Pi
O que é Pi e por que ele virou cult
Pi é o primeiro longa de Darren Aronofsky, gravado em 16mm preto e branco nas ruas de Nova York com um orçamento tão enxuto que o diretor chegou a vender pedaço de pizza entre as cenas para financiar as filmagens.
No centro está Max Cohen (Sean Gullette), um matemático paranoico que constrói um supercomputador caseiro para encontrar padrões dentro do número pi. Quando a máquina cospe uma sequência de 216 dígitos que parece prever tudo, Max vira alvo de Wall Street e de uma seita cabalista ao mesmo tempo.
O resultado é um thriller paranoico, cerebral e corporal, que cabe no radar de quem curte suspense e ficção científica de altíssimo risco.
Linha do tempo e legado
Pi estreou no Festival de Sundance em janeiro de 1998 e ganhou o prêmio de Melhor Diretor na mostra, antes de ganhar distribuição nos EUA e chegar ao Brasil pela Lighthouse Home Entertainment.
Em 1999, Aronofsky voltou a Sundance com Fonte da Vida e em 2010 cravou seu nome em Hollywood com Cisne Negro, que recicla literalmente a temática do corpo enlouquecendo vista em Pi.
A trilha de Clint Mansell, o sampleamento de Lux Aeterna, virou hit de trailer e apareceu na abertura do filme.
Hoje Pi é citado como uma das portas de entrada do cinema independente americano dos anos 1990, junto com Clube da Luta e Following, e aparece em praticamente toda lista de cult obrigatório do thriller psicológico.
Vale o ingresso?
Ponto alto: Aronofsky usa o corpo de Max como material de montagem. Dores de cabeça, sangramentos no nariz e paranoia aparecem em closes estourados, e a câmera gira junto com o colapso mental. É um dos trabalhos de câmera mais agressivos dos anos 1990.
Ponto alto: A direção de som de Brian Emberg transforma o apartamento de Max numa panela de pressão: o clock do processador, o chiado do monitor e a respiração do protagonista viram trilha sonora, e a música repetitiva de Clint Mansell entra só quando a sanidade racha.
Ponto fraco: O segundo ato derrapa em explicações didáticas sobre gematria e cabalismo, e quem não chega com alguma familiaridade pode achar o ritmo travado e o simbolismo gratuito.
Curiosidades de bastidor
- O roteiro nasceu de uma pesquisa que Aronofsky fazia em Harvard sobre a relação entre matemática e mística judaica, e o próprio diretor assina a produção ao lado de Ari Handel e Lloyd J. Schwartz.
- As cenas do supercomputador usavam máquinas reais emprestadas por universidades, porque a produção não tinha verba para computação gráfica, o que dá ao filme o visual cru de monitor CRT piscando.
- Clint Mansell era o líder da banda Pop Will Eat Itself na vida real, e o sample usado como tema de Pi entrou depois no trailer de Rei Leão, o que pagou o filme de Aronofsky por anos a fio.
Perguntas frequentes sobre Pi
Pi é um filme de terror ou de ficção científica?
Os dois. Aronofsky mistura suspense psicológico, horror corporal e ficção científica, mas o motor da história é a paranoia de Max, então a maioria dos críticos cataloga como thriller cerebral.
Pi tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina em silêncio logo após o desfecho com o protagonista, sem teasers extras nem cenas escondidas.
Qual a classificação etária de Pi no Brasil?
O filme costuma receber 16 anos por conter violência psicológica forte, sangue e temática obsessiva, então não é recomendado para adolescentes mais novos.
Pra quem é este filme:
- Quem ama thriller psicológico cerebral e não se importa com final aberto.
- Quem devora livros de matemática, criptografia ou sistemas caóticos e quer ver esses temas traduzidos em imagem.
- Quem gosta de cinema de autor dos anos 1990, como David Lynch, Kubrick e Polanski, e curte desconforto estético.
Título original: Pi
País de origem: EUA
Data do lançamento: 31/12/1997
Distribuidora: Sem Distribuidor
Diretor: Darren Aronofsky
Principais atores: