Veja o trailer do filme O Outro Lado da Esperança
O que é O Outro Lado da Esperança
Um refugiado sírio e um finlandês em crise existencial se cruzam em Helsinque. É essa a premissa simples, e genial, de O Outro Lado da Esperança, filme de 2017 assinado por Aki Kaurismäki.
Khaled chega ao porto escondido em um contêiner de carvão, fugindo da guerra. A burocracia europeia o empurra para um centro de detenção frio e impessoal. Do outro lado da cidade, Wikström abandona a mulher alcoólatra, vende o negócio de camisas e compra um restaurante barato com o dinheiro do pôquer.
Os dois mundos se encontram quase por acaso, numa narrativa que Kaurismäki conduz com economia de palavras e uma ternura que parece vir de outro século.
Estreia e legado
O filme chegou aos cinemas brasileiros em novembro de 2017, distribuído pela Imovision. A passagem pelo Festival de Berlim no mesmo ano rendeu a Aki Kaurismäki o Urso de Prata de melhor diretor, um reconhecimento que coroou o trabalho como um dos pontos altos da carreira do finlandês.
Ao lado de O Homem Sem Passado e Sombras no Paraíso, o longa integra a chamada trilogia dos deslocados, em que Kaurismäki revisita sua Helsinki operária com personagens à margem do sistema.
Hoje é lembrado como um dos retratos mais humanos da crise migratória europeia sem apelar para o melodrama, além de ter influenciado cineastas que buscam unir política e lirismo na mesma tomada.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o elenco em estado de graça, especialmente Sherwan Haji, que entrega um Khaled silencioso e devastador, e Sakari Kuosmanen como Wikström, um homem que redescobre a dignidade servindo comida.
A direção de arte é outro destaque, com cores saturadas, figurinos datados e um Helsinki pop que parece congelado nos anos 1970.
Ponto fraco: o ritmo é deliberadamente lento, e quem procura tensão ou reviravoltas não vai encontrar. O humor é seco, quase invisível, e exige atenção.
Também não espere respostas fáceis sobre a crise migratória: Kaurismäki prefere mostrar do que explicar.
Curiosidades de bastidores
- O ator Sherwan Haji é sírio de verdade, chegou à Finlândia como refugiado em 2014 e foi escalado três anos depois, o que dá ao personagem uma camada documental única.
- Kaurismäki rodou o filme em apenas sete semanas, usando locações reais em Helsinki, incluindo o restaurante KuuKuu, que aparece no longa.
- A paleta de cores foi inspirada em cartazes de filmes soviéticos dos anos 1960, com azuis elétricos, vermelhos desbotados e amarelos envelhecidos.
Perguntas frequentes
O Outro Lado da Esperança tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina de forma seca, com uma música brega tocando sobre os créditos, sem gancho extra nem surpresas depois.
O Outro Lado da Esperança é baseado em fatos reais?
Não é uma adaptação direta, mas se inspira no fluxo de refugiados sírios que chegaram à Finlândia em 2015, durante o auge da crise migratória europeia.
Onde assistir O Outro Lado da Esperança online?
O filme teve distribuição limitada no Brasil pela Imovision e circula em catálogos de streaming estrangeiros. Conferir a grade atualizada acima é o caminho mais seguro.
Pra quem é este filme:
- Fãs do Aki Kaurismäki e da mise-en-scène minimalista que virou marca do diretor finlandês.
- Interessados em drama social europeu com viés humanista, distante do discurso panfletário.
- Quem aprecia comédia de humor absurdo, contido, com piadas que demoram para aparecer e funcionam justamente por isso.
Título original: Toivon Tuolla Puolen
País de origem: Finlândia, Alemanha
Data do lançamento: 01/09/2017
Distribuidora: Imovision
Diretor: Aki Kaurismäki
Principais atores: