Veja o trailer do filme Victoria
Sobre o que é Victoria
Victoria é uma espanhola recém-chegada a Berlim. Sozinha, sem dormir, ela entra em um clube e cruza o caminho de Sonne, um jovem que festeja com a própria turma de amigos. A química é imediata, e os dois saem do clube já se entendendo em outra frequência.
O que começa como paquera de madrugada vira outra coisa quando o grupo é pressionado por uma dívida com um sujeito ligado ao submundo. Sem pensar duas vezes, Victoria aceita pilotar o carro da fuga. O resto da noite se transforma em uma sequência de decisões impulsivas, atravessando a Berlim noturna em tempo real.
Quem entra esperando romance açucarado se surpreende. O longa mistura romance, drama e suspense em doses que vão se invertendo a cada cena, sem nenhum corte.
Estreia e legado
Victoria chegou ao circuito internacional em 2015, depois de circular em festivais como Toronto e Berlim, onde arrancou aplausos por um feito raro: ter sido filmado em um único plano-sequência de 134 minutos. No Brasil, foi distribuído pela Imovision e se tornou filme de culto entre cinéfilos.
A grande marca do título é justamente a execução técnica. Pouquíssimos longas na história do cinema ousaram uma tomada contínua desse porte com atores, cenas de ação e locações reais pela cidade. A direção de Sebastian Schipper virou referência em escolas de cinema e apareceu em listas dos melhores planos-sequência já feitos, ao lado de trabalhos como Birdman e Arca Russa.
Hoje, o filme é lembrado como vitrine de uma geração de talentos alemães, incluindo Laia Costa, Frederick Lau e um jovem Franz Rogowski, que viriam a despontar no cinema europeu nos anos seguintes.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a imersão é total. Como não existe corte, a câmera não solta o espectador, e a sensação é de estar dentro do carro, do clube e do assalto ao mesmo tempo que os personagens. A performance de Laia Costa é física, crua, sem rede.
Outro mérito é a Berlim mostrada: vielas vazias, portas de ferro, estacionamentos iluminados por neon, tudo vira cenário de um filme que parece ter sido rodado de madrugada, provavelmente porque foi.
Ponto fraco: o roteiro aposta forte no improviso e na química dos atores, mas isso cobra um preço na construção dos personagens secundários. Alguns amigos de Sonne passam rápido demais, e o terceiro ato força melodrama onde o filme pedia contenção.
Também não espere um romance convencional. O lado amoroso funciona como gatilho, mas a viagem é outra.
- O filme foi rodado em apenas três noites consecutivas, sem cortes de continuidade permitidos.
- Laia Costa e Frederick Lau não se conheciam antes das filmagens, o que reforçou a química crua das primeiras cenas.
- Toda a trilha sonora é diegética, ou seja, vem de rádios, fones de ouvido e caixas de clube dentro da própria cena.
Victoria é realmente filmado em plano-sequência?
Sim. O longa tem 134 minutos contínuos, sem nenhum corte visível. Foi um dos maiores planos-sequência já feitos em longas de ficção.
Victoria vale a pena para quem não gosta de filme lento?
Depende. O ritmo é hipnótico, não arrastado. Quem curte tensão crescente e atmosfera noturna costuma se envolver rápido.
Victoria tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina exatamente onde o plano-sequência acaba, sem recursos extras depois dos créditos.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de autor europeu e experimentações técnicas como plano-sequência.
- Quem curte thrillers urbanos noturnos, com Berlim, Tóquio ou Lisboa como cenário pulsante.
- Interessados em acompanhar a cena cinematográfica alemã contemporânea antes do estouro do streaming.
Título original: Victoria
País de origem: Alemanha
Data do lançamento: 31/12/2013
Distribuidora: Imovision
Diretor: Sebastian Schipper, Torun Lian
Principais atores: