Veja o trailer do filme O Reino da Beleza
O arquiteto perfeito, a vida perfeita — até ela aparecer
Luc é um arquiteto jovem, talentoso, bem-resolvido. Mora com a esposa Stéphanie numa casa linda em Charlevoix, região privilegiada do Canadá. Janta com amigos, joga tênis, golfe, caça. Tudo parece no eixo.
A vida funciona como um projeto bem-acabado — até o dia em que ele aceita integrar um júri de arquitetura em Toronto. É lá que ele cruza o caminho de Lindsay, uma mulher misteriosa, magnética, que vira aquela existência arrumadinha de cabeça para baixo.
O longa assume um drama de tom adulto sobre desejo, tédio conjugal e a busca por algo que falta — sem moralismo barato, mas sem romantizar nada.
De 2017 para cá: como o filme envelheceu
O Reino da Beleza estreou nos cinemas brasileiros em 3 de agosto de 2017, distribuído pela Tucuman. Foi a aposta adulta daquela janela de agosto, em meio a blockbusters de verão.
Na carreira de Denys Arcand, o filme aparece como continuação natural de uma filmografia obcecada com crise de meia-idade, classe média ilustrada e os prazeres vazios — bem no estilo de As Invasões Bárbaras ou de reflexões como Longe Dela.
Hoje é lembrado como um romance de câmara, indicado para quem prefere a introspecção ao espetáculo. Sem cena pós-créditos, sem gancho — o que importa está no último diálogo.
Vale o ingresso?
Ponto alto: Mélanie Thierry entrega uma Lindsay que rouba a tela. A presença dela é a razão de existir do filme — e a melhor defesa contra o tédio que ronda a vida de Luc.
As discussões sobre arquitetura, beleza e estética viram metáfora da crise emocional do protagonista, com diálogos afiados do veterano Arcand.
Ponto fraco: o ritmo é deliberadamente lento. Quem busca reviravoltas ou catarse vai achar o segundo ato parado demais. Luc também é propositalmente passivo, o que pode irritar quem prefere protagonistas mais ativos.
Curiosidades de bastidor
- É um dos raros filmes de Denys Arcand rodado fora de Montreal — boa parte das cenas externas foi gravada em Toronto e na região de Charlevoix, no Quebec.
- Mélanie Thierry é atriz francesa, conhecida no circuito europeu por trabalhos com Benoît Jacquot e Julie Gayet, e sua presença internacional ajudou o longa em festivais.
- O roteiro é do próprio Arcand, que tratou o roteiro como um espelho de As Invasões Bárbaras — mas vinte anos depois, trocando o病房 pelo escritório de arquitetura.
Perguntas frequentes
O Reino da Beleza tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina com o corte final da narrativa, sem gancho extra ou sequência adicional.
Qual é a classificação indicativa do filme?
18 anos, por causa de cenas de sexo explícito e nudez — condizente com o tom adulto do roteiro de Arcand.
O Reino da Beleza é baseado em fatos reais?
Não. É uma obra de ficção original escrita e dirigida por Denys Arcand, inspirada em suas reflexões sobre envelhecimento e desejo na classe média culta.
Pra quem é este filme:
- Fãs de Denys Arcand e do cinema autoral canadense sobre crise de meia-idade.
- Quem curte dramas adultos sobre conjugalidade e desejo tardio, no espírito de A Era da Inocência.
- Espectadores que preferem romances contidos, psicológicos, sem final feliz garantido — fãs de Amores Imaginários.
Título original: Le Règne de la Beauté
País de origem: Canadá
Data do lançamento: 03/08/2017
Distribuidora: Tucuman
Diretor: Denny Arcand, Denys Arcand
Principais atores: