Veja o trailer do filme Ta ang
Ta ang
Sobre o que é Ta'ang
Desde o início de 2015, a etnia Ta'ang, uma minoria do norte da Birmânia, passou a ser empurrada por um conflito civil na fronteira com a China. O documentário acompanha famílias inteiras, mulheres, crianças e idosos que cruzaram a fronteira em busca de segurança.
O Wang Bing se instala junto do grupo e registra a rotina de quem passou a viver em barracas improvisadas nas montanhas. Sem narração, sem trilha emocional forçada e sem entrevistas conduzidas, a câmera simplesmente observa.
O resultado é um documentário de observação puro: fogueiras, conversas à noite, longas caminhadas e a construção lenta de uma rotina em território hostil. É cinema direto, sem moldura, dedicado a um povo pouco coberto pela mídia ocidental.
Quando estreou e por que ainda importa
Ta'ang passou primeiro pelo Festival de Berlim de 2016, na seção Forum, e ainda no mesmo ano foi exibido no Festival de Locarno. A chegada ao Brasil aconteceu em 16 de março de 2017, com distribuição da Festival Filmes, em circuito bastante limitado.
Mais de uma década depois, o filme segue atual. O conflito que originou o deslocamento continua afetando a região, e a obra virou um registro histórico fundamental para entender a crise humanitária no estado de Shan, na Birmânia.
Para quem se interessa por cinema de festival e por um olhar paciente sobre refugiados, o título costuma ser citado ao lado de outras obras do próprio Wang Bing, como Senhora Fang, Mrs. Fang e Pai e Filhos.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a proximidade humana do registro. Wang Bing filma sem invadir, mas também sem recuar, e a câmera conquista uma intimidade rara com pessoas em situação extrema.
As conversas noturnas, em especial, carregam uma força literária improvável para um documentário sobre deslocamento forçado.
Ponto fraco: a duração de 147 minutos e a estrutura repetitiva testam quem não está acostumado com cinema de observação. Não espere narração explicativa ou contextualização histórica.
Curiosidades
- O título do filme é o mesmo do povo Ta'ang (também chamado de Palaung), minorias étnicas que vivem principalmente no norte da Mianmar.
- A produção foi realizada em conjunto entre Hong Kong e França, apesar de o longa ser rodado em zona de fronteira remota entre China e Mianmar.
- O filme estreou na Berlinale Forum 2016, a mesma seção que consagrou Wang Bing anos antes com obras como San Zi Mei.
Perguntas frequentes
Ta'ang é ficção ou documentário? Documentário. Não há encenação, atores profissionais nem reconstituições. Tudo foi registrado em situação real com refugiados.
Qual é a duração de Ta'ang? 147 minutos, em tela única, sem divisão em episódios, com longas tomadas de paisagem e de conversa.
Ta'ang tem cena pós-créditos? Não. O longa termina de forma seca, em sintonia com o estilo de Wang Bing, e não há cena extra após os créditos.
Pra quem é este filme:
- Fãs de documentário humanitário e de cinema observacional, como o trabalho de Jia Zhangke e do próprio Wang Bing em Até que a Loucura nos Separe.
- Leitores de reportagens longas sobre conflitos asiáticos, em veículos como The New Yorker, Le Monde Diplomatique e Repórter Brasil.
- Quem acompanha programação dos principais festivais europeus e curte discutir ética do olhar em documentários, especialmente depois de obras como San Zi Mei e Sozinha.
Título original: Ta ang
País de origem: Hong Kong / França
Data do lançamento: 16/03/2017
Distribuidora: Festival
Diretor: Wang Bing