconhecer a linhagem, mesmo com o tom mais silencioso.
- Leitores de graphic novels e HQs autorais: quem acompanha Max Allan Collins, Brubaker e Phillips, ou obras como 100 Balas, encontra aqui a transposição fiel e crua para o cinema.
- Caçadores de atuações marcantes: Tom Hanks, Paul Newman, Jude Law e Daniel Craig em papéis fora do padrão, especialmente Newman próximo do fim da carreira.