O Princípio do Prazer
O que é O Princípio do Prazer
Em uma fazenda arrendada em Paraty, quatro pessoas decidem abandonar qualquer convenção social. São dois casais de irmãos: Otávio, Mário, Norma e Ana vivem em função do ócio, do corpo e do desejo.
Dirigido por Luiz Carlos Lacerda, o longa-metragem mergulha em território de tabu ao retratar relações incestuosas como rotina, e não como trauma. A sexualidade aparece despida de moralidade, tratada com a frieza de quem já esvaziou qualquer afeto.
Funcionários da fazenda são tratados como objetos. A hierarquia é explícita, a opressão é cotidiana. Mas um segredo sustenta o grupo, e a chegada de um novo empregado começa a rachar a estrutura cuidadosamente montada pelos quatro.
É um drama experimental brasileiro que não pede licença para incomodar. O espectador entra sabendo que não vai sair confortável.
Quando estreou e por que ainda é lembrado
O Princípio do Prazer chegou aos cinemas em 22 de setembro de 1979, no apagar das luzes da Embrafilme, com distribuição da própria estatal. O filme entrou em circuito muito reduzido, quase underground, e ganhou notoriedade mais por口碑 do que por campanha.
Nos anos seguintes, virou peça de curadoria em mostras de cinema marginal e retrospectivas sobre a produção brasileira dos anos de chumbo. Hoje, é citado em discussões sobre transgressão, nudez no cinema nacional e os limites da representação.
Não levou Oscar, não passou por Cannes. O legado dele é mesmo o de obra maldita: pequena, incômoda e preservada por quem estuda o cinema brasileiro fora do eixo Rio-São Paulo.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a coragem temática é real para 1979. Rostos como Odete Lara e Paulo Villaça entregam atuações contidas, quase estáticas, que combinam com a proposta de frieza emocional.
A escolha de Paraty como locação ajuda: a natureza exuberante contrasta com a podridão moral do grupo. Há um trabalho de câmera discreto que privilegia corpos em quadros longos.
Ponto fraco: o ritmo é lento demais, e não no sentido artístico. Algumas cenas parecem se arrastar sem tensão acumulada. O final também divide: quem busca catarse clássica não vai encontrar aqui.
É filme para gostar e não para torcer. Pouca gente sai indiferente, e isso já diz muita coisa.
Curiosidades de bastidor
- O título original do roteiro era diferente, e mudou poucas semanas antes da gravação, decisão do próprio Luiz Carlos Lacerda.
- As filmagens aconteceram em locações reais de Paraty, e parte da equipe técnica era composta por moradores da região.
- O filme foi um dos primeiros longas brasileiros a exibir nudez frontal sem simulação, o que gerou problemas com a censura federal da época.
Perguntas frequentes
O Princípio do Prazer é baseado em algum livro?
Não. O roteiro é original de Luiz Carlos Lacerda, embora dialogue com outras obras literárias sobre incestos e famílias fechadas em si mesmas.
O filme está disponível em streaming?
A disponibilidade muda conforme a plataforma. Conferir nos catálogos de serviços especializados em cinema brasileiro é o caminho mais seguro, já que a obra circula em edições raras.
Por que o filme é considerado polêmico?
Porque trata relações incestuosas como prática rotineira, sem condenação moral explícita. Para o contexto de 1979, isso era insólito mesmo em cinemas de arte.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de arte brasileiro dos anos 1970, interessado em Boca de Ouro e obras de Nelson Pereira dos Santos.
- Quem curte o cinema transgressor de Nildo Parente e acompanha títulos raros da Embrafilme em retrospectivas.
- Pesquisadores e estudantes de cinema marginal que já viram Como era gostoso o meu francês e buscam obras fora do cânão.
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 22/09/1979
Distribuidora: Embrafilme
Diretor: Luiz carlos Lacerda
Principais atores: