Veja o trailer do filme A Separação
A Separação
O conflito de uma família iraniana em crise
Em Teerã, Simin quer emigrar com o marido Nader e a filha Termeh, de 11 anos, por acreditar que a filha não pode crescer no Irã atual. A família já tem visto e passagem comprada.
O problema é o sogro de Simin, um idoso com Alzheimer avançado que Nader cuida diariamente. Para ele, abandonar o pai é moralmente impossível. O divórcio, no Irã, exige concordância das duas partes — e Nader recusa.
Com a saída do país bloqueada, Simin volta para a casa dos pais. Nader contrata Razieh, uma mulher grávida e desesperada por dinheiro, para cuidar do pai durante o expediente. A partir daí, o que era um impasse conjugal vira um tribunal, com a criança no centro de tudo.
Um divisor de águas no cinema iraniano
Lançado originalmente no Irã em 2011, A Separação estreou no circuito internacional no Festival de Berlim, onde venceu o Urso de Ouro de melhor filme em fevereiro de 2011.
No Brasil, chegou aos cinemas em 20 de janeiro de 2012, poucos meses antes da cerimônia do Oscar. Em fevereiro daquele ano, tornou-se o primeiro filme iraniano a vencer o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro — um feito simbólico em plena tensão entre EUA e Irã.
Também faturou o Globo de Ouro na mesma categoria, o prêmio do Sindicato dos Produtores dos EUA (PGA) e o César de melhor roteiro. Aclamado por público e crítica, é hoje lembrado como o trabalho que projetou o diretor Asghar Farhadi para o circuito mundial.
Continua sendo citado como referência obrigatória em listas de melhores dramas do século XXI.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o roteiro de Farhadi é uma máquina de dilemas. Cada cena abre uma nova camada moral, sem vilões nem mocinhos — só gente comum presa em circunstâncias enormes. As atuações de Leila Hatami, Peyman Moaadi e Shahab Hosseini parecem improvisadas, tamanho o nível de verdade.
Ponto fraco: o ritmo é deliberadamente lento. Quem busca ação ou reviravoltas de suspense pode achar o primeiro terço arrastado. A construção é de tribunal psicológico, não de thriller.
Recomendo para quem aprecia O Passado e Todos Lo Saben, outros trabalhos de Farhadi disponíveis no portal.
Curiosidades de bastidor
- O filme foi rodado em ordem cronológica, com os atores recebendo os novos arcos da história por capítulos, como se fosse uma série — o que explica o tom naturalista.
- Asghar Farhadi foi impedido de viajar aos EUA para a cerimônia do Oscar em 2012 por restrições de visto; ele enviou um comunicado em vídeo.
- Sarina Farhadi, filha do diretor, foi escalada para o papel de Termeh depois de uma oficina de interpretação — o que tornou a relação em cena ainda mais verossímil.
Perguntas frequentes
A Separação tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina logo após a última cena, sem recursos extras.
A Separação é baseado em fatos reais?
Não. A história é ficção, mas foi inspirada em dilemas reais vividos por famílias iranianas de classe média, entre emigração, leis familiares e cuidado de idosos.
Onde assistir A Separação online?
Consulte a grade de programação abaixo para ver se o título está em catálogos de streaming ou em reprise em algum cinema da sua cidade.
Pra quem é este filme:
- Fãs de dramas de tribunal que preferem questões morais a golpes de efeito.
- Quem curte cinema iraniano, Kiarostami e narrativas sobre vida cotidiana em países sob pressão política.
- Apostadores de Oscar e Globo de Ouro que gostam de revisitar os vencedores com calma.
Título original: Nader And Simin, A Separation
País de origem: Irã
Data do lançamento: 20/01/2012
Distribuidora: Imovision
Diretor: Asghar Farhadi
Principais atores: