Em Cannes 2026, Cinema do Brasil aposta em coproduções para manter bom momento
Publicado em 13/05/26 15:00
Localizado no coração do Festival de Cannes, o Marché du Film é uma área destinada ao mercado internacional do cinema, onde o Brasil e outros países montam seus estandes e realizam painéis, reuniões e apresentações para projetar o seu cinema, fechar acordo e vender filmes para distribuidoras. Este ano, o estande Cinema do Brasil é casa de 80 empresas que chegam à França num momento de expansão do audiovisual verde-e-amarelo. A missão é manter o bom momento.
2025 foi marcado na consciência popular pela presença dos filmes brasileiros em premiações. O Último Azul levou o Urso de Prata em Berlim semanas antes de Ainda Estou Aqui ganhar o Oscar de Melhor Filme Internacional em março. Dois meses depois, no próprio Festival de Cannes, O Agente Secreto levou Melhor Direção e Melhor Ator – uma rara dobradinha – e continuou o bom momento até quatro indicações no Oscar 2026.
O que permite esse sucesso é um comprometimento constante com o audiovisual. Neste mesmo 2025, foram R$1.41 bilhão investidos no setor, um recorde em termos de aplicação de dinheiro público. O retorno veio. 367 filmes nacionais entraram em cartaz, levando mais de 11 milhões de pessoas às salas. Isso já foi uma resposta a um forte 2024, quando o audiovisual gerou R$70.2 bilhões para a economia brasileira, movimentando mais de 608 mil empregos. Em 2026, o objetivo é manter o crescimento, e isso passa pelo Marché du Film em Cannes.
Parte desta indústria há anos e muito envolvida com a presença brasileira no Marché 2026, a ApexBrasil se mostra constante quando se trata do assunto Brasil em Cannes.
“O audiovisual brasileiro está vivendo uma fase de crescimento, com forte aumento na capacidade de produção, desenvolvimento de talentos e demanda internacional. A ApexBrasil trabalha para converter esse momento em oportunidades concretas de negócios, ampliando as exportações e posicionando o Brasil como um parceiro sólido e criativo para a indústria global”, disse Maria Paula Velloso, Diretora de Negócios da ApexBrasil. “Cannes é uma plataforma estratégica para formar redes de relacionamento, parcerias estratégicas e acelerar coproduções e investimentos"
Reconhecendo o audiovisual não apenas como cultura, mas como uma indústria de exportação de alto valor, a agência – que junto com o Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo (SIAESP) criou o programa Cinema do Brasil – realizará painéis e reuniões que vão, entre outras coisas, focar no valor de coproduções com outros países. Trata-se de uma estratégia que já se mostra eficaz. Em 2025, o Brasil pode não ter um longa dirigido por brasileiro na seleção de Cannes, mas há quatro títulos produzidos, entre outras nações, por produtores do Brasil.
Estamos falando de La Perra (com Selton Mello e produzido por Rodrigo Teixeira), Seis Meses no Prédio Rosa e Azul (produzido por Rachel Daisy Ellis e Camille Reis através da Desvia, produtora pernambucana), Elefantes na Névoa (produzido pelos brasileiros Tatiana Leite e Leonardo Mecchi através, respectivamente, da Bubbles Project e Enquadramento Produções) e Paper Tiger, do norte-americano James Gray, também produzido por Teixeira através da RT Features. Este último, dado o quão querido Gray é na França, aspira à prestigiada Palma de Ouro.
É nesse contexto que o estande do Brasil terá sessões dedicadas de matchmaking reunindo brasileiros com mais de 25 parceiros da Europa e América Latina — incluindo França, Alemanha, Itália, Espanha, Reino Unido, Colômbia e Chile — enquanto iniciativas direcionadas buscam aproximação com mercados asiáticos de alto crescimento, como China, Coreia do Sul, Índia e o país de honra de Cannes 2026: Japão.
A conexão brasileira com a terra do sol nascente é histórica, e vai além do cinema. Para fortalecer a mesma, será realizado o painel Brasil–Japão: Construindo Novas Pontes na Coprodução Internacional, que terá a presença de Maria Paula Velloso, diretora de negócios da ApexBrasil, Jacqueline Sato, diretora criativa da Sato Company e da secretária do audiovisual do Ministério da Cultura, Joelma Gonzaga.
Outro destaque é o painel Inteligência artificial no audiovisual: Brasil–França e os desafios de uma inovação responsável, que reúne lideranças femininas do Brasil e da França para falar sobre o uso de IA no cinema. Representando o país estarão a moderadora Juliana Funaro do Instituto +Mulheres, também representado por Janaína Augustin, Ana Kinukawa da Abrasia, Tamiris Hilário da ONU Mulheres Brasil e, novamente, Maria Paula Velloso, diretora da ApexBrasil. A conversa conta também com as francesas Leslie Thomas, do centro nacional de cinema do país, e Fanny de Casimacker – delegada geral do Collectif 50/50, que luta por igualdade e inclusão na indústria cinematográfica.
Liderança feminina, aliás, é outra pauta importante para a agenda do Cinema do Brasil no Marché du Film deste ano. “Garantir a presença de mulheres em ambientes de mercado internacional fortalece todo o ecossistema audiovisual — desde empresas mais diversas até conteúdo mais conectado globalmente”, disse Juliana Funaro.
Em resumo, para o Marché du Film 2026, o Cinema do Brasil traz uma grande, diversa e apaixonada delegação para Cannes, reunindo representantes de diferentes regiões do país e refletindo a força criativa que só o Brasil tem.
Este ano, não faltam projetos empolgantes apoiados pelo programa do Cinema do Brasil. São filmes que refletem a variedade, qualidade e força dos artistas nacionais, e que têm tudo para dar continuidade ao excelente momento atual. Conheça mais sobre esses filmes e seus realizadores no catálogo oficial do Cinema do Brasil Clicando aqui:
Fonte: Omelete // publieditorial