Sobre o que é Disobedience
Ronit é uma fotógrafa que vive em Nova York. Quando seu pai — um rabino querido da comunidade judaica ortodoxa de Londres — morre, ela volta para casa.
A cidade não recebe bem a filha que partiu anos atrás. O peso da tradição religiosa paira sobre cada rua, cada olhar. O clima de luto é só a superfície: o que explode é a reaproximação com Esti, sua amiga de infância, que hoje é esposa do primo Dovid.
Dirigido por Sebastián Lelio, o filme transforma esse triângulo em algo silencioso e contido. Mais do que um romance proibido, é um estudo sobre identidade, pertencimento e o preço de existir fora do grupo.
Quando estreou e por que ele importa
Disobedience chegou aos cinemas em 2017, dois anos depois de Sebastián Lelio rodar Tudo vai ficar bem (2015, na verdade 2015) e antes de consolidar seu nome internacional com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por Gloria — confusão comum. A estreia mundial aconteceu no Festival de Toronto (TIFF), em setembro de 2017, e ganhou distribuição internacional rapidamente.
O longa foi baseado no romance de Naomi Alderman, adaptado por Lelio e pelo roteirista Rebecca Lenkiewicz. Mistura drama familiar com romance queer, tema raro no cinema mainstream de 2017. Rachel Weisz e Rachel McAdams lideram o elenco, e o trabalho delas foi amplamente elogiado pela crítica.
Hoje, o filme é lembrado como um marco do cinema de temática judaica contemporânea. Não ganhou grandes prêmios, mas circulou bem em festivais e segue firme em listas de espectadores de cinema sensorial e intimista.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a química entre as duas protagonistas é de outro nível. Rachel Weisz carrega uma contenção impressionante — cada cena dela respira peso. A direção de Lelio acerta ao apostar em silêncios longos, closes prolongados e uma fotografia que traduz o conflito interno sem precisar de palavras.
O mérito também é de Rachel McAdams, que entrega talvez o papel mais corajoso da carreira. Esti vive uma repressão construída em camadas, e a atriz transmite tudo com o olhar, a postura, o gesto mínimo.
Ponto fraco: o ritmo é lento de verdade. Quem busca plot twists ou conflitos externos vai sair frustrado. A narrativa se desenrola na psicologia, não no acontecimento — e isso exige paciência. O terceiro ato também escorrega para um didatismo que poderia ser mais sutil.
Curiosidades de bastidor
- O filme foi gravado inteiramente em Londres, com locações em Finchley, bairro histórico da comunidade judaica ortodoxa do norte da capital britânica.
- Sebastián Lelio escalou Rachel Weisz depois de assistir a três filmes consecutivos dela em um fim de semana.
- A novela original de Naomi Aldman foi publicada em 2006 e já previa o interesse do cinema: a autora escreveu pensando em adaptação visual.
Perguntas frequentes sobre Disobedience
Disobedience tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina de forma fechada, sem teasers extras. Você pode sair da sala antes dos créditos rolarem sem perder nada.
Disobedience é baseado em livro?
Sim. O longa é uma adaptação do romance homônimo de Naomi Alderman, publicado em 2006. O roteiro foi escrito por Sebastián Lelio e Rebecca Lenkiewicz.
Disobedience é um filme lésbico?
O filme tem romance queer feminino no centro da trama, mas vai além: discute repressão religiosa, identidade cultural e escolhas pessoais. Não se resume ao rótulo de romance lésbico, embora trate disso com respeito e profundidade.
Pra quem é este filme:
- Fãs de dramas intimistas que valorizam atuações silenciosas e narrativas de câmera fechada.
- Quem busca representatividade queer feminina em um contexto cultural específico e pouco explorado.
- Leitores de Naomi Alderman e admiradores do cinema de Sebastián Lelio, interessado em conflitos entre tradição e liberdade individual.