Maggie Gyllenhaal: “Jake foi a última pessoa que escalei em A Noiva!”
Publicado em 15/01/26 16:00
Maggie Gyllenhaal confessa que hesitou bastante antes de escalar o irmão, Jake Gyllenhaal, em A Noiva!. Durante coletiva de imprensa acompanhada pelo Omelete, para festejar o lançamento do segundo trailer do longa, a diretora contou detalhes sobre o papel interpretado por Jake (“um ídolo das matinês, astro dos ‘filmes dentro do filme’”), e a razão em torno de sua hesitação.
A Noiva! | Jessie Buckley e Christian Bale fazem a revolução em novo trailer“Eu queria ter certeza de que era a escolha certa para o nosso relacionamento. Passei muito tempo pensando sobre isso, mas eventualmente percebi que era”, comentou. “Eu não trabalhava com ele desde Donnie Darko, quando eu tinha uns 20 anos, mas foi um prazer enorme retomar isso. Nos dias em que Jake estava no set, eu me pegava rindo tanto que as lágrimas escorriam pelo meu rosto. Eu amei! Isso é verdade para todos os meus atores, mas é claro que há algo especial com o meu próprio irmão”.
A seguir, confira a conversa completa, onde Gyllenhaal ainda fala sobre a ideia que deu à luz o seu novo filme, a estética punk que o permeia, a escalação de Jessie Buckley e Christian Bale nos papéis principais, e muito mais!
REPÓRTER: A Noiva! parece ser uma guinada estilística audaciosa em comparação a A Filha Perdida. O que te levou a fazer esse salto entre algo íntimo, silencioso, e algo muito mais barulhento e acentuado?
GYLLENHAAL: Bom, quando fiz A Filha Perdida, sinto que o filme simplesmente aconteceu — quer dizer, deu muito trabalho, obviamente, mas fluiu de forma muito natural. Eu me interessei pelo livro, escrevi o roteiro, reuni o elenco, montei tudo. Era um tom e um sentimento que vinham muito naturalmente para mim. Percebi que dizer a verdade sobre algo um pouco tabu, que foi o que fizemos naquele filme, ressoava com as pessoas. Quer dizer, é um filme pequeno e talvez tenha ressoado com pouca gente, mas ressoou. Eu pude sentir. Então me perguntei, depois daquela experiência, vendo aquilo acontecer: o que aconteceria se eu tentasse contar a verdade sobre outra coisa, e fizesse isso de um jeito pop e grandioso? Isso ressoaria mais, tocaria em uma ferida maior? Qual ferida? Neste caso, o que estava na minha cabeça era falar sobre os aspectos monstruosos dentro de cada um de nós. Eu vejo isso em mim mesma, vejo em outras pessoas, e pensei: bem, e se a gente realmente fosse a fundo e contasse a verdade sobre isso, mas fizesse de um sexy? De um jeito grande, pop e sexy?
REPÓRTER: Você pode nos contar um pouco sobre qual foi a "ideia número um", a coisa que começou o processo de A Noiva!? Por outro lado, teve algum momento na produção em que a história mudou, se transformou em algo diferente?
GYLLENHAAL: Então, para a primeira parte da pergunta, devo dizer que estava meio perdida: queria fazer essa história grande e pop, mas o que ia ser? Qual história ia contar? Um dia, eu estava em uma festa e vi um homem com uma tatuagem no antebraço mostrando a Noiva de Frankenstein [a personagem vivida por Elsa Lancaster no filme homônimo de 1935], e aquilo me fisgou. As pessoas vinham me propondo coisas, ideias diferentes, propriedades intelectuais diferentes, até mesmo apenas trocando ideias comigo, mas nada estava colando. Eu vi essa tatuagem e pensei: "Eu já vi esse filme?". Conheço a imagem, conheço a personagem, é claro, mas já vi o filme?
Enfim, voltei para casa, e estava no meio de uma viagem de imprensa em Los Angeles. Pesquisei sobre a Noiva na internet e pensei: é isso. Elsa Lanchester tem um impacto inegável, no jeito que ela olha... algo nela é formidável. E então eu assisti ao filme, que eu de fato não tinha visto, e percebi que ela nem mesmo fala! O que achei realmente interessante foi que temos este filme chamado A Noiva de Frankenstein, mas ele não é de forma alguma sobre a Noiva de Frankenstein! E, ainda assim, Elsa Lanchester causa esse impacto, embora esteja no filme por três minutos e não fale. Por quê? Bem, porque ela é meio badass, mas também porque ela acorda e diz “não!”.
A partir daí, pensei: bem, ok, o que posso fazer com isso? Em muitas versões de Frankenstein, o monstro é um monstro, claro – que faz coisas monstruosas e horríveis –, mas também é belo, humano, gentil e solitário. Então, o pedido dele por uma companheira, que faz parte do livro e da mitologia, é realmente compreensível. Mas, ao mesmo tempo, e quanto à companheira? Ele está pedindo para que alguém seja trazido de volta dos mortos para ser sua namorada. Bem, e quanto a ela? É nisso que este filme, eu acho, realmente mergulha. E se ela voltar e tiver suas próprias necessidades, sua própria agenda, seus próprios desejos e seus próprios terrores?
REPÓRTER: Seu estilo para A Noiva! parece misturar elementos góticos clássicos com mistério noir moderno. Quais foram algumas das suas inspirações para o filme?
GYLLENHAAL: Eu estava interessada em subverter um estilo de cinema clássico. Então, sim, Bonnie & Clyde: Uma Rajada de Balas, Terra de Ninguém e até Metrópolis. E eu penso em um filme como Coração Selvagem, que subverte essas coisas clássicas do cinema de um jeito David Lynch, que é diferente do meu jeito. Estilisticamente, para ser honesta, eu apenas deixo minha mente se abrir e vagar. Então, é claro que existem inspirações, grandes inspirações, mas acho que apenas deixei as coisas irem para onde deveriam ir. Acho que por isso me sinto tão vulnerável quando coloco o filme no mundo – ele vem de mim de uma forma muito, muito aberta.
REPÓRTER: E como você decidiu que os anos 1930 não apenas se adequavam aos temas e ideias que você queria explorar, mas também combinavam com o estilo que você queria adotar?
GYLLENHAAL: Bom, eu amo os anos 30. Mas, quando comecei a escrever, primeiro ambientei o filme nos anos 1860, 1870. O livro de Frankenstein é de 1820, mas nos anos 1860 e 1870 — serei rápida nisso, não precisamos ter uma grande aula de história — havia um movimento muito forte sobre em torno das pessoas falarem com os mortos. O movimento espiritualista, certo? Tinha ocorrido a Guerra Civil, muitas mulheres estavam perdendo seus filhos no parto e, por isso, havia esse contingente de pessoas – e eram quase todas mulheres – que falavam com os mortos para você.
Diante disso, pensei: em um filme sobre pessoas que voltam dos mortos, talvez essa seja uma época interessante para ambientá-lo. Mas então, enquanto eu escrevia, percebi que Frankenstein é tão solitário, e ele tem tão pouca gente com quem conversar, que seu relacionamento principal é com uma estrela de cinema. Uma estrela de cinema é alguém com quem você pode imaginar ter um relacionamento, mas elas não te conhecem de jeito nenhum. Frankenstein, cujo rosto é tão assustador, de quem as pessoas fogem gritando quando o veem.. ele se sente seguro no escuro do cinema.
Uma vez que percebi que queria que ele tivesse um relacionamento com uma estrela de cinema, pensei: o filme tem que ser ambientado em uma época em que existam filmes. E escolhi os anos 30 porque os amo esteticamente, e os filmes feitos nessa época são tão fantasiosos. A Noiva! também é sobre a diferença entre fantasia – amor de fantasia, aparência de fantasia, sexo de fantasia – e realidade, e qual é o prazer de um caso de amor baseado na realidade.
Por outro lado, os anos 1930 que vemos no filme não são apenas os anos 1930 – são os anos 30 pelo prisma do centro de Nova York em 1981. São anos 30 que saem da minha imaginação.
REPÓRTER: Jessie Buckley descreveu A Noiva! como um filme punk autêntico. Você também sente que o filme é punk?
GYLLENHAAL: Eu acho que o filme é punk, sim, no sentido que é apenas a celebração de algo que não cabe facilmente em uma caixa. Ao mesmo tempo, lembro que quando comecei a trabalhar com o Christian [Bale], e ele me enviou imagens e vídeos do Sid Vicious – isso é uma referência punk direta! É o que você chamaria classicamente de punk. Eu amei essas referências na época, amei que ele estivesse pensando dessa forma. Por outro lado, fazer este filme onde A Noiva de Frankenstein é o centro... Meus amigos às vezes me encontravam e diziam: “Que legal, você fez Frankenstein!”. E eu dizia, o mais gentil e educadamente que podia: "Não, não fiz. Eu fiz A Noiva de Frankenstein". Acho que até isso, de certa forma, tem um aspecto punk.
REPÓRTER: Para você, o que fez de Jessie Buckley a personificação perfeita da independência e da energia caótica de A Noiva?
GYLLENHAAL: Bom, eu tinha trabalhado com a Jessie em A Filha Perdida, meu primeiro filme. Ela está realmente brilhante naquele filme – e acho que ambas soubemos, quando trabalhamos juntas, que éramos realmente espíritos similares. Como diretora, uma das minhas coisas favoritas é descobrir que linguagem você tem que falar com cada ator. Mas, com Jessie, eu apenas falava com ela como falava comigo mesma. Era algo completamente puro. Confesso que tive que me segurar para não escrever este papel para ela, porque pensei: se eu escrever para ela, talvez eu limite o que a Noiva poderia ser. Eu apenas tentei não pensar em ninguém, imaginar qualquer coisa, mas quando terminei pensei: é a Jessie. Eu realmente não sei quem mais poderia ter interpretado esse papel. Acho que tem a ver com uma sabedoria que ela tem, de saber que cada ser humano detém todo o espectro de sentimentos dentro de si: ferocidade e poder, mas também uma vulnerabilidade profunda; inteligência, mas também irracionalidade; sexy, mas também feia. Tudo isso, junto, faz uma pessoa, e acho que o que há de mais extraordinário nela como atriz é que ela realmente permite que todas essas coisas façam parte do trabalho. Por causa disso, acho que muitas, muitas pessoas podem se identificar com o que ela está fazendo. E A Noiva, o papel que eu estava pedindo para ela interpretar, precisava de tudo isso para funcionar.
REPÓRTER: Você pode nos contar um pouco, também, sobre como decidiu que Christian Bale não era apenas o ajuste perfeito para o seu Frank, mas que ele também seria o parceiro criativo ideal para a Jessie?
GYLLENHAAL: Bem, vou fazer o caminho inverso. Ele e Jessie tiveram uma conexão tão real, profunda e especial. Eu acredito que existem muitos atores muito bons no mundo, mas apenas um punhado minúsculo de atores brilhantes – e esses dois são brilhantes. Parte da habilidade de ser um ator brilhante é ser capaz de chegar para alguém com quem você vai trabalhar e entregar seu coração. Eu sonhei alto, sabe? Quando estava escalando este filme, decidi que ia apenas chamar quem eu quisesse, e a pior coisa que poderia acontecer seria ouvir um “não”. Eu posso tolerar isso. Então, apenas deixei minha mente vagar sobre quem era o meu Frankenstein.
Quanto a esse personagem, eu realmente puxei muito do livro – ele é uma pessoa muito sensível, muito vulnerável, muito carente e faminta, mas também muito inteligente. No livro, ele fica em um celeiro ouvindo as pessoas falarem, e assim aprende francês! Isso é difícil de fazer. Então, eu precisava de alguém com todas essas características, mas também bastante durão. Ele faz algumas coisas ferradas neste filme, como todos os monstros fazem. Eu precisava de alguém que pudesse conter tudo isso, que fosse capaz de conter o monstruoso dentro de si de uma forma que nos permitisse olhar para ele e dizer: "Ok, eu pessoalmente não estou por aí esmagando a cabeça das pessoas, mas há partes de mim que contêm esse tipo de raiva". Para mim, Christian era essa pessoa.
REPÓRTER: Além dos dois, você também tem um elenco de apoio absolutamente de peso aqui: Annette Bening, Penélope Cruz, Peter Sarsgaard, Jake Gyllenhaal. Existe algum papel específico que você escreveu para um ator específico? Por outro lado, qual foi o papel coadjuvante mais difícil de escalar?
GYLLENHAAL: Eu amo meus atores. Acho que, como fui direto para as pessoas dos meus sonhos, houve uma facilidade em escalá-las. Quando você pensa em Penélope Cruz, por exemplo: eu só acho que ela é uma atriz brilhante. Acredito que a Penelope Cruz pode fazer o que quiser fazer, então me pareceu interessante pedir para ela fazer coisas que nunca tinha visto ela fazer. Às vezes a personagem dela está em uma comédia maluca, e às vezes nas cenas mais reais e contemporâneas... mas houve uma facilidade real em juntar isso, para ela. O mesmo aconteceu com a Annette. Ela é brilhante, então me parece certo escalá-la como uma cientista louca, iconoclasta.
É claro, vamos falar também sobre as pessoas que eu conheço: meu marido [Peter Sarsgaard] e meu irmão [Jake Gyllenhaal]. Primeiro, eu só queria que Wiles fosse super, super gostoso – então tive que escalar o meu próprio marido [risos]. Não, Wiles é um personagem que fez algumas coisas sombrias, mas também é um herói, e eu achei que Peter seria muito bom em expressar isso. Quanto ao meu irmão… ele foi uma das últimas pessoas que escalei para esse filme. Ele interpreta um galã de matinê em A Noiva!, o protagonista dos “filmes dentro do filme”, e foi um papel que deu muito trabalho para ele. A minha hesitação em chamá-lo aconteceu porque eu queria ter certeza de que era a escolha certa para o nosso relacionamento. Passei muito tempo pensando sobre isso, e percebi que era. Eu não trabalhava com ele desde Donnie Darko, quando eu tinha uns 20 anos, mas foi um prazer enorme retomar isso.
Nos dias em que Jake estava no set, eu me pegava rindo tanto que as lágrimas escorriam pelo meu rosto. Eu amei! Isso é verdade para todos os meus atores, mas é claro que há algo especial com o meu próprio irmão.
REPÓRTER: A mancha preta sobre a boca da Noiva é a parte mais marcante do visual dela. Você pode nos contar a história por trás disso?
GYLLENHAAL: Ok, então – a mancha. Eu trabalhei com pessoas incríveis neste filme, que me ajudaram a criar este visual, começando por Jessie, é claro. Como atriz, realmente acredito que é uma colaboração… É a minha mente, as minhas ideias, misturadas com as de Jessie, misturadas com a da nossa maquiadora, Nadia Stacey. Acho que, antes de tudo, existe essa substância preta no filme, tipo um piche, que faz parte da fórmula que traz as pessoas de volta à vida. Então, enquanto estávamos imaginando e construindo todo aquele cenário, ficamos pensando: qual é o resultado desse processo? Como mancharia a pele dela? Como fazemos essas manchas serem gráficas, deslumbrantes, que nos atraíssem tanto do ponto de vista da maquiagem, de estilo, quanto de um ponto de vista de história? E acho que foi isso que fizemos.
REPÓRTER: Isso me deixa incrivelmente animado para o filme chegar aos cinemas. Depois disso, com certeza veremos muitas pessoas vestidas como a Noiva pelas ruas no Halloween.
GYLLENHAAL: Espero que sim, cara. Eu adoraria ver isso acontecer, adoraria ver as pessoas com esse visual. Para mim, tudo tem que ser movido pela história, mas também quero que tenha um visual ótimo. E eu amo o visual da Noiva, o cabelo dela, o borrão, os lábios pretos, a maquiagem, as sobrancelhas tingidas, os cílios brancos. É tão bonito… ou, pelo menos, é bonito para mim. E o filme é meu, então tudo bem!
REPÓRTER: Outro detalhe que parece importante: você poderia, por favor, revelar o significado por trás da adição de um ponto de exclamação no título do filme?
GYLLENHAAL: Acho que aconteceu de forma muito natural. Quase me senti um pouco atrevida quando o coloquei na página de título. Pensei: “será que alguém vai me dizer não?”. Mas ninguém disse, então fui obrigada a pensar no porquê havia feito aquilo. Acho que, se você é a Noiva – uma mulher que morreu sem ter conseguido se expressar de jeito nenhum, e então voltou à vida –, você tem um acúmulo de coisas que precisa dizer. Quando isso acontece, as coisas que você tem para dizer talvez saiam com um ponto de exclamação anexado, certo? Mas também acho que talvez tenha algo a ver com a maneira como ambas as minhas filhas adolescentes conversam comigo por mensagens de texto. [Risos]
REPÓRTER: Você pode nos contar um pouco sobre a decisão de filmar e lançar o seu filme em IMAX?
GYLLENHAAL: Lawrence [Sher], meu diretor de fotografia, começou a falar comigo sobre o IMAX antes de começarmos a filmar, quando estávamos pensando juntos sobre o formato do filme. Para ser completamente honesta com você, acho que só tinha visto um filme em IMAX antes disso, durante uma excursão escolar ao Museu de História Natural. Eu não era alguém que entendia sobre IMAX, ou tinha muita experiência com isso. Então, comecei a aprender sobre isso, porque estava curiosa – e, junto com Lawrence, a pensar em como poderíamos usar isso no nosso filme. Como eu disse antes, sempre quero que as coisas sejam esteticamente atraentes, mas isso também tem que vir da história… senão, quem se importa?
Para mim, portanto, a pergunta era: bem, por quê? Por que eu usaria um formato diferente? E eu sei que alguns cineastas incríveis já abraçaram isso. Eu sou grande fã de Denis Villeneuve, e sei que em Duna ele usou o IMAX para todas as cenas ambientadas em espaços externos. Essa é uma fórmula, um jeito de fazer, mas eu também quis pensar em um motivo emocional para mudar o formato. Então comecei com a ideia filmar em IMAX quando entrássemos na mente de alguém. O meu filme tem muita magia, como você pode imaginar, porque estamos trazendo pessoas de volta à vida. Então, quando entramos na vida de sonho de alguém, o formato mudaria, e é interessante porque – por conta das lentes utilizadas na filmagem do IMAX – sempre tínhamos que escolher de antemão quais cenas iriam para o novo formato.
Depois de tomar essa decisão, eu fui até a sede do IMAX e perguntei se podia ver exemplos de filmes onde, ao invés de apenas saltar de um formato para o outro, tentando até mesmo esconder a mudança, havia uma animação que mostrasse a transição. As faixas ao redor do filme crescendo e diminuindo. Existem exemplos disso, é claro, mas não exatamente da forma como eu queria fazer – o que é muito legal, é claro, como iniciante, ser capaz de fazer algo que nunca foi feito antes.
REPÓRTER: Bom, A Noiva! parece ter temas fortes de identidade, humanidade e amor. Como você explora esses temas no filme, e o que espera que o público leve da experiência de assisti-lo?
GYLLENHAAL: Digo, o filme é uma história de amor. Acho que é uma história de amor profunda, sobre uma conexão muito imperfeita – e acho que, se formos honestos, essa é toda história de amor. Talvez essa seja o tal tema sobre o qual eu queria dizer a verdade. Será que vai ressoar? Será que vai atingir uma veia? O amor é uma coisa muito complicada, com êxtase e prazer, mas também escuridão e coisas que estão quebradas.
REPÓRTER: Por fim, já que este é um filme punk, existe alguma música punk que você acha que melhor se adapta aos temas de A Noiva!?
GYLLENHAAL: Sim! Digo, novamente, como eu disse, punk é muita coisa. Acho que você pode ter uma música punk de 1936, mas também de agora. O que me vem à mente, no entanto, é provavelmente considerada uma música punk clássica: o cover de Siouxsie and the Banshees para “The Passenger”, música de Iggy Pop. Tanto pelo clima, quanto pelo fato de eu achar que a letra se encaixa perfeitamente no filme. E também, não sei, a Noiva de Frankenstein é muitas vezes representada como uma passageira, quando isso não é absolutamente o que ela é. Ela está conduzindo a história.
*A Noiva! estreia em 5 de março nos cinemas brasileiros.
Fonte: Omelete // Caio Coletti