Roya
O que é Roya e por que ele já começa provocando
Roya é um thriller político-introspectivo que coloca uma professora iraniana diante de uma escolha sádica: gravar uma confissão forçada para a televisão ou apodrecer numa cela de três metros quadrados. A ação se passa dentro de um dos lugares mais simbólicos do Irã contemporâneo, a prisão de Evin, em Teerã.
O que move o filme não é a fuga, e sim a cabeça de Roya. Direção de Mahnaz Mohammadi, cineasta que conheceu o lado de dentro desse tipo de estrutura. O roteiro se apoia em elipses, silêncios e imagens recorrentes para construir um clima de asfixia controlada, mais próximo de ficção ensaística do que de thriller procedural.
O longa cruza passado e presente até eles perderem a ordem cronológica, e usa esse embaralhamento como termômetro do colapso mental da protagonista. Para quem já viu Filho-Mãe ou Son-Mother, a sensação de familiaridade é imediata.
De Berlim ao circuito de festival no Brasil
Roya teve sua estreia mundial na mostra Panorama do Festival de Berlim 2026, uma das seções historicamente associadas a cinema político de autor. A entrada no Panorama já funciona como chancela: é onde costumam aparecer filmes iranianos, turcos e do Leste Europeu que tratam de Estado, censura e dissidência sem didatismo.
A estreia no Brasil acontece em 31 de dezembro de 2025, em circuito limitado de festival, com exibições pontuais antes de uma possível passagem por mostras como o Festival do Rio e a Mostra de São Paulo. Não é um lançamento de massa, e a conta deve fechar em bilheteria pequena mas consistente, voltada ao público que consome LANTOURI, Pesar-Madar e títulos do circuito europeu autoral.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção segura de Mahnaz Mohammadi, que filma o confinamento sem moralizar, usando luz natural, enquadramento claustrofóbico e uma edição que transforma memória em matéria-prima narrativa. A construção da protagonista é silenciosa e raramente apelativa.
Ponto fraco: o filme pede paciência. Quem entrar esperando tensão, reviravoltas ou cenas de interrogatório vai achar o ritmo lento. A fragmentação da percepção é clara, mas pode parecer deliberada demais para espectadores menos acostumados com o estilo.
Curiosidades de bastidores
- A diretora Mahnaz Mohammadi foi presa em 2012 e proibida de sair do Irã em 2017, experiência que alimenta o olhar de Roya sobre o cotidiano de uma detida.
- A prisão de Evin, em Teerã, é real e virou referência simbólica do cinema político iraniano nas últimas duas décadas.
- A coprodução entre Alemanha, Irã, Luxemburgo e República Tcheca permitiu filmar em locações europeias sem perder a verossimilhança do espaço iraniano.
Perguntas frequentes sobre Roya
Roya tem cena pós-créditos?
Não há cena pós-créditos. O filme termina com uma imagem única, sustentada por alguns segundos, e a recomendação é ficar até a última nota da trilha para captar o desfecho simbólico.
Roya é baseado em fatos reais?
É uma obra de ficção, embora fortemente inspirada na experiência vivida pela própria diretora Mahnaz Mohammadi, presa em 2012 e alvo de restrições de viagem por causa de seu trabalho cinematográfico.
Roya é em que idioma?
O filme é falado majoritariamente em persa, com trechos em inglês, e chega ao Brasil com legendas em português nas sessões de festival.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema político iraniano contemporâneo e do circuito de Berlim, Cannes e Veneza.
- Leitores de Svetlana Alexievich, Virginia Woolf e ensaios sobre prisão, memória e dissidência.
- Quem curte dramas de aprisionamento psicológico, como os de Asghar Farhadi e Jafar Panahi.
Título original: Roya
País de origem: Alemanha, Irã, Luxemburgo, República Tcheca
Data do lançamento: 31/12/2025
Distribuidora: Festival
Diretor: Mahnaz Mohammadi
Principais atores: