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Sonhos

Sonhos

16 Fantasia Drama Ficção Duração: 1h 35min

O que esperar do filme

Sonhos reúne oito contos oníricos escritos e dirigidos por Akira Kurosawa, com a colaboração de Ishirô Honda. A estrutura é fragmentada, típica do fantasia autoral, onde cada episódio funciona como um sonho independente com simbologia própria.

Em "A Raposa" e "O Jardim dos Pessegueiros", a infância dialoga com o folclore japonês e a natureza. Já "A Nevasca" e "O Túnel" colocam soldados diante da morte e do arrependimento. Em "Corvos", um pintor entra nos quadros de Van Gogh num dos episódios mais celebrados.

"Monte Fuji em Vermelho" e "O Demônio Chorão" trazem críticas diretas à poluição e ao desastre nuclear. "Povoado dos Moinhos" encerra o filme com uma utopia rural nostálgica que contrasta com a modernidade.

É um trabalho coletivo, dividido entre vários diretores em alguns segmentos, com Kurosawa assumindo a maior parte. O resultado oscila entre o visualmente hipnótico e o simbolicamente denso, característico de suas obras tardias como Viver e Os Sete Samurais.

Estreia e legado

Sonhos foi exibido em 1990 e apresentado no Festival de Cannes como uma obra autoral do já consagrado Kurosawa. A produção é considerada um testamento artístico, exibida fora de competição, recebendo atenção internacional apesar do tom fragmentado.

O filme não concorreu ao Oscar nem a outras premiações principais de Hollywood, mas é lembrado como uma das peças mais pessoais de Kurosawa. A colaboração com Honda, conhecido por Godzilla, adiciona um olhar diferente em alguns segmentos.

No Brasil, a Imagem Filmes anuncia a chegada aos cinemas em 29 de outubro de 2025, com sessões pontuais voltadas ao público de cineclubismo e releituras. É o tipo de obra que costuma lotar sessões únicas em mostras e festivais.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a sequência "Corvos", em que o protagonista entra nas pinturas de Van Gogh, é visualmente deslumbrante e funciona como um curta-metragem independente. A direção de arte e a fotografia de Takao Saito transformam cada segmento numa pintura em movimento.

Ponto alto (2): "Monte Fuji em Vermelho" entrega crítica ambiental e antinuclear potente, lembrando a sensibilidade de Kurosawa em obras como Viver e A Fortaleza Escondida.

Ponto fraco: a estrutura fragmentada exige paciência. Nem todo segmento funciona; "O Túnel" e "A Nevasca" alongam o que poderia ser dito em menos tempo. A unidade emocional é sacrificada pela variedade de temas.

Ponto fraco (2): alguns episódios, como "O Demônio Chorão", soam moralizantes, e a lição final de "Povoado dos Moinhos" cai na pieguice. É o Kurosawa menos contido, mais próximo de uma carta aberta do que de uma narrativa fechada.

Curiosidades dos bastidores

  • Cada segmento foi baseado em um sonho recorrente do próprio Kurosawa, registrado por ele durante anos em um caderno.
  • A colaboração com Ishirô Honda, diretor de Godzilla, dividiu a direção em alguns episódios e trouxe um olhar de ficção científica aos segmentos de desastre.
  • Martin Scorsese, fã declarado de Kurosawa, aceitou interpretar Van Gogh em "Corvos" após visita ao set durante as filmagens de outro projeto.

Perguntas frequentes

Sonhos é baseado em histórias reais?

Não. Os oito segmentos foram inspirados em sonhos recorrentes do próprio diretor Akira Kurosawa, registrados por ele ao longo de décadas.

Qual a classificação indicativa do filme?

A classificação é 16 anos, por conter cenas de morte, conflito bélico e temática ambiental densa, além de imagens de desastre nuclear no segmento "Monte Fuji em Vermelho".

Quando estreia nos cinemas brasileiros?

A estreia está marcada para 29 de outubro de 2025, em sessões especiais distribuídas pela Imagem Filmes, com foco no público de cineclubismo e releituras de clássicos.

Pra quem é este filme:

  • Adoradores de cinema autoral japonês: quem coleciona edições de Kurosawa, Ozu e Mizoguchi, e curte debates sobre montagem e simbolismo.
  • Fãs de antologias fantásticas: público que consome produções como Contos da Cripta e O Teatro Mágico de George Méliès, interessado em histórias curtas com moral poética.
  • Estudiosos de arte e Van Gogh: quem visita mostras imersivas, lê biografias de pintores e se interessa pela representação cinematográfica da loucura criativa.