Veja o trailer do filme Traffic

Traffic

Traffic

Policial Drama Suspense Duração: 2h 27min

Sobre o que é Traffic

Traffic não conta uma única história: costura quatro. O ponto de partida é Michael Douglas como Robert Wakefield, juiz recém-nomeado para a chefia do combate antidrogas nos Estados Unidos.

Enquanto Robert planeja a guerra oficial ao narcotráfico, sua filha Caroline mergulha no vício em crack. A vida pública e a vida doméstica colidem sem aviso.

Em San Diego, dois agentes do DEA disfarçados tentam derrubar um grande cartel. O caminho até a presa passa por Javier Rodriguez, policial mexicano interpretado por Benicio Del Toro, que negocia a própria sobrevivência a cada cena.

No topo da cadeia está Carlos Ayala, um traficante que, ao ser preso, entrega nas mãos da esposa Helena — papel de Catherine Zeta-Jones — o controle de um império ilegal bilionário.

O mosaico mostra, sem moralismo barato, como cada elo dessa cadeia está preso ao próximo, em qualquer lado da fronteira.

Linha do tempo e legado

Traffic chegou aos cinemas norte-americanos em dezembro de 2000 e estreou no Brasil em 16 de março de 2001, com distribuição da Europa Filmes.

Na cerimônia do Oscar de 2001, o longa levou quatro estatuetas: Melhor Diretor para Steven Soderbergh, Melhor Ator Coadjuvante para Benicio Del Toro, Melhor Roteiro Adaptado (Stephen Gaghan) e Melhor Montagem. Era o mesmo ano em que Soderbergh concorria com Erin Brockovich.

Quase 25 anos depois, o filme continua citado em discussões sobre política de drogas. Séries como The Wire, Narcos e Breaking Bad claramente bebem da estrutura narrativa e do tom sóbrio inaugurado por aqui.

Para o gênero Drama com pegada Policial, virou referência obrigatória.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a paleta de cor dividida em três tons — amarelo, azul e branco frio — funciona como mapa visual das histórias. A câmera trêmula na fronteira, a cargo do próprio Soderbergh (creditado como Peter Andrews), confere ar de documentário à narrativa.

Benicio Del Toro domina cada cena em que aparece. Seu Javier, silencioso e calculista, roubou a estatueta de coadjuvante com razão.

Catherine Zeta-Jones entrega uma das interpretações mais subestimadas dos anos 2000, mostrando o poder se acumulando nas mãos de Helena com frieza desconcertante.

Ponto fraco: o ritmo pede paciência. São 147 minutos sem explosões, perseguições ou heroísmos de Hollywood. Quem busca adrenalina pode achar arrastado.

O arco do juiz, mais institucional, dilui um pouco o impacto emocional comparado com as linhas mexicana e familiar.

Curiosidades de bastidores

  • Soderbergh creditou a direção de fotografia como Peter Andrews, pseudônimo que usou repetidamente em outros projetos, incluindo o posterior Logan Lucky: Roubo em Família.
  • O roteiro foi adaptado por Stephen Gaghan a partir da minissérie britânica Traffik, de 1989, transportando o cenário para Tijuana e San Diego.
  • Benicio Del Toro chegou a gravar grande parte de suas cenas em Tijuana com pouca iluminação, o que contribuiu para o ar documental do filme.

Perguntas frequentes

Traffic é baseado em fatos reais?

Não diretamente. O longa adapta a minissérie britânica Traffik (1989) e se inspira no tráfico entre México e EUA, mas os personagens e situações são ficcionais.

Quantos Oscars Traffic ganhou?

Quatro estatuetas no Oscar 2001: Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Benicio Del Toro), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Montagem.

Traffic tem cena pós-créditos?

Não. O filme encerra nos letreiros finais, sem sequência extra depois dos créditos.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de dramas políticos e sociais estilo O Voo e Sicario, interessados nas engrenagens do poder e nas falhas do sistema.
  • Quem acompanha narrativas com múltiplos pontos de vista, como Capitão América: Guerra Civil ou Star Wars: Os Últimos Jedi, e gosta de montar o quebra-cabeça de cada fio narrativo.
  • Leitores de jornalismo investigativo, ouvintes de podcasts sobre geopolítica das drogas e espectadores que valorizam construção de personagem em vez de plot twists.