Veja o trailer do filme A Cordilheira
Sobre o que é A Cordilheira
Um presidente argentino viaja ao Chile para uma cúpula sul-americana que discute petróleo. Em volta, escândalos antigos, chantagem e uma filha em crise.
É desse microcosmo de bastidores que Santiago Mitre extrai seu segundo longa de ficção. O filme usa o encontro diplomático como palco de um thriller psicológico sobre até onde alguém aguenta antes de quebrar.
O tom é sóbrio, formal, com câmera sempre próxima demais de Hernán Blanco. Não espere explosions nem reviravoltas hollywoodianas. A tensão mora nos silêncios, nos olhares cruzados em reuniões, nas portas que se fecham depois de uma frase.
A premissa prática: um chefe de Estado com passado financeiro nebuloso, uma geopolítica que não perdoa fraqueza, e uma família que sangra em câmera lenta. Política como jogo de sobrevivência.
Estreia e legado
A Cordilheira foi exibido pela primeira vez na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2017, em maio daquele ano, antes de estrear comercialmente na Argentina em agosto.
No Brasil, a circulação foi mais discreta. Chegou a festivais e mostras alternativas em 2017, sem campanha massiva de bilheteria. Foi exibido em sessões pontuais no circuito alternativo, em especial ligado ao cine argentino contemporâneo.
O filme consolidou a parceria entre Santiago Mitre e Ricardo Darín, repetida depois em Relatos Selvagens e em produções posteriores. Pela crítica especializada, virou referência de como o cinema argentino contemporâneo consegue tratar política sem panfletar.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de Mitre e a atuação de Darín. Hernán é um protagonista com camadas: público, contido, mas rachando por dentro. As cenas com a filha Marina, vividas por Dolores Fonzi, são um capítulo à parte. A recriação de uma cúpula real, com figurino, protocolo e coreografia, é cinematograficamente impressionante.
Ponto fraco: o ritmo cobra paciência. Quem busca ação política no estilo de House of Cards pode achar o filme lento demais. O terceiro ato também é contido a ponto de frustrar quem espera reviravoltas pesadas.
É um drama para quem curte política vista de dentro, com atrito humano e pouca pirotecnia. Se gostar de Truman e Neve Negra, vai se sentir em casa.
Curiosidades
- Mitrez gravou o filme durante sessões reais do Congresso argentino, o que empresta ao longa uma textura documental única.
- A direção de fotografia é de Javier Julia, colaborador frequente de Mitre em O Estudante e outras obras.
- O longa faz parte da chamada trilogia política de Mitre, completada depois por Argentina, 1985.
Perguntas frequentes
A Cordilheira é baseado em fatos reais?
Não. A trama é ficcional, mas se inspira em dinâmicas reais de cúpula política sul-americanas, especialmente em torno do debate energético regional.
Quem é o diretor de A Cordilheira?
O filme foi dirigido por Santiago Mitre, cineasta argentino conhecido também por O Estudante e Argentina, 1985.
A Cordilheira tem cena pós-créditos?
Não. Os créditos finais sobem logo após o desfecho principal, sem cenas extras.
Qual é a classificação etária?
Classificação indicativa de 14 anos, por conteúdo de violência psicológica e temas sensíveis.
Pra quem é este filme:
- Fãs de política internacional e dramas de bastidores governamentais, do tipo que acompanha parlamentos, geopolítica de energia e negociações multilaterais.
- Admiradores de cinema argentino contemporâneo que já consumiram obras como O Estudante, Relatos Selvagens e Paulina.
- Quem curte atuação minimalista de Ricardo Darín e prefere dramas psicológicos a filmes de ação.
Título original: La cordillera
País de origem: Argentina
Data do lançamento: 31/12/2016
Distribuidora: Sem Distribuidor
Diretor: Santiago Mitre
Principais atores: