Veja o trailer do filme Dr. Jivago

Dr. Jivago

Dr. Jivago

O épico que atravessa a Revolução Russa pelo olhar de um poeta

Dr. Jivago (Doctor Zhivago, 1965) é o tipo de filme que cabe na palma de uma sala de cinema, mas respira como uma saga continental. O diretor David Lean conduz a adaptação do romance Nobel de Boris Pasternak com a precisão de quem já filmou o deserto em Lawrence da Arábia.

Yuri Zhivago é médico e poeta. Casou-se com Tonya, teve filhos, mas a vida o atravessa com a Revolução Russa, a guerra civil e um amor devastador por Lara, a mulher que ele não consegue esquecer. É um drama de traição, escolhas impossíveis e sobrevivência travado entre trincheiras, gelo e versos.

Para quem curte romance em grande escala, política como destino e história costurada com poesia, esta é uma daquelas sessões que redefine o que o cinema pode contar em três horas.

De 1965 para cá: a saga que atravessou o Muro de Berlim

Lançado em 1965, Dr. Jivago dividiu o público e a crítica. Foi o filme de maior bilheteria do ano, mas levou cinco Oscars técnicos — incluindo Fotografia e Trilha Sonora — e perdeu o de Melhor Filme para o musical A Canção do Sul de Dança, em uma das decisões mais contestadas da história da premiação.

A produção foi rodada na Espanha e Finlândia, já que rodar dentro da URSS era impossível. A Rússia soviética tentou barrar a distribuição do livro de Pasternak, e o filme virou arma cultural da Guerra Fria.

Hoje é lembrado como um dos grandes épicos do século XX, relançado em versões restauradas em Blu-ray 4K e presente em catálogos de streaming. Sua trilha, assinada por Maurice Jarre, segue tocada em novelas, comerciais e trilhas de filmes contemporâneos, mantendo viva a memória sonora de Lara.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a direção de arte é monumental. As cenas da geleira, da carruagem cruzando a neve, do interior da casa de inverno e a sequência final do chalé abandonado são puro cinema de autor. Omar Sharif e Julie Christie têm uma química silenciosa, de olhares e suspiros, e Maurice Jarre entrega uma das trilhas mais emocionantes já compostas.

Ponto fraco: o ritmo é lento, contemplativo, e a história de amor pode soar melodramática para quem não se conecta com dramas de época. A segunda metade pesa mais no simbolismo do que na narrativa, e exige do espectador uma entrega emocional que não é para qualquer noite.

Três fatos que você provavelmente não sabia

  • O romance de Boris Pasternak foi proibido na URSS, e Pasternak foi forçado a recusar o Nobel de Literatura em 1958. O filme só foi exibido no país décadas depois, já na era Gorbachev.
  • Julie Christie e Omar Sharif se beijaram em tomadas reais, com a câmera a centímetros do rosto. David Lean recusou closes clássicos e apostou em ângulos fechados, fugindo do tom açucarado dos épicos da época.
  • Maurice Jarre compôs a famosa Lara's Theme sem ver nenhuma imagem. Ele entregou a melodia pronta, e Lean a usou como espinha dorsal emocional do filme, repetindo-a em momentos-chave.

Perguntas frequentes sobre Dr. Jivago

Dr. Jivago ganhou o Oscar de Melhor Filme?

Não. Em 1966, o filme concorreu em dez categorias, venceu cinco técnicas e perdeu o prêmio principal para A Canção do Sul de Dança. A derrota é considerada uma das maiores injustiças da história do Oscar.

Qual é a duração de Dr. Jivago e vale a pena assistir?

São 197 minutos, pouco mais de três horas. O ritmo pede paciência, mas quem se entrega à narrativa encontra um dos grandes dramas românticos já filmados.

Dr. Jivago tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina de forma fechada, com a narração de Yevgraf fechando o arco da busca pela filha de Zhivago e Lara. Nada de cenas extras depois dos créditos finais.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de épicos históricos à moda antiga, do tipo Lawrence da Arábia, e que amam cenários vastos, fotografia em película e trilhas sinfônicas.
  • Leitores de romances russos e admiradores de Pasternak, Tolstói e Dostoiévski, que querem ver a Revolução Russa pelo lado humano, não pelo didático.
  • Apaixonados por dramas de amor proibido em tempos de guerra, em que a paixão é maior que o contexto político e histórico.