O Filme
Em 1939, no fim da Guerra Civil Espanhola, o garoto Carlos é deixado pelos pais no remoto orfanato de Santa Lúcia, uma construção úmida e decrépita isolada no interior do país.
Por trás dos muros de pedra, ele descobre crianças hostis, um professor silencioso, uma diretora manca e um funcionário com cara de poucos amigos. No porão, algo mais: o fantasma de Santi, um menino morto que aparece pedindo ajuda.
Dirigido por Guillermo del Toro, o longa usa o cenário histórico como combustível para um terror gótico, psicológico, atravessado por drama e fantasia sombria.
Estreia e Legado
Lançado em 2001 na Espanha, A Espinha do Diabo foi a primeira prova de que Del Toro não era apenas um competente artesão de Hollywood, mas um autor com voz própria.
O longa dividiu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes com ninguém menos que No Quarto da Vanda, de Pedro Costa, e emplacou sete indicações ao Goya, levando três estatuetas, incluindo Melhor Efeito Especial.
Hoje é apontado, sem exagero, como o esqueleto temático de O Labirinto do Fauno: crianças em meio à violência, fantasmas que pedem vingança, monstros como espelho do trauma coletivo.
Para os fãs de Del Toro, é peça obrigatória — o filme onde ele começa a desenhar a mitologia particular que depois explodiu em A Forma da Água e Círculo de Fogo.
Vale o Ingresso?
Ponto alto: a atmosfera opressiva, a fotografia cinza-esverdeira e o desenho de produção transformam o orfanato num personagem tão marcante quanto qualquer carne e osso. O fantasma de Santi é simples e eficiente, e o roteiro costura horror, política e trauma de infância sem maniqueísmo.
Ponto fraco: o ritmo é deliberadamente lento. Quem busca sustos constantes e adrenalina pode achar o filme arrastado, especialmente no segundo ato, quando a proposta política pesa mais que o sobrenatural.
Para quem topa terror de clima — e não de jump scare —, a sessão compensa cada minuto. Para o público que prefere horror visceral, talvez seja melhor começar por outras trilhas de Del Toro.
Curiosidades
- Del Toro escreveu o roteiro original em 1993, mas só conseguiu viabilizar a produção quase uma década depois, depois do sucesso de Cronos (1993) e Mimic (1997).
- A bomba real e não detonada que aparece no pátio do orfanato foi uma escolha inspirada em relatos verídicos: várias instituições espanholas foram construídas próximas a artefatos da guerra.
- Fernando Tielve, o protagonista mirim, largou a carreira de ator logo após o filme. Hoje trabalha nos bastidores do cinema espanhol.
- O longa marca a primeira colaboração entre Del Toro e o compositor Javier Navarrete, parceria que ele repetiria em O Labirinto do Fauno.
Perguntas Frequentes
A Espinha do Diabo tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina de forma fechada, sem teaser extra depois dos créditos.
A Espinha do Diabo é baseado em fatos reais?
Não é uma adaptação direta, mas usa contextos reais da Guerra Civil Espanhola e de orfanatos da época como pano de fundo para a ficção.
A Espinha do Diabo é de Guillermo del Toro?
Sim. É o terceiro longa do diretor, escrito e filmado antes de O Labirinto do Fauno, seu filme mais premiado.
Qual a ordem para assistir A Espinha do Diabo e O Labirinto do Fauno?
A Espinha do Diabo veio antes, em 2001, e funciona como prelúdio temático perfeito. A ordem cronológica de lançamento é a recomendada.
Pra quem é este filme:
- Fãs do cinema de Guillermo del Toro, especialmente quem viu O Labirinto do Fauno e quer entender as origens do autor.
- Admiradores de terror atmosférico e gótico europeu, com gosto por fantasmas clássicos em vez de slashers modernos.
- Leitores de história da Guerra Civil Espanhola interessados em representações simbólicas, não documentais, do conflito.
Título original: El espinazo del diablo
País de origem: Espanha
Diretor: Guillermo del Toro
Principais atores: