O que é As Confissões de Schmidt?
Warren Schmidt é um recém-aposentado de 60 anos que perdeu a esposa de forma abrupta. Sem função no mundo e com uma vida inteira olhando para trás, ele aceita o único papel que sobrou: viajar até o Nebraska para o casamento da filha Jeannie.
É um drama existencial disfarçado de road movie, dirigido por Alexander Payne, em que cada parada da viagem revela uma nova camada de desconforto. O espectador acompanha um homem que descobre, tarde demais, que nunca soube dizer o que sentia.
O que muda no percurso é a relação epistolar com Ndugu, um menino tanzaniano patrocinado por 73 centavos diários. As cartas funcionam como confessionário e dão ao filme seu título original, About Schmidt.
Quando estreou e por que ainda importa
Lançado nos cinemas em 2002, o longa rendeu a Jack Nicholson uma das indicações ao Oscar mais comentadas daquela temporada. Kathy Bates também entrou na briga pelo prêmio de coadjuvante.
Produzido pela New Line Cinema, custou cerca de 30 milhões de dólares e arrecadou mais de 105 milhões no mundo, um resultado sólido para um filme de temática adulta em plena era de blockbusters.
Hoje é lembrado como peça cult entre fãs de cinema independente e costuma aparecer em listas de melhores filmes sobre crise de meia-idade. O tom agridoce, nada nostálgico, envelhece bem porque trata de angústia sem data de validade.
Vale o ingresso?
O ponto alto é o elenco. Jack Nicholson entrega uma performance de economia cirúrgica, e Kathy Bates rouba qualquer cena em que aparece. O roteiro de Payne e Jim Taylor distribui humor com timing perfeito.
O ponto fraco é o ritmo. Quem busca ação ou reviravoltas vai sair frustrado. O tom é deliberadamente deprimente e a história se arrasta em certas sequências familiares. É um filme que pede paciência.
Para quem topa cinema lento e reflexivo, a recompensa é grande. O final dividido entre aceitar e fugir é honesto, embora nem todo espectador concorde com a escolha de Payne.
Curiosidades de bastidores
- Alexander Payne escalou Nicholson só depois de ouvir a risada característica do ator em outro filme e imaginar o personagem Schmidt rindo daquele jeito.
- A viagem de Schmidt pelo Nebraska foi filmada em locações reais, com o elenco viajando de cidade em cidade para capturar o vazio do meio-oeste americano.
- As cenas com Ndugu, o menino tanzaniano, foram gravadas separadamente com um ator mirim em Nairóbi, no Quênia, e a equipe nunca se encontrou pessoalmente com Nicholson.
Perguntas frequentes
As Confissões de Schmidt é baseado em livro?
Sim. O roteiro é uma adaptação do romance homônimo de Louis Begley, publicado em 1996, mas a transposição para a tela mudou o perfil do protagonista.
Qual é a duração do filme?
O longa tem 125 minutos, pouco mais de duas horas, com ritmo que exige atenção do começo ao fim.
O filme tem cena pós-créditos?
Não. O encerramento é definitivo e emocional, sem gancho adicional depois dos créditos finais.
Pra quem é este filme:
- Fãs de dramas existenciais: quem curte Um Sonho Possível e obras de Payne encontra aqui a mesma pegada de humor melancólico.
- Admiradores de Jack Nicholson: depois de O Iluminado e Um Estranho no Ninho, ver o ator amadurecido em papel contido é um presente.
- Leitores de comédia de cringe: as situações constrangedoras de Schmidt têm o mesmo DNA de obras que tratam o desconforto como linguagem.