A Bela Intrigante

A Bela Intrigante

Drama Duração: 3h 48min

O que acontece em A Bela Intrigante

Num casarão no interior da França, o pintor Edouard Frenhofer vive uma aposentadoria voluntária ao lado de Marianne, sua esposa e antiga musa. A relação entre os dois se sustenta por companheirismo, não por desejo.

Quando o fotógrafo Bertrand aparece com a namorada, Liz, a rotina de Edouard muda. Ele decide retomar a tela inacabada há dez anos: um retrato inspirado em uma cortesã do século XVII, que nunca saiu do papel.

Liz aceita posar nua para o artista, mas o processo se revela longo, físico e quase sádico. Quanto mais Edouard busca a pintura perfeita, mais a relação entre modelo e pintor azeda, e Bertrand passa a se sentir ameaçado pela intimidade forçada que o trabalho exige.

Quando estreou e por que ainda importa

A Bela Intrigante é o último longa-metragem de Jacques Rivette, exibido pela primeira vez na França em 1991. No Brasil, o filme só chegou em 2017, em circuito alternativo.

Rivette foi um dos pilares da Nouvelle Vague, ao lado de Godard e Truffaut, mas com carreira mais discreta e radical. O longa é considerado um testamento do diretor sobre a criação artística como processo de dominação e entrega.

Hoje é lembrado como peça de catálogo obrigatório para quem estuda drama europeu de arte, citado em discussões sobre ética entre artista e modelo, e indicado como influência em obras como A Bela da Tarde.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a dupla entre Michel Piccoli e Emmanuelle Béart. Piccoli transmite a obsessão criativa com economia de gestos, e Béart sustenta a transformação da personagem, da curiosidade ao esgotamento.

Ponto alto: a fotografia, que usa a luz natural da casa de campo para transformar cada sessão de pose num quadro vivo, reforçando a discussão sobre a relação entre tela, corpo e poder.

Ponto fraco: a duração. São quase quatro horas de narrativa lenta, com cenas de pintura que se estendem sem cortes. Quem não está habituado ao ritmo de Rivette pode abandonar antes do segundo ato.

Ponto fraco: o roteiro repete padrões de comportamento dos personagens sem acrescentar nuance, o que torna a segunda metade um pouco redundante para espectadores mais impacientes.

Curiosidades de bastidores

  • O roteiro é livremente inspirado no conto A Obra-prima Desconhecida, de Honoré de Balzac, que já havia inspirado Picasso e Cézanne em suas reflexões sobre a criação.
  • Foi o último longa-metragem de Rivette. O diretor só voltaria a dirigir um curta antes de morrer, em 2016.
  • As sessões de pintura foram filmadas em ordem cronológica real, com Béart posando de verdade para Piccoli em muitas cenas, o que dá à tela o cansaço físico visível na pele da atriz.

Perguntas frequentes sobre A Bela Intrigante

A Bela Intrigante é baseado em qual livro?

É uma adaptação livre do conto A Obra-prima Desconhecida, de Honoré de Balzac, publicado em 1831, que discute a busca do artista pela perfeição e os limites entre criação e destruição.

Qual é a duração de A Bela Intrigante?

São 228 minutos, quase quatro horas, o que o coloca entre os longas franceses mais extensos já distribuídos no circuito alternativo brasileiro.

Quem dirige A Bela Intrigante?

O filme é dirigido por Jacques Rivette, diretor ligado à Nouvelle Vague e autor de A Religiosa e Habemus Papam.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de cinema de arte europeu e da filmografia de Jacques Rivette, que buscam o trabalho derradeiro do diretor.
  • Leitores de Balzac, da obra de Marguerite Duras e de ensaios sobre a relação entre artista e modelo ao longo da história.
  • Quem curte dramas longos e contemplativos, como Blow Up - Depois Daquele Beijo e Holy Motors, dispostos a sentar diante de uma narrativa paciente.

Título original: A Bela Intrigante

País de origem: França/Suíça

Data do lançamento: 16/03/2017

Diretor: Jacques Rivette

Principais atores: