Veja o trailer do filme Boris sem Béatrice
Boris sem Béatrice
O que é Boris sem Béatrice
Boris Malinovski é um daqueles homens que parecem ter sido costurados para o sucesso. Ternos impecáveis, fala cortante, uma carreira sólida e uma esposa à altura.
Só que a vida não demora a cobrar a fatura. Quando Béatrice mergulha em depressão profunda e é levada para uma casa de tratamento isolada no interior do Quebec, Boris se vê sozinho, à deriva, encurralado por um interlocutor anônimo que liga para a casa de campo com perguntas incômodas.
Dirigido por Denis Côté, o filme propõe uma dissecação seca e quase clínica de um sujeito que só sabe se relacionar com o mundo pela superfície. É um drama de câmera fria, com humor involuntário, que não entrega respostas fáceis — nem deveria.
Estreia e legado
Boris sem Béatrice teve estreia mundial na mostra competitiva do Festival de Berlim 2016, onde Denis Côté voltou a ocupar o centro do circuito autoral europeu logo após Vic+Flo Viram um Urso.
No Brasil, o longa chegou aos cinemas em 16 de março de 2017, em circuito limitado voltado ao público de arte. A distribuição foi da Festival, reforçando o caráter nicho da sessão.
Hoje, o título é lembrado como uma das obras mais ácidas da filmografia de Côté, justamente por apostar em algo raro: um protagonista desprezível que não é redimido, nem explicado até o fim.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de Denis Côté conduz a história com economia brutal. Cada plano respira desconforto, e o jogo de James Hyndman sustentando um personagem propositalmente antipático é notável.
O ritmo de comédia dramática gelada funciona como soco seco — lembra, em espírito, a estranheza de Holy Motors.
Ponto fraco: a sobriedade vai longe demais para quem espera reviravoltas. A narrativa é toda elipse, silêncio e implicitude, o que pode frustrar espectadores menos acostumados ao cinema de festival.
Não espere respostas: o filme entrega mais perguntas do que soluções.
Curiosidades
- O filme foi um dos selecionados da mostra competitiva do Festival de Berlim 2016, disputando o Urso de Ouro.
- Denis Lavant aparece essencialmente em voz, criando uma presença fantasmagórica que conecta o longa à estética de Leos Carax.
- Bruce LaBruce, diretor e ícone do cinema queer underground, participa do elenco em um dos papéis de bastidores.
Perguntas frequentes
Boris sem Béatrice é baseado em fatos reais? Não. A história é uma criação original de Denis Côté, sem referência direta a eventos reais.
Qual a classificação etária do filme? A classificação indicativa é 14 anos, por conteúdo de discussão psicológica e algumas cenas de crise.
Boris sem Béatrice tem cena pós-créditos? Não. O longa termina de forma abrupta, sem sequência adicional após os créditos.
Pra quem é este filme:
- Fãs de Denis Côté e do cinema de autor do Québec, que acompanham obras como O FUTURO DA HISTÓRIA e Eva não dorme.
- Espectadores que curtem dramas psicológicos desconfortáveis, com humor involuntário e protagonista moralmente falho — algo próximo do universo de Leos Carax.
- Curiosos pela presença de Denis Lavant em papéis fora do circuito francês, atrás de câmeras menos óbvias que a de Carax.
Título original: Boris sans Béatrice
País de origem: Canadá
Data do lançamento: 16/03/2017
Distribuidora: Festival
Diretor: Denis Côté
Principais atores: