Veja o trailer do filme Piazza Vittorio
Piazza Vittorio
O que é Piazza Vittorio
A Piazza Vittorio é a maior praça de Roma, cercada por um dos bairros mais diversos da cidade: o Esquiline. Em Piazza Vittorio, o diretor Abel Ferrara usa esse cenário como personagem principal.
O longa acompanha um dia comum na praça e nas ruas adjacentes, registrando a rotina de moradores e trabalhadores que passam por ali. Italianos, sul-asiáticos, norte-africanos e chineses dividem o mesmo espaço, e Ferrara transforma essa mistura em retrato vivo de uma Roma pouco vista nos cartões-postais.
O filme também acompanha a chegada de figuras ilustres ao bairro, entre elas o ator Willem Dafoe e o cineasta Matteo Garrone, que se instalam na região durante a produção. A presença deles vira parte do próprio cotidiano documentado.
Quando estreou e o que aconteceu depois
A obra passou pelo Festival de Veneza em 2017, dentro de mostras paralelas dedicadas ao cinema de não-ficção. A passagem pelo festival ajudou a consolidar o interesse internacional por essa fase mais ensaística de Ferrara, que nos anos seguintes assinaria títulos como Viver e Morrer em Los Angeles.
No circuito de festivais, o filme foi tratado menos como documentário clássico e mais como peça de cinema experimental, próxima da herança do neorrealismo italiano, mas com uma pegada lírica e quase musical. Chegou ao público brasileiro em circuito limitado, com sessões pontuais em mostras de cinema.
Hoje é lembrado como um capítulo curioso na filmografia de Ferrara, longe do noir americano de Coração Selvagem ou do retrato de gângster de Um Homem de Família, mas coerente com o olhar do diretor sobre personagens deslocados.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a captura do som ambiente da praça é o grande trunfo. Vozes, buzinas, trechos de conversas em vários idiomas e a trilha incidental criam uma espécie de sinfonia urbana, em que a própria Roma vira a trilha sonora do filme.
Há ainda um olhar afetuoso, sem exotismo, sobre os personagens anônimos que cruzam o enquadramento, do verdureiro ao imigrante que arrasta um colchão pela rua.
Ponto fraco: quem espera um documentário narrativo, com entrevistas, dados ou contextualização histórica vai sair frustrado. A estrutura é fragmentária, contemplativa e exige disposição para aceitar que, em muitos momentos, o filme só observa.
Os 75 minutos também podem parecer longos justamente por não oferecerem ganchos dramáticos tradicionais.
Curiosidades de bastidores
- Ferrara se mudou para o entorno da Piazza Vittorio durante as filmagens, e o filme registra esse processo de tornar-se parte do bairro.
- A obra dialoga com Ao Vivo na França, registro anterior do próprio Ferrara em tom de diário de turnê, agora transposto para Roma.
- O longa dialoga diretamente com o neorrealismo italiano, atualizado em chave contemporânea e multiétnica.
Perguntas frequentes
Piazza Vittorio é documentário ou ficção?
É um documentário poético, às vezes classificado como ensaio filmado. Mistura observação da vida real com situações encenadas e intervenções do próprio diretor.
Qual é a duração de Piazza Vittorio?
São 75 minutos, uma das obras mais curtas de Ferrara, o que ajuda a tornar a experiência mais digerível, apesar do ritmo lento.
Piazza Vittorio tem cena pós-créditos?
Não. O filme encerra sua narrativa antes dos créditos finais, sem cena extra depois.
Onde assistir Piazza Vittorio no Brasil?
Por se tratar de um título de festival com distribuição limitada, o melhor caminho é acompanhar mostras de cinema, retrospectivas de Abel Ferrara e sessões eventuais em cineclubes.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de observação no estilo de The Florida Project e de documentários líricos, quase silenciosos
- Interessados em documentário autoral, ensaístico e de herança neorrealista europeia
- Espectadores que acompanham a filmografia de Abel Ferrara e querem ver o diretor em um registro oposto ao seu cinema de ficção violento
Título original: Piazza Vittorio
País de origem: Itália
Distribuidora: Festival
Diretor: Abel Ferrara
Principais atores: