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A Religiosa

A Religiosa

14 Drama Duração: 2h 15min

O Filme

Na França do século XVIII, Suzanne é uma jovem forçada pela própria família a ingressar em um convento. Seus pais não têm dinheiro para criá-la — ou pelo menos é o que dizem.

A verdade é mais cruel: ela é filha de um caso extraconjugal da mãe e precisa sumir do mapa. O destino da garota vira moeda de troca entre homens que decidem tudo por ela.

Dentro dos muros do claustro, Suzanne cruza com três madres superioras. Algumas oferecem carinho pontual. A maioria reserva humilhação, sadismo e abuso sexual.

Baseado no romance de Denis Diderot, escrito em 1760 e publicado só em 1796, o longa de Guillaume Nicloux adapta um texto proibido por mais de um século. A versão original de Jacques Rivette, dos anos 1960, ficou engavetada pela censura francesa por anos.

Estreia e Legado

A Religiosa teve sua première mundial no Festival de Berlim 2013, onde recebeu críticas divididas. A versão de Nicloux é a segunda adaptação da obra de Diderot para o cinema, depois da tentativa de Rivette nos anos 1960.

No Brasil, o longa chegou aos cinemas em 31 de dezembro de 2023, em um lançamento discreto e sem grande apelo comercial. É o tipo de drama de arte que depende do boca a boca.

A obra é lembrada hoje como um marco do debate sobre opressão de gênero e os abusos históricos da Igreja. Continua atual, incômodo e difícil de digerir em uma única sessão.

Vale o Ingresso?

Ponto alto: A interpretação silenciosa e contida de Pauline Etienne. Ela segura 135 minutos de projeção quase sem sair do claustro, e o rosto dela diz tudo.

A direção de arte capricha nos detalhes de época. Roupas, luz natural e ambientes evocam a reclusão forçada com poucos recursos narrativos.

Ponto fraco: O ritmo é propositalmente lento, mas pode soar arrastado em alguns trechos centrais. Quem busca tensão clássica de thriller pode estranhar a proposta contemplativa.

Certas cenas de abuso são explícitas. Não é filme para quem se incomoda com representações cruas de violência sexual.

Curiosidades

  • O romance de Diderot foi escrito em 1760, mas só publicado em 1796 por causa da censura. A obra é considerada fundadora do realismo francês
  • A primeira adaptação cinematográfica, dirigida por Jacques Rivette, foi produzida nos anos 1960 e proibida na França até 1967
  • A cena com Isabelle Huppert foi cortada em vários países por sua intensidade explícita

Perguntas Frequentes

A Religiosa é baseada em fatos reais?

Não. O filme é adaptado do romance ficcional de Denis Diderot, embora a obra dialogue com casos reais de abuso em conventos da França do século XVIII.

O filme tem cena pós-créditos?

Não. A narrativa se encerra dentro do próprio drama, sem ganchos extras após os créditos.

A Religiosa vale a pena para quem não gosta de filmes lentos?

Provavelmente não. O ritmo contemplativo é parte da proposta e exige paciência do espectador.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de cinema de arte europeu interessado em dramas históricos sobre instituições religiosas
  • Leitores de Diderot e admiradores de adaptações literárias polêmicas
  • Quem curte Isabelle Huppert, Martine Gedeck e elenco francês de prestígio em papéis intensos