Veja o trailer do filme A Cor do Oceano
A Cor do Oceano
O que é A Cor do Oceano
Em A Cor do Oceano, a diretora Maggie Peren parte de um naufrágio nas Ilhas Canárias para construir um drama sobre empatia, burocracia e a crise migratória.
Zola e o filho pequeno Mamadou estão entre os dez sobreviventes de um barco à deriva. Eles chegam à costa exaustos, sem documentação, sem perspectiva.
É nesse contexto que Nathalie, turista alemã de férias, decide agir. Ela presencia o resgate, se comove, oferece dinheiro, abre a porta de casa. A intenção é clara: ajudar.
Só que José, o policial de fronteira encarregado do caso, não vê com bons olhos. Cansado do sistema, desconfiado, ele não acredita em uma palavra do que Zola diz. Para ele, o caminho mais rápido é a deportação.
O choque entre a solidariedade impulsiva de Nathalie e a frieza institucional de José é o motor da história. A partir daí, cada gesto mínimo ganha peso desproporcional.
Quando estreou e por que ele ainda ressoa
A Cor do Oceano estreou nos cinemas brasileiros em 16 de março de 2017, em circuito limitado, com distribuição tímida fora do circuito de arte.
Produzido pela Espanha, o filme dialoga com a crise migratória que marcou a Europa na segunda metade da década de 2010, com milhares de pessoas tentando atravessar o Mar Mediterrâneo vindas da África Ocidental.
A crítica europeia recebeu bem o longa, especialmente pelo trabalho de Maggie Peren, roteirista de O Ódio (1995) e que aqui assume a direção com pulso firme.
Hoje, A Cor do Oceano é lembrado como um retrato incômodo sobre até onde vai a boa consciência de quem tem passaporte europeu, e o que acontece quando esse gesto encontra a parede do sistema.
Quem procura por dramas europeus sobre refugiados costuma tropeçar nesse título, e o interesse segue firme em catálogos de cinema autoral.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o jogo de atores. Sabine Timoteo segura a Nathalie com uma contenção rara, e Hubert Koundé transmite exaustão e dignidade sem nunca apelar para o melodrama. As cenas entre os dois têm uma tensão silenciosa que segura a sala.
Ponto alto: o roteiro de Maggie Peren. A escalada de pequenos mal-entendidos até a catástrofe final é crível, sem vilões caricatos.
Ponto fraco: o ritmo. Com 136 minutos, o filme alonga diálogos que poderiam ser mais enxutos. Quem espera ação ou reviravoltas rápidas vai se frustrar.
Ponto fraco: a previsibilidade de certos arcos. A catarse final é eficiente, mas o caminho até lá tem ecos de dramas alemães dos anos 2000.
Curiosidades de bastidor
- Maggie Peren escreveu o roteiro de O Ódio (1995), longa cult de Mathieu Kassovitz, antes de estrear na direção com este filme.
- As filmagens aconteceram em locações reais das Ilhas Canárias, usando a geografia do arquipélago para reforçar a sensação de isolamento.
- O ator Dami Adeeri, que interpreta o pequeno Mamadou, não tinha experiência anterior em cinema antes do longa.
Perguntas frequentes
A Cor do Oceano é baseado em fatos reais?
Não é uma adaptação direta, mas se inspira nos milhares de naufrágios registrados no trajeto entre a África Ocidental e as Ilhas Canárias durante a crise migratória europeia.
Quem dirige A Cor do Oceano?
A direção é de Maggie Peren, roteirista alemã conhecida por O Ódio (1995) e que aqui assina seu trabalho mais pessoal como diretora.
A Cor do Oceano tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina de forma definitiva, sem teaser ou cena extra após os créditos.
Pra quem é este filme:
- Fãs de dramas sociais europeus como O Falsificador e Movimento Browniano, que gostam de histórias sobre identidade e deslocamento.
- Leitores de reportagens sobre a crise migratória no Mediterrâneo e espectadores que buscam drama com fundo jornalístico.
- Quem curtiu O Ódio de Mathieu Kassovitz e quer ver outro olhar sobre confronto cultural e violência institucional.
Título original: A Cor do Oceano
País de origem: Espanha
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Maggie Peren
Principais atores: