Veja o trailer do filme O Presidente
O ditador que vira mendigo
Imagine um ditador que governa uma vila imaginária do Cáucaso com punho de ferro, comendo uvas enquanto o povo passa fome. O Presidente abre exatamente aí, em meio ao luxo obsceno de um regime que custa a miséria alheia.
Quando um golpe derruba o poder, a família presidencial foge de avião. No caos da retirada, o velho presidente e o neto de cinco anos ficam para trás. Os dois partem em uma travessia a pé pelo país, fantasiados de músicos de rua, até serem empurrados para a realidade que o palácio sempre escondeu.
O longa é assinado por Mohsen Makhmalbaf, diretor iraniano conhecido por O Silêncio e A Caminho de Kandahar. A fotografia atravessa paisagens georgianas com a largueza de road movie existencial.
De Veneza para o circuito de arte
Estreou como filme de abertura da mostra Horizontes do Festival de Veneza 2014, com recepção calorosa da crítica europeia. Chegou ao circuito brasileiro em 10 de março de 2016, distribuído pela California Filmes, em circuito limitado de salas de arte.
É uma produção georgiana-francesa com cara de cinema de festival: elenco em parte amador, crianças reais contracenando com o veterano Misha Gomiashvili no papel central, e pouquíssimo diálogo explicativo.
Hoje vive como peça de catálogo do cinema político iraniano-georgiano, frequentemente citado em listas de filmes sobre regimes pós-soviéticos e em ensaios sobre Makhmalbaf. Não ganhou Oscar nem Palma, mas circula firme em mostras e no circuito de streaming de arte.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a inversão de papéis entre o poderoso e o miserável tem força rara. Quando o ditador coloca a fantasia de bobo e pede moedas, o filme acerta em cheio uma sátira política seca, quase sem palavras.
Ponto alto: a dupla entre o velho Misha Gomiashvili e o pequeno Dachi Orvelashvili funciona como motor emocional silencioso, e as paisagens do Cáucaso viram personagem.
Ponto fraco: o ritmo é contemplativo demais para quem espera um drama de guerra convencional. A primeira metade é lenta, e a alegoria pede paciência.
Ponto fraco: a trama se sustenta mais em ideia do que em arco dramático, então o desfecho pode parecer abrupto para espectadores acostumados com narrativas mais amarradas.
Bastidores em 3 atos
- O filme foi rodado em locações reais da Geórgia, aproveitando a geografia montanhosa do país para construir a sensação de fuga sem volta.
- Makhmalbaf escalou a maioria dos atores em vilarejos locais, e várias crianças do elenco são filhas de figurantes.
- A escolha de abrir a mostra Horizontes em Veneza 2014 rendeu ao filme exposição rara em circuito de arte, o que sustentou sua carreira em festivais.
Perguntas frequentes
O Presidente tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina antes dos créditos subir, em corte seco, sem teaser nem gag extra.
O Presidente é baseado em fatos reais?
Não. A história é uma alegória ficcional ambientada em uma vila imaginária do Cáucaso, inspirada em vários regimes pós-soviéticos e na própria trajetória do Irã.
O Presidente vale a pena?
Vale para quem curte cinema político lento e simbólico. Se você prefere drama de guerra tradicional ou blockbusters, pode achar arrastado.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema político iraniano e do universo de Mohsen Makhmalbaf, especialmente quem curtiu O Silêncio e A Caminho de Kandahar.
- Quem acompanha mostras internacionais, dramas sobre pós-ditadura e sátiras de regimes totalitários, com interesse em House of Others e Les Vacances.
- Leitores de ensaio político, espectadores de road movies contemplativas e admiradores de drama de arte com crianças no centro da cena.
Título original: The President
País de origem: Geórgia / França
Data do lançamento: 10/03/2016
Distribuidora: California Filmes
Diretor: Moshen Makhmalbaf, Mohsen Makhmalbaf
Principais atores: