Sobre o que é Lantouri
Em Teerã, uma gangue chamada Lantouri espalha medo com roubos, chantagens e extorsões. Pasha, um dos membros, cruza o caminho de Maryam, jornalista e ativista que lidera uma campanha contra a violência.
O problema: Pasha se apaixona por Maryam. Ela rejeita. A reação dele é atirar ácido no rosto dela, roubando sua visão. A partir desse ponto, o drama do diretor Reza Dormishian abandona qualquer manual de moral fácil e mergulha na lógica da qisas, a Lei de Talião islâmica.
Maryam passa a lutar dentro do sistema jurídico iraniano para que Pasha seja punido da mesma forma. O filme transforma um caso de violência de gênero em um debate acirrado sobre perdão, vingança e poder dentro de uma sociedade regida por códigos religiosos.
Quando estreou e por que ainda importa
Lantouri foi lançado em 2016, mesmo ano de outro marco iraniano, Nahid - Amor e Liberdade. A estreia aconteceu no Fajr Film Festival, principal vitrine do cinema iraniano, e depois rodou festivais internacionais.
O longa escancarou debates sobre violência de ácido contra mulheres, um problema persistente registrado no Irã e em outros países da região. Ganhou projeção ao ser selecionado para mostras competitivas na Europa.
Hoje, é citado como uma das obras mais incômodas de Dormishian, ao lado de títulos como Sem Data, Sem Assinatura. Para quem estuda cinema iraniano contemporâneo, virou referência obrigatória ao lado de Contos Iranianos e Eu Não Estou com Raiva.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o roteiro não tenta suavizar nada. A reconstrução da relação entre Pasha e Maryam é feita com camadas, e a direção de Reza Dormishian usa a câmera para sufocar o espectador junto com a personagem.
Outro mérito: Navid Mohammadzadeh entrega um Pasha magnético e assustador, fugindo do vilão caricato.
Ponto fraco: o terceiro ato perde ritmo ao tentar dar conta de debates jurídicos e religiosos ao mesmo tempo. Algumas subtramas de gangue ficam em segundo plano e poderiam ter sido cortadas.
Atenção: as cenas de agressão com ácido são explícitas. Não é sessão para qualquer estômago.
Curiosidades de bastidores
- O título Lantouri vem do nome da própria gangue, inspirado em casos reais de violência de ácido documentados no Irã.
- O longa foi rodado em locações reais de Teerã, com pouca iluminação artificial para reforçar o clima documental.
- Navid Mohammadzadeh já tinha trabalhado com Dormishian em Dancing in the Dust, repetendo aqui a parceria.
Perguntas frequentes
Lantouri é baseado em fatos reais?
O longa é uma ficção inspirada em casos documentados de violência de ácido contra mulheres no Irã. Personagens e história são ficcionais, mas o contexto é real.
Onde assistir Lantouri online?
Por ser um filme iraniano de festival, a disponibilidade em streaming no Brasil costuma ser limitada. Confira a grade logo abaixo para ver se entrou em alguma plataforma ou se está em sessão de arte.
O filme tem cenas muito pesadas?
Sim. A agressão com ácido é mostrada de forma explícita, e o longa discute punição corporal sem rodeios. Público sensível deve evitar.
Pra quem é este filme:
- Fãs de drama social pesado, interessados em discutir justiça, vingança e legislação religiosa.
- Quem consome o novo cinema iraniano e quer conhecer a filmografia de Reza Dormishian, autor de obras como Dancing in the Dust.
- Leitores de crítica de gênero e direitos humanos que curtem ficção engajada com realidade crua.