Veja o trailer do filme O Ódio
O Ódio
O Filme
Uma noite de confronto entre jovens e polícia numa banlieue de Paris deixa Abdel no hospital, em coma. Entre os amigos que esperam notícias, três perfis bem diferentes se destacam.
Vinz, judeu e explosivo, encontra a arma de um policial e jura que vai matar alguém se Abdel morrer. Hubert é o boxeador exausto, que tenta manter a cabeça no lugar. Saïd é o árabe tagarela, que negocia com todo mundo e sonha em ficar rico.
Dirigido por Mathieu Kassovitz ainda nos 20 anos, o longa usa preto e branco, cortes secos e música dos anos 90 para transformar 24 horas de espera em um retrato cru da França marginalizada. Para quem curte drama social europeu, é aula obrigatória.
Estreia e Legado
Lançado em 1995 na França, O Ódio não foi um sucesso de bilheteria imediato, mas virou fenômeno de boca em boca. Aclamado pela crítica internacional, levou Kassovitz ao prêmio de Melhor Diretor em Cannes naquele ano, aos 28 anos.
Trinta anos depois, o filme segue citado em listas de melhores obras europeias, estudado em escolas de cinema e discutido em movimentos sociais. Virou referência direta de trabalhos sobre juventude, polícia e periferia, do inglês Laid to Rest a clipes de Kanye West, que samplou a trilha. A frase final, repetida em off, virou quase um manifesto involuntário sobre ciclos de violência.
No Brasil, ganhou várias edições em VHS, DVD e Blu-ray, e hoje está facilmente acessível em catálogos de streaming.
Vale o Ingresso?
Ponto alto: O trio central tem uma química rara. Cassel, Koundé e Taghmaoui parecem gente de verdade, sem ensaio visível, e as três visões de mundo opostas sustentam o filme inteiro nos ombros.
A direção de Kassovitz mistura ficção, documentário e música com um ritmo que envelheceu bem.
Ponto fraco: Quem busca entretenimento leve vai sair incomodado. O ritmo é propositalmente lento em alguns trechos, o humor é seco e o final é incômodo de propósito.
Também não espere explicações didáticas: o filme mostra, não explica.
Curiosidades
- Mathieu Kassovitz dirigiu, coescreveu e editou o filme, e ainda aparece em ponta como um skinhead numa cena breve.
- A filmagem aconteceu nas mesmas periferias do norte de Paris onde o filme se passa, com moradores como figurantes.
- A frase final, repetida em off sobre créditos, virou uma das falas mais citadas do cinema francês dos anos 90.
Perguntas Frequentes
O Ódio (La Haine) tem cena pós-créditos?
Não existe cena pós-créditos tradicional, mas o filme termina com uma narração sobre fundo preto logo após o último plano. É parte integrante do encerramento, não um extra.
O Ódio é baseado em fatos reais?
Não é uma história real específica, mas foi inspirado nos chamados eventos de 1993, quando confrontos entre polícia e moradores de bairros populares parisienses ganharam repercussão nacional. A pesquisa de campo incluiu entrevistas com moradores e policiais.
Por que o filme é em preto e branco?
Kassovitz escolheu o preto e branco para dar um tom documental, atemporal e para reduzir os custos da produção, que era baixa. A escolha acabou virando assinatura visual do filme.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema europeu politizado, de Ken Loach a Andrea Arnold, que buscam olhar para fora do circuito hollywoodiano.
- Quem gosta de filmes estruturados em tempo real, quase como um After Hours nas vielas francesas.
- Estudantes e curiosos por cinema social, movimentos urbanos e cultura hip-hop dos anos 90.
Título original: La Haine
País de origem: França
Data do lançamento: 01/12/1995
Diretor: Mathieu Kassovitz
Principais atores: