Diretora de filme sobre Dilma defende cotas para mulheres e critica Bolsonaro

Publicado em 11/09/19 23:00

A diretora Maria Ramos, do documentário O Processo, de 2018, defendeu a implementação de políticas públicas como cotas para mulheres no cinema e criticou a gestão do presidente Jair Bolsonaro no setor artístico.

A cineasta participa do seminário "Modos de Fazer: cinemas e mulheres na América Latina", na Casa da América, em Madri, na Espanha. Ela concedeu entrevista à Agência Efe e defendeu medidas drásticas pela igualdade de gênero.

"Sou favorável às cotas para mulheres e grupos minoritários. É a maneira para evoluir mais rapidamente", afirmou Ramos, que dirigiu "O Processo", filme sobre o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

A cineasta destacou a conquista de um maior espaço das mulheres no cinema latino-americano graças ao avanço de novas tecnologias, a maior oferta das escolas de formação, além do menor custo para produção e uma maior mobilização política, o que permite que novas profissionais ganhem espaço no Brasil, por exemplo.

"Há grandes diretoras, tanto de documentários como de obras de ficção, surgindo na América Latina em direção, fotografia, edição, em tudo. No Brasil, há uma nova geração que emerge, com nomes como Marilia Rocha e Júlia Murat", citou.

Além das dificuldades históricas, Ramos ainda critica o discurso e as ideias de Bolsonaro na área cultural, como a possível nomeação de um diretor-presidente evangélico para a Agência Nacional do Cinema (Ancine), o que ela classifica como um retorno "à Idade Média".

"A Ancine, que nasceu com uma proposta de dar diversidade ao que é o Brasil, está em risco. A ideologia de Bolsonaro e do seu entorno acaba com a chance de fazer arte, cinema, televisão e qualquer outro tipo de comunicação com ética. Estamos vivendo sob a censura", concluiu.

Fonte: UOL Cinemas // UOL