Veja o trailer do filme O lamento
O vilarejo que enlouquece do nada
Imagine uma aldeia rural sul-coreana onde o tempo parece ter parado. Casas de madeira, arrozais e uma paz que só existe em filmes sobre o campo. Até que moradores começam a matar uns aos outros sem motivo aparente, em surtos de violência que desafiam qualquer explicação racional.
É nesse cenário que o inspetor Jong-Goo, vivido por Kwak Do-Won, percebe que algo errado paira sobre Gokseong. A polícia local prefere culpar cogumelos alucinógenos. O protagonista desconfia de algo bem mais antigo e bem mais perigoso.
Com direção de Na Hong-jin, o filme mistura terror folclórico, suspense investigativo e drama familiar em uma história onde o sobrenatural nunca está longe demais da realidade.
De 2016 para cá: um marco do terror asiático moderno
O Lamento chegou aos cinemas sul-coreanos em maio de 2016 e ganhou o Brasil em dezembro daquele ano, em circuito limitado. Foi a terceira parceria entre Na Hong-jin e Kwak Do-Won, depois de O Caçador (2008) e Ka-teu (2011).
O longa dividiu plateias no Festival de Cannes de 2016, onde foi exibido fora de competição e provocou relatos de espectadores que saíram da sala por conta do nível de violência gráfica. Mesmo assim, a crítica internacional o tratou como um dos títulos mais marcantes do terror daquele ano.
Hoje é lembrado como divisor de águas no horror coreano, ao lado de obras como A Bruxa e O Babadoo, citado em listas de melhor terror dos anos 2010 e estudado em cursos de cinema por seu trabalho de som e mise-en-scène.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a atmosfera rural de Gokseong é esmagadora. O som constante de insetos, galhos quebrando e cantos rituais cria uma pressão que cresce cena após cena. Não é terror de susto fácil. É terror de desconforto.
As atuações são contidas, mas certeiras. Hwang Jeong-min brilha em um papel curto e decisivo, e Chun Woo-hee entrega uma nora em colapso que parece à beira de um precipício o tempo todo.
Ponto fraco: o segundo ato derrapa. Na Hong-jin empilha sinais, rituais, símbolos xamânicos e dúvidas do protagonista sem necessariamente costurar tudo. Quem busca respostas lógicas sai frustrado. Quem aceita o filme como um pesadelo folclórico sai marcado.
Curiosidades de bastidor
- Na Hong-jin levou sete anos para escrever o roteiro após Ka-teu, justamente por medo de não conseguir superá-lo.
- As cenas de floresta foram filmadas em locações reais de Gokseong e arredores, com direito a clima úmido atrapalhando a produção.
- A trilha sonora usa cantos xamânicos reais registrados em campo, combinados à eletrônica feita por Jang Young-gyu.
Perguntas frequentes
O Lamento é baseado em fatos reais?
Não. O filme é ficção, embora o diretor tenha se inspirado em rituais xamânicos coreanos e em lendas regionais de possessão.
O Lamento tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina de forma abrupta, sem cenas extras após os créditos. A última sequência é bastante impactante e dispensa aditivos.
É muito violento? Posso assistir?
É um dos filmes coreanos mais explícitos dos anos 2010, com violência gráfica e corporal intensa. A classificação indicativa é 14 anos, mas o conteúdo pesa mais do que a etiqueta sugere.
Pra quem é este filme:
- Fãs de terror folclórico que preferem rituais e maldições a fantasmas de armário.
- Admiradores do cinema sul-coreano de autor, especialmente das obras anteriores de Na Hong-jin.
- Quem curte filmes investigativos lentos, com vilão difuso e tensão ambiental no lugar de jump scares.
Título original: Gokseong
País de origem: Coreia do Sul
Data do lançamento: 22/12/2016
Diretor: Hong-jin Na, Na Hong-jin
Principais atores: