Veja o trailer do filme O Samurai

O Samurai

O que é O Samurai

Um assassino de aluguel executa um contrato em um clube noturno parisiense. Na saída, uma pianista o vê.

A partir dessa falha mínima, O Samurai transforma uma missão profissional em uma armadilha existencial. Jef Costello precisa montar um álibi perfeito enquanto a polícia aperta o cerco e os próprios mandantes começam a desconfiar dele.

O filme se passa em um submundo gelado, de ternos cinza, luzes de neon e silêncio. É um policial de traço seco, quase geométrico, em que cada gesto tem peso de contrato.

A abertura, com a citação atribuída ao Bushido, já adianta o tom: solidão como código de conduta. Jef é um profissional que age como samurai em tudo, menos na hora de morrer.

Quando estreou e por que ainda importa

Lançado em 1967 na França, O Samurai foi um sucesso comercial modesto na época, mas virou pedra angular do cinema de gênero nas décadas seguintes.

O longa ajudou a redefinir o arquétipo do assassino de aluguel na tela: terno impecável, método cirúrgico e nenhuma fala desnecessária. Jean-Pierre Melville construiu aqui o que viraria a bíblia visual dos filmes de gângster asiáticos e americanos dos anos 80 e 90.

John Woo, Walter Hill, Quentin Tarantino e Jim Jarmusch já declararam influência direta do filme. A cena do pombo na cela, a troca de casacos e o duelo final com o revólver são citados até hoje em manuais de roteiro e direção.

Hoje é tratado como clássico absoluto, exibido em mostras, restaurado em 4K e estudado em escolas de cinema do mundo todo.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a composição de Alain Delon. O ator entrega um Jef Costello com economia absoluta de expressão, e o rosto impassível contrasta com a câmera fria de Henri Decaë, gerando uma das parcerias estética/atuação mais elegantes do suspense europeu.

A direção de Jean-Pierre Melville é seca e precisa: cada plano parece desenhado antes de ser filmado. A mise-en-scène dos apartamentos, do clube e da pensão é cirúrgica.

Ponto fraco: o ritmo é deliberadamente lento e a quantidade de diálogo é mínima. Quem busca ação, reviravoltas ou explicação psicológica vai achar o filme frio demais.

Também não espere um drama convencional: Jef Costello não tem flashbacks, monólogo interno nem redenção. O filme é um estudo de comportamento, não de personagem.

Curiosidades de bastidores

  • Alain Delon escolheu ele mesmo o icônico terno cinza, e o figurino virou referência visual copiada em dezenas de filmes posteriores.
  • A cela com o pombo foi improvisada durante a produção e Melville gostou tanto que a manteve como cena-chave do filme.
  • O título original, Le Samouraï, foi inspirado diretamente no livro Bushido, e a epígrafe inicial é a mesma citação que abre o filme.

Perguntas frequentes

O Samurai (1967) é baseado em fatos reais?

Não. O filme é uma ficção original de Jean-Pierre Melville, inspirada no código de honra do Bushido e na mitologia do assassino profissional.

Qual a classificação etária do filme?

Por conter violência estilizada e temas adultos, o longa é recomendado para maiores de 14 anos nas exibições brasileiras.

O Samurai tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina com o duelo final de forma seca e definitiva, sem qualquer gancho ou cena adicional após os créditos.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de cinema noir clássico e neo-noir europeu, especialmente do Melville e da Nouvelle Vague tardia.
  • Leitores de Graphic Novels de espionagem e quadrinhos europeus como Diabolik e Kriminal, que compartilham a mesma mitografia do criminoso elegante.
  • Entusiastas de cinema de Tarantino, John Woo e Walter Hill que querem entender de onde veio a referência visual do assassino de terno.