O Sertão Das Nossas Memórias
O sertão revisitado por três sobreviventes
Um documentário brasileiro que funciona como road movie política. A câmera sai do Rio de Janeiro e corta o interior da Bahia seguindo os passos de quem viveu, em 1971, um dos capítulos mais sangrentos da ditadura militar.
Direção de Lucia Murat, cineasta acostumada a escavar feridas recentes do país, como em Quase Dois Irmãos e Que Bom Te Ver Viva. Aqui, ela documenta o massacre que matou o capitão Carlos Lamarca e o líder comunitário José Campos Barreto, o Zequinha.
Três sobreviventes conduzem a viagem. Eles apontam ruínas, contam o que viram e mostram como, meio século depois, a memória local insiste em não apagar.
Estreia e contexto
O filme chega aos cinemas em 31 de dezembro de 2025, com distribuição em circuito de festival. É o tipo de obra que depende de sala pequena, debate e janela curta antes de migrar para mostras e streaming.
Mesmo sem campanha massiva, o longa dialoga com um momento de revisão da história militar brasileira. O nome de Lamarca, durante décadas apagado dos livros escolares, voltou ao debate público com pesquisas recentes e novas biografias.
Para quem acompanha o cinema de Murat, o documentário soma-se a uma filmografia que nunca fugiu do tema, passando por Praça Paris e Em Três Atos.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a voz dos sobreviventes. O filme não terceiriza a história: quem viveu o massacre assume a narrativa, conduz a viagem e dá peso humano a um episódio frequentemente reduzido a nota de rodapé.
A geografia do sertão também é personagem. A câmera de Murat transforma estrada de terra, caatinga e vilas quase vazias em arquivo vivo do que aconteceu ali.
Ponto fraco: o ritmo é de depoimento, não de thriller. Quem procura reconstituição dramática ou edição acelerada pode achar a travessia lenta demais.
A pesquisa histórica também é enxuta. O espectador que não chega conhecendo o contexto da Guerrilha do Araguaia e da trajetória de Lamarca precisará buscar informações por fora.
Curiosidades de bastidor
- O título dialoga com a famosa música de Luiz Gonzaga, o que reforça a ligação entre sertão, memória popular e identidade nordestina.
- A diretora Lucia Murat viveu de perto o período da ditadura, experiência que atravessa praticamente toda a sua filmografia.
- O filme é estruturado como road movie real: a equipe percorreu de carro o trajeto entre o Rio de Janeiro e o sertão da Bahia, passando por onde a história aconteceu.
Perguntas frequentes
O Sertão Das Nossas Memórias é documentário ou ficção?
É um documentário. Usa sobreviventes reais, locações verdadeiras e arquivos históricos; não há atores interpretando os personagens centrais.
Quando o filme estreia nos cinemas?
A estreia está marcada para 31 de dezembro de 2025, em circuito de festival, com sessões pontuais nas grandes capitais antes da passagem por mostras e plataformas de streaming.
O documentário é indicado para quem não conhece a história de Carlos Lamarca?
Sim, mas com ressalva. O longa parte da memória local e dos depoimentos, então entrega mais ao espectador que já tem alguma base sobre a ditadura militar e quer aprofundar do que ao público completamente leigo, que pode precisar de pesquisa complementar.
Pra quem é este filme:
- Interessados em história política brasileira e nas revisões da memória da ditadura militar, que leem biografias de Carlos Lamarca e acompanha documentários investigativos.
- Fãs do cinema de Lucia Murat e de obras como A Memória que Me Contam e Olhar Estrangeiro, centradas em trauma, violência de Estado e mulheres na história.
- Espectadores de documentário no formato road movie, que curtem travessias geográficas com fundo político, como em Uma Longa Viagem.
Título original: O Sertão Das Nossas Memórias
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 31/12/2025
Distribuidora: Festival
Diretor: Lucia Murat