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A Religiosa
O Filme
Na França do século XVIII, Suzanne é uma jovem forçada pela própria família a ingressar em um convento. Seus pais não têm dinheiro para criá-la — ou pelo menos é o que dizem.
A verdade é mais cruel: ela é filha de um caso extraconjugal da mãe e precisa sumir do mapa. O destino da garota vira moeda de troca entre homens que decidem tudo por ela.
Dentro dos muros do claustro, Suzanne cruza com três madres superioras. Algumas oferecem carinho pontual. A maioria reserva humilhação, sadismo e abuso sexual.
Baseado no romance de Denis Diderot, escrito em 1760 e publicado só em 1796, o longa de Guillaume Nicloux adapta um texto proibido por mais de um século. A versão original de Jacques Rivette, dos anos 1960, ficou engavetada pela censura francesa por anos.
Estreia e Legado
A Religiosa teve sua première mundial no Festival de Berlim 2013, onde recebeu críticas divididas. A versão de Nicloux é a segunda adaptação da obra de Diderot para o cinema, depois da tentativa de Rivette nos anos 1960.
No Brasil, o longa chegou aos cinemas em 31 de dezembro de 2023, em um lançamento discreto e sem grande apelo comercial. É o tipo de drama de arte que depende do boca a boca.
A obra é lembrada hoje como um marco do debate sobre opressão de gênero e os abusos históricos da Igreja. Continua atual, incômodo e difícil de digerir em uma única sessão.
Vale o Ingresso?
Ponto alto: A interpretação silenciosa e contida de Pauline Etienne. Ela segura 135 minutos de projeção quase sem sair do claustro, e o rosto dela diz tudo.
A direção de arte capricha nos detalhes de época. Roupas, luz natural e ambientes evocam a reclusão forçada com poucos recursos narrativos.
Ponto fraco: O ritmo é propositalmente lento, mas pode soar arrastado em alguns trechos centrais. Quem busca tensão clássica de thriller pode estranhar a proposta contemplativa.
Certas cenas de abuso são explícitas. Não é filme para quem se incomoda com representações cruas de violência sexual.
Curiosidades
- O romance de Diderot foi escrito em 1760, mas só publicado em 1796 por causa da censura. A obra é considerada fundadora do realismo francês
- A primeira adaptação cinematográfica, dirigida por Jacques Rivette, foi produzida nos anos 1960 e proibida na França até 1967
- A cena com Isabelle Huppert foi cortada em vários países por sua intensidade explícita
Perguntas Frequentes
A Religiosa é baseada em fatos reais?
Não. O filme é adaptado do romance ficcional de Denis Diderot, embora a obra dialogue com casos reais de abuso em conventos da França do século XVIII.
O filme tem cena pós-créditos?
Não. A narrativa se encerra dentro do próprio drama, sem ganchos extras após os créditos.
A Religiosa vale a pena para quem não gosta de filmes lentos?
Provavelmente não. O ritmo contemplativo é parte da proposta e exige paciência do espectador.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de arte europeu interessado em dramas históricos sobre instituições religiosas
- Leitores de Diderot e admiradores de adaptações literárias polêmicas
- Quem curte Isabelle Huppert, Martine Gedeck e elenco francês de prestígio em papéis intensos
Título original: La Religieuse
País de origem: França
Data do lançamento: 31/12/2023
Distribuidora: Sem Distribuidor
Diretor: Guillaume Nicloux, Jacques Rivette
Principais atores: