Veja o trailer do filme Shortbus

Shortbus

Sobre o que é Shortbus

Em Nova York, um clube subterrâneo chamado Shortbus funciona como ponto de encontro para artistas, músicos e outsiders que colocam o corpo e a emoção no centro de tudo.

Por lá circulam uma terapeuta sexual que nunca teve um orgasmo, uma dominatrix que não consegue transar, um casal gay discutindo se abre o relacionamento, e várias pessoas que entram e saem das vidas deles. A câmera não foge do sexo: as cenas eróticas são reais e funcionam como extensão do diálogo, não como atrativo gratuito.

É o segundo longa de John Cameron Mitchell, que já tinha mostrado pulso autoral em Hedwig: Rock, Amor e Traição. Aqui ele assume roteiro, direção e até aparece em cena.

Estreia e legado

Shortbus estreou em 2006 no Festival de Cannes, fora da competição principal, e causou polêmica pelo sexo explícito e sem simulação. No circuito de festivais, virou rapidamente um filme de culto.

No Brasil, a versão remasterizada chegou aos cinemas em 30 de novembro de 2022, apostando no público que descobriu Mitchell via streaming e quer ver a obra restaurada na tela grande. O filme não levou Oscars, mas é citado até hoje em listas de cinema queer essencial e em estudos sobre representação de sexualidade no audiovisual.

Sua influência aparece em obras posteriores que tratam desejo e comunidade sem moralismo, como Octavio Is Dead e How to Talk to Girls at Parties.

Vale o ingresso?

Ponto alto: o roteiro de Mitchell encontra um tom raro, que mistura comédia ácida, melancolia e política queer sem virar panfleto. As performances, especialmente a da própria Sook-Yin Lee no papel da terapeuta, são entregues com uma entrega amadora proposital que soa honesta.

Ponto fraco: a estética quase caseira, com cortes abruptos e câmera insegura, parece proposital, mas pode frustrar quem busca cinema mais polido. O ritmo também é irregular: a primeira hora acumula subtramas e a segunda demora a fechar.

Vale lembrar que as cenas de sexo são reais e frequentes. Não é filme para qualquer contexto, e a dramaturgia pede atenção do espectador.

Curiosidades

  • O diretor John Cameron Mitchell e o roteirista Paul Dawson organizaram workshops de meses com os atores antes das filmagens, pedindo que eles compartilhassem histórias reais de sexo e afeto, que foram incorporadas ao roteiro.
  • As cenas de sexo são reais e sem simulação, decisão que gerou debates sobre os limites do cinema mainstream e independente na época.
  • Sook-Yin Lee é conhecida no Canadá como apresentadora de TV da CBC, e o papel de Sofia foi escrito especialmente para ela depois que Mitchell viu uma entrevista em que ela admitia nunca ter tido um orgasmo.

Perguntas frequentes

Shortbus tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina com a sequência do ônibus nas ruas de Nova York e os créditos começam em seguida, sem nenhuma cena extra.

Shortbus é um filme de sexo ou um drama?

É um drama com cenas de sexo reais. As cenas explícitas existem para mostrar vulnerabilidade e conexão entre os personagens, não para chocar.

Quem gostou de Hedwig vai curtir Shortbus?

Muito provavelmente sim. Mitchell mantém o humor ácido, a musicalidade e o olhar sobre personagens outsiders, mas leva tudo para um território mais adulto, cru e underground.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de Hedwig e do cinema de John Cameron Mitchell que querem conhecer o lado mais radical do diretor.
  • Quem acompanha romance e drama adulto, indie, e busca representações queer sem filtro moralista.
  • Curiosos por cinema de culto, arte performática e narrativas que tratam sexualidade como linguagem e não como tabu.

Título original: Shortbus

País de origem: Estados Unidos

Data do lançamento: 30/11/2022

Distribuidora: Sem Distribuidor

Diretor: John Cameron Mitchell, Paul Dawson, Lindsay Beamish, Sook-Yin Lee

Principais atores: