Romeu e Julieta - Franco Zeffirelli
A tragédia shakespeariana mais fiel ao texto original
O diretor Franco Zeffirelli assina esta adaptação de 1968 que, até hoje, divide críticos: uns a consideram a versão mais romântica e cinematográfica de Romeu e Julieta já feita, outros apontam para um ritmo que pede paciência do espectador moderno.
O ponto de partida é simples: dois adolescentes de famílias rivais em Verona se conhecem, se apaixonam e vivem um romance impossível que termina em morte. O que muda em relação a outras adaptações é o elenco jovem de verdade — Leonard Whiting tinha 17 anos e Olivia Hussey, 15 —, e a decisão de Zeffirelli de filmar em locações reais da Toscana, em vez de estúdio.
Para quem curte drama histórico e adaptações literárias sérias, o longa funciona como uma porta de entrada para Shakespeare no audiovisual sem o experimentalismo de Baz Luhrmann.
Linha do tempo e legado
Estreou em 1968 e arrebatou dois Oscars no ano seguinte: Melhor Fotografia (Pasqualino De Santis) e Melhor Figurino (Danilo Donati). A trilha sonora de Nino Rota entrou para a história do cinema, e a narração de Laurence Olivier ajuda o espectador a navegar pelo texto shakespeariano.
No Brasil, o filme ganhou uma reexibuição em 16/03/2017, aproveitando o embalo da nova adaptação de 2017. Essa relançamento em cartaz o mantém acessível a novas gerações, especialmente em sessões escolares e mostras de cinema clássico.
Hoje é referência obrigatória em qualquer lista das melhores adaptações de Shakespeare para o cinema, lado a lado com títulos como Hamlet (1948), de Laurence Olivier.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a química entre Whiting e Hussey é o coração do filme. São dois adolescentes de verdade, sem a artificialidade de adultos tentando parecer jovens, o que torna a paixão e a impulsividade dos personagens críveis de um jeito raro no cinema. A fotografia e o figurino também são dignos do Oscar.
Ponto fraco: o ritmo é cadenciado para o público dos anos 1960, e a linguagem shakespeariana pode soar distante para quem não está acostumado. Esperar um filme ágil como a versão de Baz Luhrmann frustra — aqui a aposta é na contemplação e na tragédia clássica, não na urgência.
Curiosidades
- A narração foi feita por Laurence Olivier, o que conecta diretamente este Romeu e Julieta a outro marco shakespeariano do cinema, o Hamlet (1948) do próprio Olivier.
- Zeffirelli reutilizou locações e o mesmo tipo de reconstituição renascentista italiana anos depois em Jesus de Nazaré (1977) e em Irmão Sol, Irmã Lua, consolidando uma assinatura visual de época.
- Olivia Hussey e Leonard Whiting só se falaram uma vez nos últimos 50 anos, segundo entrevistas da própria Hussey — o que reforça o tom fugaz do romance que interpretaram.
Perguntas frequentes
Romeu e Julieta (1968) de Zeffirelli ganhou Oscar?
Sim. O filme venceu duas estatuetas no Oscar de 1969: Melhor Fotografia, para Pasqualino De Santis, e Melhor Figurino, para Danilo Donati.
Quantos anos tinham os atores principais do Romeu e Julieta de 1968?
Leonard Whiting tinha 17 anos e Olivia Hussey tinha 15 anos. Foi justamente a escolha de Zeffirelli por adolescentes reais que diferencia esta versão das demais.
Romeu e Julieta de Zeffirelli tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina com o desfecho trágico da peça e não tem nenhuma cena adicional após os créditos finais.
Pra quem é este filme:
- Fãs de adaptações literárias sérias e cinema clássico europeu que querem ver Shakespeare sem experimentação visual moderna.
- Professores e alunos de literatura procurando uma referência audiovisual para discutir a obra original em sala de aula.
- Amantes de dramas românticos históricos que valorizam figurino, fotografia de época e trilha sonora orquestral marcante.
Título original: Romeo and Juliet
País de origem: Reino Unido
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Franco Zeffirelli