Veja o trailer do filme Vício Inerente

Vício Inerente

Vício Inerente

18 Drama Comédia Duração: 2h 29min

O que é Vício Inerente e por que ele incomoda tanto?

Em 1970, Los Angeles já cheira a fim de festa. O drama de Paul Thomas Anderson adapta o romance de Thomas Pynchon e transforma a paranoia em trilha sonora visual.

Doc Sportello é um detetive particular paranoico, chapado e emocionalmente bagunçado. Quando a ex-namorada Shasta reaparece com um plano maluco envolvendo o amante bilionário dela, ele entra num labirinto de房地产, motéis, surfistas e dentistas neonazistas sem saber direito onde pisa.

O resultado é um filme que parece um sonho lúcido da contracultura. Você sai da sala tonto, meio perdido, meio fascinado. É cinema de auteur assumido: PTA não pede licença, não explica tudo e não liga para o espectador preguiçoso.

Estréia, legado e onde o filme se encaixa hoje

Vício Inerente estreou nos cinemas brasileiros em 26 de março de 2015, após passagem por festivais como o de Nova York e uma indicação à Palma de Ouro em Cannes 2014. Foi o segundo longa de PTA adaptado de Pynchon, mas o primeiro que abraça de vez o caos narrativo do autor.

Na época, dividiu público e crítica. Metacritic cravou 81, Rotten Tomatoes girou em torno de 73% — números respeitáveis, mas bem abaixo de Boogie Nights ou Magnólia. Quem não leu o livro reclamou da trama fragmentada. Quem leu saiu extasiado.

Hoje, uma década depois, o longa é cultuado como a cápsula mais fiel do crepúsculo hippie feita em Hollywood. Para os fãs de Joaquin Phoenix e do cinema não linear, virou obrigatório — espécie de espelho distorcido de Chinatown, só que chapado.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a direção de fotografia de Robert Elswit, a montagem que recorta o tempo como se cortasse um baseado, e o elenco reunido — Joaquin Phoenix finalmente tem um papel à altura do seu nonsense particular. A trilha de Jonny Greenwood amarra tudo com cordas de cinema europeu.

Ponto fraco: o roteiro exige muita paciência. Subtramas somem, personagens entram e saem sem aviso, e o terceiro ato acelera o que o segundo passou 40 minutos enrolando. Não é um filme para maratonar no celular distraído.

A classificação de 18 anos é justa: sexo explícito, drogas pesadas e uma maldade sutil que só aparece no replay.

Curiosidades de bastidor

  • Thomas Pynchon, autor do romance, fez uma ponta no filme ao lado de Eric Roberts numa cena de flashback de TV. Aparecem na tela por meio segundo e nunca mais.
  • Joaquin Phoenix chegou a declarar que se arrependeu de ter feito o papel, e quase abandonou as filmagens — depois gravou o próprio áudio como indenização.
  • Robert Downey Jr. e Reese Witherspoon foram cotados para Doc e Shasta antes de Phoenix e Waterston serem confirmados no elenco.

Perguntas frequentes sobre Vício Inerente

Vício Inerente tem cena pós-créditos?

Não. Os créditos finais sobem sem teasers, easter eggs ou cenas extras. Saia da sala quando começar a subir a primeira lista de nomes.

Vício Inerente é baseado em fatos reais?

Não. A história é ficção, adaptada do romance de Thomas Pynchon publicado em 2009. O cenário histórico do fim dos anos 60 em Los Angeles é real, mas os personagens e o caso central são inventados.

Vício Inerente é sequência de algum filme de Paul Thomas Anderson?

Não é sequência. É uma obra isolada dentro da filmografia do diretor, sem ligação narrativa com Magnólia ou com qualquer outro longa dele. Pode ser assistido sem ordem cronológica.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de Magnólia e da filmografia de Paul Thomas Anderson que topam sair da zona de conforto do diretor.
  • Leitores de Thomas Pynchon, Don DeLillo ou qualquer um que curte ficção americana pós-moderna com paranoia embutida.
  • Caçadores de comédia estranha, humor ácido anos 70 e atmosferas que parecem um disco do CAN tocado ao contrário.