Veja o trailer do filme Xeque-Mate
Um equívoco no lugar errado, na hora errada
Slevin Kelevra (Josh Hartnett) está com a vida desmoronando: perdeu o documento, foi traído e acabou de perder o apartamento. Ele se muda para o lugar de um amigo em Nova York — sem saber que está entrando no olho de um furacão.
Do outro lado da cidade, dois chefes do crime travam uma guerra particular. O Rabino (Ben Kingsley) e o Chefe (Morgan Freeman) movem peças para acertar contas antigas, e um assassino de aluguel chamado Goodkat (Bruce Willis) é o fio condutor da vingança.
Quando Slevin é confundido com o homem que eles procuram, o espectador entra num suspense de identidade trocada com camadas de humor negro, reviravoltas e uma narrativa que se recusa a entregar o ouro cedo demais.
Estreia e legado
Lucky Number Slevin chegou aos cinemas em 2006 e teve passagem discreta nas bilheterias, arrecadando pouco mais de US$ 56 milhões worldwide contra um orçamento modesto de US$ 27 milhões.
Com o tempo, virou clube cult: o tipo de filme que aparece em qualquer lista de suspense subestimado dos anos 2000. O público foi encontrando a referência de trama graças ao boca a boca e à força do roteiro de Jason Smilovic.
Não levou Oscar, mas entrou no circuito de festivais e foi distribuído em mais de 30 países. Hoje, é lembrado como uma joia escondida do policial estilizado, ao lado de obras como Cidade dos Sonhos e As Virgens Suicidas.
Vale o ingresso?
Ponto alto: O roteiro de Smilovic é o tipo de quebra-cabeça que recompensa quem presta atenção. Os flashbacks narrativos conduzidos por Bruce Willis e Stanley Tucci elevam a trama, e as interações entre Freeman, Kingsley e Willis têm timing cômico afiadíssimo.
Ponto fraco: O segundo ato cobra paciência. Slevin demora para reagir, e a montagem confusa de Paul McGuigan aposta pesado no estilo — quem prefere tramas lineares pode se frustrar antes da recompensa final.
No saldo, é um filme que envelhece bem justamente por não seguir a cartilha do suspense convencional. Recomendo para sessões noturnas, com atenção total à tela.
Bastidores e curiosidades
- O roteiro ficou anos na gaveta antes de Jason Smilovic conseguir produção — vários estúdiosos recusaram por achar a história “confusa demais”.
- Stanley Tucci interpreta o detetive Brikowski e aparece bem menos do que o cartaz sugere — muitas cenas dele foram cortadas na edição final.
- As cenas de flashback com Bruce Willis e Lucy Liu rodaram no mesmo fim de semana em locações do Brooklyn, com figurino anos 1970 reproduzido de catálogos vintage.
Perguntas frequentes
Xeque-Mate é confuso?
Pode parecer nas primeiras 20 minutos, por causa da ordem não linear dos eventos. Mas tudo se encaixa no terceiro ato, e o filme recompensa quem assiste até o final.
Xeque-Mate tem cena pós-créditos?
Não. Após o desfecho, os créditos rolam normalmente, sem extras no final. Vale levantar do sofá tranquilo.
Qual a diferença entre Xeque-Mate e Lucky Number Slevin?
Nenhuma: é o mesmo filme. Xeque-Mate é o título usado no Brasil, enquanto o mercado anglófono conheceu a obra como Lucky Number Slevin.
Xeque-Mate é baseado em fatos reais?
Não. A história é ficção original de Jason Smilovic, embora se inspire na tradição de filmes de vingança entre gângsteres do cinema noir dos anos 1970.
Pra quem é este filme:
- Fãs de Tarantino e Guy Ritchie que curtem diálogos afiados e estrutura não linear.
- Caçadores de filmes cult dos anos 2000 obcecados por reviravoltas narrativas.
- Apreciadores do elenco veterano de Hollywood em papéis cínicos e calculistas.