"Homecoming" mostra uma Beyoncé que (quase) ninguém tinha visto até agora

Publicado em 23/04/19 05:00

Beyoncé surpreendeu na última semana ao lançar simultaneamente com seu documentário na Netflix um álbum ao vivo com as músicas de seus shows no Coachella no ano passado. Mas o mais surpreendente em "Homecoming" é a forma como a cantora se abre e se mostra "de carne e osso" entre um trecho e outro das mais de duas horas de conteúdo, que mescla shows e bastidores.

Afinal, Beyoncé sempre foi muito discreta em relação à sua vida pessoal. Até então, pouco se sabia sobre intimidades de sua relação com o marido Jay-Z, a não ser aquilo que eles escolheram mostrar indiretamente em músicas de seus dois últimos trabalhos de estúdio: "Lemonade" e "4:44". Isso muda com o filme.

Os gêmeos Sir e Rumi - que até então pouco tinham aparecido - também estão bastante presentes no documentário dirigido pela mãe, inclusive no ultrassom e no momento exato do nascimento. Em um outro trecho de "Homecoming", a mais velha, Blue Ivy, aparece cantando e mostrando que herdou o dom.

Vale lembrar, por exemplo, que mesmo com 127 milhões de seguidores só em sua conta no Instagram, Beyoncé não segue ninguém na rede social. Por lá, ela é bem ativa. Mas tanta fama permite à diva da música até dispensar as legendas, e - ainda assim - colecionar milhões de likes a cada foto postada.

Veja a seguir cinco curiosidades sobre "Homecoming":

Recuperação do corpo

Reprodução/Netflix
Beyoncé se esforça no primeiro ensaio de dança para o show "Homecoming", pouco tempo depois de ter gêmeos Imagem: Reprodução/Netflix

Beyoncé fez quatro meses de ensaios com a banda e de canto, e outros quatro de dança. Ou seja, voltou a trabalhar apenas dois meses após dar à luz seus filhos gêmeos. Batizando o show de "Homecoming", ela quis promover uma espécie de festa de reencontro de alunos da faculdade. Foram cerca de 200 pessoas envolvidas, e a cantora literalmente armou uma arquibancada no palco do Coachella para colocar juntos balé, banda e percussionistas.

A cantora confessa que chegou aos 99 kg durante sua gravidez e que achou que nunca mais iria voltar a dançar. "Houve dias em que eu pensei que eu nunca mais seria a mesma. Nunca seria a mesma fisicamente, perderia a minha força e resistência [...] E grande parte da coreografia requer sensações, então não é tão técnica. É a sua personalidade que dá vida a ela. E é difícil quando uma pessoa não se sente ela mesma", conta em primeira pessoa.

"Tive que recuperar meu corpo dos cortes da cesárea, Levei um tempo para me sentir confiante o bastante para pôr a minha personalidade nela. No começo eram tantos espasmos. Internamente, o meu corpo não estava inteiro. A minha mente não estava presente. A minha mente queria ficar com os meus filhos. O que as pessoas não veem é o sacrifício."

Gestação de risco

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Beyoncé com seus gêmeos Sir e Rumi durante os ensaios para o show "Homecoming" Imagem: Reprodução/Netflix

Beyoncé iria se apresentar em 2017 como uma das principais atrações do Coachella. Mas a gravidez de gêmeos, que segundo ela foi inesperada, fez com que o show fosse adiado para o ano seguinte. Em "Homecoming", ela ainda revela teve uma gestação de risco e que quase perdeu um dos bebês.

"Eu iria cantar no Coachella no ano anterior. Mas eu tive uma gravidez inesperada. E acabou sendo gêmeos. O que acabou sendo uma surpresa maior ainda. O meu corpo sofreu mais do que pensei aguentar. Eu estava com 99 kg no dia em que dei à luz. Tive uma gravidez de alto risco. Fiquei com pressão alta, tive toxemia, pré-eclampsia, e, no útero, o coração de um dos meus bebês parou algumas vezes. E passei por uma cesárea de emergência."

Família presente

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Blue Ivy e Jay-Z acompanham os ensaios de Beyoncé para o show "Homecoming" Imagem: Reprodução/Netflix

Os gêmeos Sir e Rumi, aliás, são estrelas secundárias. Beyoncé liberou imagens da barriga, de ultrassom, dos bebês com o pai, Jay-Z, da amamentação e até mesmo encontrando a mãe entre uma pausa e outra dos longos ensaios para o show. A primogênita Blue Ivy também mostra um pouco mais de sua personalidade entre um take e outro do documentário. A menina participa de partes do ensaio e mostra que já entende o trabalho da família.

O marido Jay-Z, que participa do show cantando "Drunk in Love", também aparece em várias cenas acompanhando os ensaios e participando das reuniões, sempre lideradas por Beyoncé. Em um dos trechos, ele aguarda pacientemente até que a esposa finaliza o trabalho e anuncia para a equipe: "Agora preciso ir pra casa. Hoje é meu aniversário de casamento."

Esforço extremo

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Beyoncé faz exercícios para perder peso antes do show de "Homecoming" Imagem: Reprodução/Netflix

O esforço físico e mental para fazer um show perfeito, também envolveu uma dieta bastante restrita. "Eu me proibi de consumir pão, carboidratos, acúçar, laticínios, carne, peixe e bebida alcoólica. E estou com fome", admite Beyoncé. "Não é como antes quando eu ensaiava por 15 horas direto. Tenho filhos, um marido. Tenho que cuidar do meu corpo", reflete Beyoncé.

"Me esforcei mais do que pensava ser capaz e aprendi uma lição valiosa. Eu nunca, nunca mais chegarei a esse extremo. Estou me sentindo uma nova mulher em um novo capítulo da minha vida e nem estou tentando ser quem eu era. É tão lindo que crianças façam isso com uma pessoa."

Em um momento "gente como a gente", Beyoncé surge orgulhosa quando consegue entrar em um figurino antigo e pede para que a equipe faça uma ligação em vídeo para ela mostrar aquilo para o marido. Empolgadíssima em frente ao celular, ela recebe uma reação um tanto quanto enfadonha do rapper e ri ao desligar. "Por que os homens não se animam com isso?"

Raízes

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Beyoncé aplaude a filha Blue Ivy após cantoria da primogênita em cena de "Homecoming" Imagem: Reprodução/Netflix

Ainda mais importante que toda a intimidade da artista, é o peso simbólico que ela colocou no show. Como vem fazendo desde "Lemonade", Beyoncé quis valorizar sua representatividade como mulher negra. Todo o documentário é permeado por frases de grandes líderes negros que frequentaram as universidades historicamente negras dos Estados Unidos.

"É difícil de acreditar que depois de todos esses anos eu fui a primeira mulher afro-americana a ser atração principal no Coachella. Era importante pra mim que todos que nunca se viram representados se sentissem no palco com a gente", destaca Beyoncé.

Ela também busca o tempo todo valorizar a equipe que trabalha com ela no show, deixando claro que escolheu um a um. Uma das bailarinas, inclusive, relata uma situação parecida com a dela, lutando com o próprio corpo para voltar a dançar após ter dado à luz.

"Como negra, eu sentia que o mundo queria que eu ficasse no meu cantinho. E mulheres negras muitas vezes se sentem subestimadas. Queria que sentíssemos orgulho não só do show, mas do processo. Orgulho da luta. Gratidão pela beleza que vem com uma história dolorosa e nos regozijássemos na dor, nas imperfeições e nos erros que são acertos. E eu queria que todas sentissem gratidão por suas curvas, por sua atitude, por sua honestidade. Gratidão por sua liberdade. Não havia regras, e pudemos criar um espaço livre e seguro onde nenhuma de nós era marginalizada."

Fonte: UOL Cinemas // Renata Nogueira