Veja o trailer do filme O Palhaço
Sobre o que é O Palhaço
Benjamim é palhaço. Mas não daquele tipo que ri o filme inteiro — ele está cansado. Dentro do drama existencial assinado por Selton Mello, o personagem encara a dúvida que todo artista já sentiu: vale a pena continuar?
O cenário é o Circo Esperança, uma trupe pequena rodando o interior do Brasil. Benjamim divide a vida entre picadeiro, estrada e a rotina com a trupe. Ao lado do pai Valdemar, vivido por Paulo José, ele forma a dupla Pangaré & Puro Sangue.
O longa equilibra comédia circense com melancolia, mostrando o cotidiano fora dos holofotes. Não é uma ficção sobre o show — é sobre o que acontece quando as luzes se apagam.
Linha do tempo e legado
Estreou nos cinemas brasileiros em 27 de outubro de 2011. Chegou como aposta pequena da Imagem Filmes e virou fenômeno: mais de 1,4 milhão de espectadores só no circuito nacional.
A consagração veio em janeiro de 2012, quando a Academia Brasileira de Cinema o indicou para representar o Brasil no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Não foi para a cerimônia final, mas entrou para a lista de longas pré-selecionados.
É a segunda direção de Selton Mello, depois de Lavoura Arcaica (2001). O filme rendeu prêmios a Paulo José no Grande Otelo e se firmou como cult entre fãs de cinema autoral brasileiro. Hoje é lembrado como retrato afetuoso — e nada açucarado — da vida circense.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a dupla Selton Mello e Paulo José. A relação pai e filho é contida, terna e devastadora nas entrelinhas. Tonico Pereira também rouba cenas como o palhaço Tuc Tuc.
A direção de arte capricha no colorido do circo sem cair no brega. A trilha sonora — com Fellini e Pixinguinha — embala a melancolia.
Ponto fraco: o ritmo é lento. Quem espera comédia escrachada pode achar o tom parado demais. A crise de Benjamim demora para ganhar tração narrativa.
O roteiro aposta em simbologia, não em reviravoltas. Se você prefere plot twists, prepare-se para um filme que respira.
Bastidores e curiosidades
- Selton Mello escreveu o roteiro pensando em Paulo José para o papel do pai desde o início da concepção do projeto.
- O longa foi gravado em circos reais de Minas Gerais e interior de São Paulo, usando trupes em atividade como figurantes.
- Selton Mello dirige e estrela o filme — marca registrada dele, repetida depois em Meu Amigo Hindu (2015).
Perguntas frequentes sobre O Palhaço
O Palhaço foi indicado ao Oscar? O filme foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na categoria de Melhor Filme Estrangeiro em 2012, entrando na lista de pré-selecionados da Academia americana, mas não avançou para a indicação final.
Qual é a classificação etária do filme? A classificação indicativa é 10 anos, recomendada para público a partir dessa idade por conter temas leves, mas com momentos de intensidade emocional.
O Palhaço tem cena pós-créditos? Não. O filme termina antes dos créditos finais, com uma das cenas mais bonitas e silenciosas do cinema brasileiro recente. Fique até o final, porque o último plano vale a espera.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema brasileiro autoral: quem acompanha o trabalho de Selton Mello e diretores como Karim Aïnouz vai reconhecer a pegada humanista.
- Apaixonados por cultura circense: fãs de lona, picadeiro e história do circo no Brasil encontram aqui um retrato raro.
- Quem gosta de dramas existenciais: o público de Central do Brasil, O Céu de Suely e filmes sobre identidade e propósito vai se identificar com Benjamim.
Título original: Os palhaço
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 27/10/2011
Distribuidora: Imagem Filmes
Diretor: Selton Mello
Principais atores: