Veja o trailer do filme QUARTA-FEIRA
Premissa
Akram tinha 19 anos quando o dia que deveria ser o mais feliz da sua vida virou o pior. Durante a cerimônia de noivado, o pai dela foi morto em uma briga com um convidado da festa — parente do próprio noivo.
Dois anos se passaram desde aquela noite. Agora, a jovem e a família retornam ao tribunal para acompanhar a execução da sentença de morte do responsável. O que começa como um procedimento jurídico vai virar uma discussão sobre perdão, honra e até onde a justiça pode consertar o que já se perdeu.
O filme é uma coprodução entre Brasil e Alemanha, com direção assinada por Soroush Mohamadzadeh, Soroush Mohamad'Zadeh, João Pedro Prado e Bárbara Santos, e marca o encontro entre duas cinematografias raramente vistas juntas em sala.
Estreia e legado
Quarta-feira chegou aos cinemas brasileiros em outubro de 2023, com distribuição limitada e foco em mostras e salas alternativas. Por ter uma temática ligada ao sistema legal iraniano — onde a pena de morte e o perdão familiar têm papel central —, o filme dialoga diretamente com obras anteriores do cinema iraniano, como A Separação e Yalda: Uma noite de perdão, que também tensionaram as relações entre justiça, ética e família.
A coprodução Brasil-Alemanha amplia o alcance da obra e insere o longa em um circuito de festivais dedicado a discutir temas universais sob óticas culturais específicas. É o tipo de filme que circula mais em mostras e debates do que em blockbusters de fim de semana.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a tensão crescente dentro do tribunal é o coração do filme. A direção conduz o espectador pelo mesmo labirinto emocional de Akram, sem dar respostas fáceis. A performance do elenco iraniano carrega peso real, e a escolha de manter a câmera próxima dos rostos transforma cada silêncio em decisão.
Ponto fraco: o ritmo é deliberadamente lento. Quem busca entretenimento leve ou reviravoltas rápidas pode achar a narrativa estática nos primeiros 30 minutos. A construção é contemplativa — e exige paciência do espectador.
No fim das contas, Quarta-feira funciona melhor como peça de reflexão do que como passatempo de sábado à noite.
Curiosidades
- O longa nasceu de uma parceria entre Brasil e Alemanha, combinando técnicos, elenco e equipe das duas cinematografias — uma configuração rara no circuito comercial.
- Shahab Hosseini, protagonista do filme, já trabalhou com Asghar Farhadi em O Apartamento e A Separação, dois marcos do drama iraniano.
- O título original em inglês é "Ash Wednesday", referência à Quarta-feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma — período de reflexão, penitência e perdão no calendário cristão.
Perguntas frequentes
Qual é a duração de Quarta-feira?
O filme tem 87 minutos, o que o coloca na faixa de média-metragem expandida. É uma narrativa enxuta, sem enrolação narrativa, mas com ritmo contemplativo.
Qual é a classificação indicativa?
Quarta-feira é classificado para 12 anos. Não há cenas explícitas de violência, mas o tema da pena de morte e o peso emocional da trama pedem um pouco mais de maturidade do espectador.
É uma história baseada em fatos reais?
A narrativa é ficcional, mas se apoia em questões reais do sistema legal iraniano, onde a família da vítima tem o poder de decidir se o condenado será ou não executado — prática chamada de "qisas" (vingança em árabe).
Pra quem é este filme:
- Fãs de drama de tribunal que curtem obras como O Apartamento e Procurando Elly, do cinema iraniano contemporâneo.
- Quem acompanha o trabalho do vencedor de Cannes Shahab Hosseini e quer vê-lo em mais um papel de alto risco emocional.
- Espectadores interessados em debates sobre sistemas de justiça, pena de morte e o peso do perdão em diferentes culturas — temas que A Separação também já explorou em outro contexto.
Título original: Ash Wednesday
País de origem: Alemanha, Brasil
Data do lançamento: 01/10/2023
Diretor: Soroush Mohamadzadeh, Soroush Mohamad'Zadeh, João Pedro Prado, Bárbara Santos
Principais atores: