A Rotina Tem Seu Encanto

A Rotina Tem Seu Encanto

14 Drama Duração: 1h 53min

O adeus sereno de um mestre

A Rotina Tem Seu Encanto (Sanma no Aji, 1962) é o último filme dirigido por Yasujiro Ozu, um dos nomes mais importantes do cinema japonês. É também um dos seus trabalhos mais singelos, quase um suspiro final antes do silêncio.

O viúvo Shuhei Hirayama, interpretado por Chishu Ryu, é um ex-fuzileiro naval da Segunda Guerra Mundial. Ele leva uma vida pacata em Tóquio ao lado da filha Michiko, de 24 anos. O dia a dia gira em torno de saídas com velhos amigos, goles de saquê e conversas que misturam lembranças da guerra e pequenas frustrações do presente.

Quando entende que a filha precisa casar e construir a própria vida, Shuhei aceita a sugestão dos amigos e começa a arranjar o matrimônio com um rapaz jovem e equilibrado. O filme acompanha esse processo com a tranquilidade de quem já sabe que certas partidas fazem parte da vida.

Para quem aprecia drama intimista, é uma porta de entrada perfeita ao cinema de Ozu, ao lado de obras como Também Fomos Felizes e Pai e Filha.

Um clássico de 1962 que chega ao Brasil em 2017

Lançado no Japão em novembro de 1962, Sanma no Aji estreou no circuito comercial brasileiro apenas em março de 2017, por meio de uma restauração em 4K promovida pela Shochiku. A distribuição tardia é comum com clássicos do cinema japonês, que dependem de mostras, festivais e relançamentos de catálogo para encontrar plateias fora do eixo Tóquio-Osaka.

O longa marca o encerramento da carreira de Ozu, morto de câncer em 12 de dezembro de 1962, exatamente no dia em que completaria 60 anos pelo calendário japonês (kanreki). Durante as filmagens, sua mãe havia falecido aos 88 anos. O filme funciona, portanto, como um testamento sereno, com ecos autobiográficos sobre envelhecer, perder e aceitar o tempo.

Embora não tenha competido a prêmios internacionais, é presença constante em listas dos melhores filmes já feitos, incluindo a famosa votação da revista Sight & Sound, e influenciou cineastas de Wim Wenders a Hong Sang-soo. No Brasil, permanece como peça de nicho, reverenciada em sessões comentadas e mostras de cinema japonês.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a maneira como Ozu transforma o cotidiano em matéria cinematográfica é única. A câmera baixa, fixa, no nível de quem se senta no tatami, vê a vida passar com uma paciência quase zen. A interpretação de Chishu Ryu transmite o peso da idade com poucos gestos, e o elenco de apoio é cirúrgico.

Ponto fraco: o ritmo é deliberadamente lento e contemplativo. Quem buscaplot twists, conflito explícito ou catarse emocional vai achar pouca coisa acontecendo. Não é um filme para assistir distraído.

É a sessão ideal para uma noite calma, ideal para quem gosta de obras como Harakiri ou O Barba Ruiva, de Até o Fim do Mundo e de outras pérolas do cinema japonês.

Curiosidades de bastidor

  • Ozu morreu no dia 12 de dezembro de 1962, data em que completaria 60 anos pelo calendário japonês, conhecido como kanreki.
  • Durante as filmagens, a mãe de 88 anos do diretor faleceu, o que teria influenciado o tom melancólico das cenas familiares.
  • Este é o único filme em cores de Ozu, embora a paleta seja tão sóbria que parece quase preto e branco.

Perguntas frequentes

A Rotina Tem Seu Encanto tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina de forma contemplativa, sem teasers ou cenas extras após os créditos finais.

A Rotina Tem Seu Encanto é o último filme de Yasujiro Ozu?

Sim. Foi lançado em novembro de 1962 e Ozu morreu em dezembro do mesmo ano, encerrando uma carreira com mais de 50 longas.

A Rotina Tem Seu Encanto está disponível em streaming no Brasil?

Aparece ocasionalmente em catálogos de plataformas especializadas em cinema clássico e em mostras sazonais. A disponibilidade varia, então vale conferir a programação de cada serviço.

Pra quem é este filme:

  • Quem já viu e se interessou por Lar Doce Lar e quer entender o cinema japonês de outra época.
  • Cinéfilos que colocam filmes do Yasujiro Ozu em listas de melhores de todos os tempos.
  • Leitores de literatura japonesa do pós-guerra, como os romances de Yasunari Kawabata e Junichiro Tanizaki.

Título original: Sanma no aji

País de origem: Japão

Data do lançamento: 16/03/2017

Diretor: Yasujiro Ozu

Principais atores: