Veja o trailer do filme Pink Flamingos
O que é Pink Flamingos e por que ele existe
Pink Flamingos é um filme de 1972 que se orgulha de ser a coisa mais nojenta já vista em uma tela de cinema. Dirigido por John Waters, o longa acompanha Divine, uma drag queen gigante e obcecada por si mesma, que vive numa casa de trailers com sua mãe Edie e o filho hippie Crackers.
A premissa é simples: Divine se autointitula a "pessoa mais imunda do mundo" e precisa defender essa coroa quando um casal de suburbanos obcecados por status começa a fazer atrocidades para tomar o título. A partir daí, Waters transforma o filme numa espiral de escatologia, crimes e humor negro que não dá trégua.
Mais do que choque gratuito, o filme é uma declaração de guerra ao bom gosto, à moral americana e ao cinema convencional. É ficção que funciona como manifesto de uma cena outsider que não pedia permissão a ninguém.
Estreia, legado e impacto cultural
Pink Flamingos estreou em 1972, rodado com orçamento ínfimo em Baltimore e distribuído de forma independente nos cinemas de arte e sessões de meia-noite. Foi nesse circuito de madrugada que o filme encontrou seu público: jovens, artistas, punks e qualquer pessoa cansada do cinema chapa-branca da época.
Com o tempo, o longa se transformou em peça de museu. Está no acervo do Criterion Collection e foi listado pela National Film Registry dos Estados Unidos como obra culturalmente significativa. Para muita gente, é a certidão de nascimento do cinema trash moderno.
O legado fala por si: cineastas como John Cameron Mitchell, Todd Haynes e até Harmony Korine cite cam Waters como influência direta. O documentário Divine Trash cobre a história por trás das câmeras.
Vale o ingresso?
O ponto alto é Divine. A performance dela é magnética, debochada e icônica. Mesmo cercada de absurdos, a estrela brilha como nunca mais brilhou. A direção de Waters tem ritmo e safadeza: ele entende que ofensa sem timing é só barulho.
O ponto fraco é o ritmo irregular. O meio do filme patina entre esquetes que nem sempre conectam. A produção é amadora de propósito, mas em alguns momentos a precariedade pesa mais que o conceito.
Vale lembrar: a classificação 18 anos não é enfeite. O filme contém cenas de sexo, violência e uso de drogas que continuam chocando mais de 50 anos depois.
Curiosidades de bastidores
- O filme foi rodado na casa e nos arredores onde Waters e seus amigos, o grupo Dreamlanders, realmente viviam em Baltimore. A mãe de Divine no filme é a mãe de Mink Stole na vida real.
- Waters filmou a cena final, uma das mais chocantes da história do cinema, em uma única tomada sem cortes, usando um animal real sob supervisão veterinária.
- Divine também assina a trilha sonora do filme: a música que toca nos créditos é a primeira gravação solo dela, gravada no mesmo período das filmagens.
Perguntas frequentes sobre Pink Flamingos
Pink Flamingos é um filme de terror?
Tecnicamente, mistura comédia, terror e ficção. Não dá para classificar num único gênero, e essa indefinição faz parte do charme.
Qual é a cena mais chocante de Pink Flamingos?
A cena final, em que Divine comete um ato extremo para provar sua condição, é a mais citada. É gráfica, real e se tornou referência obrigatória em qualquer discussão sobre limites do cinema.
Vale a pena assistir Pink Flamingos hoje?
Vale se você curte cinema de provocação, história do cinema underground e a filmografia de Waters. Para quem prefere narrativas leves, é melhor começar por Cry-Baby e voltar nesse depois.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de exploitation e midnight movies que curtem sessões no StreamingsTV e catalogam obras do gênero no Letterboxd.
- Entusiastas da cultura drag, ballroom e cena queer que conhecem a trajetória de Divine e leem sobre a cena de Baltimore.
- Cineastas e estudantes de cinema que estudam a filmografia de Waters e precisam de Hairspray como contraponto comercial.
Título original: Pink Flamingos
País de origem: Estados Unidos
Data do lançamento: 31/12/1971
Distribuidora: Sem Distribuidor
Diretor: John Waters
Principais atores: