Veja o trailer do filme Tabu
Tabu
O que é Tabu
Tabu parte de um prédio velho em Lisboa, onde três mulheres dividem solidões e pequenas tarefas. Aurora, a senhora excêntrica, está a sentir a vida escapar e faz um pedido estranho: quer rever Gianluca Ventura, um homem que ninguém sabia que existia.
A busca por Gianluca puxa um fio do passado e leva a narrativa até uma fazenda no sopé do monte Tabu, em Moçambique, anos antes da Guerra Colonial. O filme de Miguel Gomes é, ao mesmo tempo, um drama de despedida e uma carta de amor ao cinema mudo.
A segunda metade, em preto e branco, é praticamente um filme dentro do filme. Aí, Teresa Madruga entrega uma Aurora jovem, e o tempo colonial aparece sem nostalgia nem sermão.
Estreia e legado
Tabu estreou na secção Panorama da Berlinale em fevereiro de 2012, onde o júri internacional atribuiu o prémio Alfred Bauer. O filme abriu caminho para a consagração internacional de Miguel Gomes e antecipou a trilogia de As Mil e Uma Noites.
Entre outras distinções, recebeu o prémio de melhor filme no festival de Lisboa e estreou comercialmente no Brasil em circuito alternativo, onde continua a ser exibido em retrospectivas sobre cinema português. A própria construção em duas metades, “Paraíso Perdido” e “Paraíso”, tornou-se referência em debates sobre pós-colonialismo e nostalgia visual.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a segunda metade muda de cor, de tom e de ritmo, como se o filme respirasse pela primeira vez. A fotografia a preto e branco, o formato quase mudo e a música de Vitorino Salomé e Melody Gardot criam uma melancolia de cortar o peito.
Ponto fraco: a primeira metade, em Lisboa, pede paciência. O humor é seco, os silêncios pesam, e a relação entre Aurora, Santa e Pilar demora a render.
Curiosidades
- A estrutura foi inspirada em “Tabu: A Story of the South Seas”, filme mudo de 1931, coproduzido por Murnau e Flaherty, e citado nas duas metades do título.
- Toda a metade passada em África foi filmada em Moçambique, em 16 mm, e legendada como se fosse um filme mudo.
- A trilha sonora inclui temas originais do português Vitorino Salomé, da norte-americana Melody Gardot, e a voz da cabo-verdiana Ana Maria.
Perguntas frequentes
Tabu tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina com a última imagem de Aurora jovem, sem cenas extras depois dos créditos.
Tabu é baseado em fatos reais?
Não. É uma ficção construída a partir de memórias inventadas, embora dialogue com memórias coletivas do colonialismo português em Moçambique.
Vale a pena assistir a Tabu?
Vale, sobretudo pela segunda metade. É cinema de autor que pede entrega, mas recompensa quem se deixa levar pelo seu ritmo próprio.
Pra quem é este filme:
- Interessados em drama europeu de câmara, que não fogem de elipses e silêncios longos.
- Quem aprecia olhar português sobre o passado colonial, sem patriotada nem sermão.
- Cinéfilos que se divertem com filmes que brincam com a linguagem, como o mudo convive com o sonoro em Nosferatu ou O Império dos Sentidos.
Título original: Tabu: A Story of the South Seas
País de origem: Estados Unidos
Data do lançamento: 31/12/1930
Distribuidora: Espaço Filmes
Diretor: Miguel Gomes, Nagisa Oshima, F. W. Murnau
Principais atores: