Viajo porque preciso, volto porque te amo
O sertão como espelho
José Renato tem 35 anos, é geólogo e foi enviado para o interior do Nordeste com uma missão técnica: mapear o percurso de um canal que vai desviar águas de um dos poucos rios caudalosos da região.
O que começa como trabalho de campo vai se transformando em outra coisa. A medida que o carro avança pelo sertão, o vazio da paisagem começa a refletir o vazio de dentro.
O geólogo percebe que tem mais em comum com os lugares por onde passa do que imaginava. A solidão, o abandono, o silêncio. Tudo aperta. Dirigido a quatro mãos por Marcelo Gomes e Karim Ainouz, o filme é um drama de estrada sem pressa, feito de olhares longos e poucos diálogos.
De 2009 a 2017: oito anos de estrada
Apesar de ser citado frequentemente como longa de 2009 por ter circulado em festivais naquele ano, o filme só chegou ao circuito comercial brasileiro em 2017, o que o reposiciona como um título do ciclo de Cinema, Aspirinas e Urubus e da filmografia madura de seus diretores.
Marcelo Gomes e Karim Ainouz dividem a direção em um experimento raro de cocriação, cada um assumindo um lado do percurso. O resultado dialoga com obras posteriores como A Luneta do Tempo e Aquarius, de Karina Ainouz, além de O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho.
Hoje é lembrado como um dos filmes-chave para entender o drama brasileiro contemporâneo sobre território e subjetividade, ao lado de Redemoinho e Joaquim.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a fotografia do sertão, a luz dura, o céu imenso. Cada quadro parece pintado para lembrar que a geografia também é personagem. A interpretação silenciosa de Irandhir Santos sustenta o filme inteiro no olhar e no corpo.
Ponto fraco: o ritmo é lento de verdade. Quem busca narrativa com ganchos vai achar que pouco acontece. O roteiro aposta em sugestão e nem sempre recompensa quem espera por uma virada explícita.
Curiosidades
- O roteiro nasceu de um projeto que Karim Ainouz e Marcelo Gomes desenvolveram por correspondência, dividindo o filme em duas metades e gravando separadamente
- Irandhir Santos ficou dias em locações reais do sertão para incorporar a exaustão do personagem, sem dublês nem truques de edição
- O filme é praticamente falado em três línguas, incluindo trechos em dialetos locais que reforçam o isolamento do protagonista
Perguntas frequentes
Viajo porque preciso, volto porque te amo é bom?
Sim, para quem curte cinema lento e contemplativo. É unanimidade entre fãs de cinema de autor brasileiro, mas divide espectadores que preferem narrativa mais movimentada.
Qual é a duração do filme?
O longa tem cerca de 1 hora e 15 minutos, uma das menores durações entre os filmes recentes de Karim Ainouz e Marcelo Gomes.
Onde posso assistir Viajo porque preciso, volto porque te amo?
O filme já circulou por streaming e mostras universitárias. Confira a grade atualizada de cinemas e plataformas na seção de programação acima.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de autor brasileiro, especialmente da geração Karim Ainouz e Marcelo Gomes
- Quem curte road movies existenciais, contemplativas, quase sem diálogo
- Interessados em cinema sobre o Nordeste pelo viés psicológico e geográfico, não pelo realismo mágico
Título original: Viajo porque preciso, volto porque te amo
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Marcelo Gomes, Karim Ainouz
Principais atores: