Veja o trailer do filme Anna
Anna
Anna: bastidores de um Hamlet que se repete
Anna parte de uma premissa simples e incômoda: um diretor de teatro reconhecido decide montar Hamlet de Shakespeare dez anos depois de uma tentativa que terminou em desastre.
O documentário dirigido por Heitor Dhalia acompanha os ensaios dessa nova montagem sem rodeios. A câmera entra na sala, nos bastidores e nas conversas que normalmente ficam fora do palco.
O foco é a zona cinzenta entre o papel e a pessoa. O diretor cruza a fronteira entre a obra e a própria vida, e as atrizes começam a reviver, dez anos depois, dinâmicas parecidas com as da montagem fracassada.
Anna entra como a nova Ofélia, e vira o centro de um experimento que mistura drama, processo criativo e uma leitura quase clínica das relações de poder dentro de um grupo.
Estreia e contexto do lançamento
Anna chegou aos cinemas brasileiros em 23 de junho de 2021, em meio à retomada das salas e à redução de público causada pela pandemia.
Foi exibido em circuito limitado, com sessões pontuais em centros culturais e mostras de cinema, em vez de uma distribuição ampla em rede.
O filme dialoga com o interesse crescente por documentários de processo, gênero que encontrou fôlego em plataformas de streaming nos últimos anos.
Hoje, Anna é lembrado como um caso raro de documentário brasileiro que coloca o teatro em primeiro plano, usando Shakespeare como espelho para discutir obsessão e repetição.
A produção não passou pelo circuito de premiações mainstream, mas circulou em festivais universitários e mostras de cinema independente, onde costuma gerar debates intensos sobre ética e processo criativo.
Vale o ingresso?
Ponto alto: Anna entrega uma imersão rara no processo criativo de um diretor problemático, com takes longos que captam a tensão real entre elenco e encenador.
A escolha de Anna como nova Ofélia dá ao filme um eixo narrativo claro, sustentado pela entrega da atriz titular.
Ponto fraco: o ritmo é contemplativo e o espectador que busca ação ou plot twists pode achar o material lento e repetitivo.
Falta também um contexto maior sobre o fracasso anterior, tratado quase como mito interno do grupo.
No saldo, é um documentário honesto sobre poder, arte e repetição, que recompensa quem entra no clima do ensaio.
Curiosidades dos bastidores
- O filme é fruto de uma pesquisa de longa duração do diretor Heitor Dhalia com processos teatrais baseados em Shakespeare.
- A montagem fracassada de dez anos antes virou referência interna do grupo, citada várias vezes durante as filmagens.
- As cenas com Anna no papel de Ofélia foram gravadas em sequência cronológica dos ensaios, reforçando o efeito de repetição.
Perguntas frequentes sobre Anna
Anna é ficção ou documentário?
É um documentário observacional, com estrutura de ensaio, ainda que dialogue com a ficção shakespeariana de Hamlet.
Qual é a classificação indicativa de Anna?
O filme tem classificação de 16 anos, por conta de cenas de tensão emocional e discussão de temas adultos.
Anna tem cena pós-créditos?
Não. O documentário termina dentro do próprio processo de ensaio, sem sequência extra após os créditos.
Pra quem é este filme:
- Apaixonados por teatro, Shakespeare e bastidores de montagem
- Interessados em documentários de processo e observação longa
- Estudantes e curiosos por psicanálise, relações de poder e dinâmicas de grupo
Título original: Anna
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 23/06/2021
Distribuidora: Sem Distribuidor
Diretor: Alberto Grifi, Massimo Sarchielli, Luc Besson, Yurek Bogayevicz, Heitor Dhalia
Principais atores: