Segundo informações da Bloomberg, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos convocou as principais redes de cinema do país para conversas privadas sobre a venda da Warner Bros. Discovery. O governo quer saber como uma possível aquisição afetaria o público e se poderia reduzir o número de filmes lançados nos cinemas.
O movimento ocorre em meio à disputa entre Netflix e Paramount Skydance pela compra da Warner. A Netflix tem um acordo para adquirir os estúdios e a HBO Max, enquanto a Paramount reabriu negociações após melhorar sua oferta. A Netflix prometeu manter os filmes da Warner nos cinemas por 45 dias, mas a medida não convenceu totalmente os exibidores.
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Fim da novela? Warner Bros. dá sete dias para Paramount fazer nova oferta
David Ellison diz que Netflix vai "extinguir a concorrência" comprando a Warner
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James Cameron, diretor de Titanic, disse em novembro que uma venda para a Netflix seria "um desastre" para a indústria. David Ellison, CEO da Paramount, afirmou em carta ao senador Cory Booker que a aquisição pela Netflix "extinguiria" a concorrência. Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, rebateu que uma Paramount altamente endividada não conseguiria investir o suficiente em produção.
A associação Cinema United, que representa redes como AMC e Regal, classificou uma possível compra pela Netflix como "culturalmente catastrófica" e disse que um acordo com a Paramount não seria "menos grave". Em reunião recente da Global Cinema Federation, alguns CEOs defenderam a oferta da Paramount, citando seu longo histórico com os cinemas e a promessa de lançar 30 filmes por ano.
Sean Gamble, CEO da Cinemark, disse em teleconferência com investidores que ainda está "apreensivo" com o compromisso da Netflix. "Precisamos de garantias mais firmes, não apenas comentários verbais, sobre a janela de exibição, o nível de investimento e o marketing contínuo", afirmou.
Tudo sobre a aquisição da Warner pela Netflix
A Netflix anunciou um acordo para adquirir a Warner Bros. Discovery (WBD) num dos maiores negócios da história do entretenimento global. A operação combina dinheiro e ações — avaliando a WBD em US$ 27,75 por ação — e totaliza quase US$ 83 bilhões em valor empresarial, com US$ 72 bilhões em valor de mercado para os acionistas.
O que muda para a Netflix?
A Netflix alavanca seu crescimento ao incorporar um vasto catálogo histórico de filmes e séries, incluindo ativos premium como HBO/HBO Max, além de estúdios e franquias icônicas.
A ação representa uma mudança significativa no modelo tradicional da Netflix, que até então crescia principalmente por produção orgânica e licenciamento, e agora passa a integrar grandes ativos tradicionais de Hollywood.
A operação ainda dependerá de aprovações regulatórias, podendo enfrentar escrutínio antitruste.
Expansão estratégica e pressões regulatórias
A aquisição marca uma mudança na estratégia da Netflix, que historicamente cresceu com produções próprias e licenciamento. Sob seu guarda-chuva, o estúdio Warner passaria a operar com fluxo próprio, mantendo lançamentos de cinema com janelas tradicionais e uma estrutura híbrida entre streaming e exibições teatrais — uma expansão do modelo atual da plataforma.
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O negócio, porém, enfrenta resistência. Cineastas e produtores pediram ao Congresso dos EUA um escrutínio antitruste rigoroso, alegando risco de concentração de mercado. Legisladores também solicitaram avaliações detalhadas sobre impacto em concorrência, distribuição e relações trabalhistas no audiovisual.
Disputa acirrada e críticas entre concorrentes
Durante o processo, a Paramount Skydance questionou a lisura da venda e acusou a WBD de favorecer a Netflix. A empresa defendeu a criação de um comitê independente para avaliar as propostas, enquanto grupos políticos republicanos também demonstraram preocupação pública com a expansão da Netflix sobre operações de TV e cinema.
O que acontece agora e resposta do governo
As negociações seguem exclusivas por prazo limitado e podem resultar num anúncio oficial caso Netflix e WBD alinhem os termos finais. Depois disso, o acordo ainda precisará passar pelo crivo dos reguladores — etapa que pode se prolongar ao longo de 2026.
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A proposta da Netflix chamou atenção dos órgãos regulamentadores nos Estados Unidos, com a representante republicada Darrell Issa fazendo uma carta em novembro para a Procuradora-Geral dos EUA, Pam Bondi, e ao presidente da FTC, Andrew Ferguson, e à Procuradora-Geral Adjunta da Divisão Antitruste do Departamento de Justiça, Gail Slater.
A Netflix é a principal líder no mercado de streaming, e a aquisição da HBO Max, representaria uma grande disrupção no cenário dos serviços de streaming. Devido a esses problemas, a Paramount teria enviado uma carta ao time legal da Warner avisando que a negociação com a Netflix pode não se concretizar devido aos órgãos regulamentadores, e também acusando a empresa de favorecer o streaming nas negociações.
Fonte: Omelete // Igor Pontes