Veja o trailer do filme Zorba, o Grego
Sobre o que é Zorba, o Grego
Um escritor inglês reservado (Alan Bates) herda uma mina em Creta e embarca numa viagem que muda a forma como enxerga a vida.
No porto, cruza com Alexis Zorba (Anthony Quinn), um camponês grego com apetite por trabalho, mulheres, dança e briga.
O longa acompanha a amizade improvável entre os dois enquanto tentam erguer a mina, entre painéis dramáticos que envolvem uma viúva cobiçada, uma velha prostituta francesa e a lógica severa de uma aldeia insular.
É um filme sobre aprender a viver: menos pela inteligência, mais pela coragem de errar.
Estreia e legado
Lançado em 1964, Zorba, o Grego é até hoje a referência máxima do cinema grego em Hollywood.
Conquistou três Oscars: Atriz Coadjuvante (Lila Kedrova), Direção de Arte e Fotografia, além de mais cinco indicações, incluindo Diretor e Ator (Quinn).
A direção de Michael Cacoyannis é sóbria e firme, em sintonia com a fotografia em P&B de Walter Lassally.
Em 2023, ganhou restauração 4K que voltou a circular em festivais, confirmando o filme como peça de museu, não de gaveta.
Hoje é cultuado como meditação sobre morte, trabalho e liberdade, e pavimentou o caminho para Z (1969) e Jesus de Nazaré (1977), outros marcos do cinema mediterrâneo no circuito de prestígio.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a dupla entre Anthony Quinn e Alan Bates é o motor do filme. Quinn dança, bebe e ri com tamanho vigor que ofusca o resto do elenco.
A trilha de Mikis Theodorakis, em especial o Sirtaki, virou patrimônio pop e basta três notas para o público reconhecer.
Ponto fraco: o ritmo é deliberadamente lento. A subtrama da viúva também envelheceu mal: ela é filmada como prêmio de caça, sem nunca ganhar voz própria.
Se você curte cinema de personagem, é leitura obrigatória. Se prefere trama ágil, talvez canse antes da metade.
Curiosidades
- O tema Sirtaki (ou Zorba's Dance) foi composto por Mikis Theodorakis às pressas, em poucas horas, e virou um dos temas mais tocados da história do cinema.
- Irène Papas nunca apareceu ao lado de Quinn no set: todas as cenas entre os dois foram gravadas com dublês ou montadas separadamente, por conflitos de agenda.
- A cena final na praia foi filmada em uma única tomada, com a câmera seguindo os dois homens sem cortes, improvisação de Quinn que Cacoyannis decidiu manter.
Perguntas frequentes
Zorba, o Grego é baseado em livro? Sim. O roteiro é adaptado do romance Alexis Zorbas, de Nikos Kazantzakis, publicado em 1946 e ambientado também em Creta.
Quantos Oscars o filme ganhou? Três: Atriz Coadjuvante (Lila Kedrova), Direção de Arte em Preto e Branco e Fotografia em Preto e Branco. Foi indicado ainda a Melhor Filme, Diretor, Ator e Roteiro Adaptado.
Tem cena pós-créditos? Não. O filme termina na praia, com a câmera se afastando lentamente enquanto sobe a música. Basta esperar os créditos rolarem para sair da sala.
Pra quem é este filme:
- Fãs de drama de personagem e adaptações literárias europeias (pré-Fellini tardio, pós-Bergman).
- Quem gosta de road movies filosóficas pelo Mediterrâneo, no espírito de Lawrence da Arábia (1961).
- Amigos de cinema clássico restaurado, especialmente aventuras com pé na antropologia.