Veja o trailer do filme O Grande Ditador
O Grande Ditador: a sátira que chegou antes da guerra acabar
Em O Grande Ditador (The Great Dictator, 1940), Charles Chaplin assume dois papéis ao mesmo tempo: o ditador Adenoid Hynkel e um humilde barbeiro judeu que sai de um hospital militar sem saber que o país virou uma ditadura.
O barbeiro vive no gueto, se apaixona por Hannah, a lavadora interpretada por Paulette Goddard, e cruza o caminho do próprio tirano sem reconhecer quem ele é. Chaplin usa esse encontro impossível para construir uma das sátiras políticas mais corajosas já filmadas, feita quando Hitler ainda estava no poder.
Lançamento, prêmios e o peso de ter sido feito em 1940
O Grande Ditador estreou em 15 de outubro de 1940 nos Estados Unidos e chegou ao Brasil em 1º de março de 1940 em circuitos selecionados. Foi o primeiro filme falado de Chaplin, depois de anos defendendo o cinema mudo em obras como Luzes da Cidade.
O longa concorreu a cinco Oscars, incluindo Melhor Filme, Melhor Ator para Chaplin e Melhor Roteiro Original, mas não levou nenhuma estatueta. Mesmo assim, entrou para a história como um ato político raro em Hollywood: Chaplin fez a sátira enquanto Roosevelt ainda relutava em entrar na guerra.
Hoje, o título é estudado em escolas de cinema e citado sempre que se fala de humor como ferramenta de resistência. Está em listas de melhores filmes de todos os tempos da Sight & Sound e do AFI, e continua sendo exibido em mostras e restauros pelo mundo.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o discurso final do barbeiro é uma das falas mais emocionantes já gravadas no cinema. Chaplin escreveu cada linha, e a sequência ainda arranca lágrimas em pleno século XXI.
Ponto alto: Chaplin contracena consigo mesmo com uma eficiência absurda. A coreografia entre Hynkel e o barbeiro, sem cortes digitais, mostra por que ele era um dos maiores comediantes do século XX.
Ponto fraco: o primeiro ato é irregular. Algumas gags no gueto lembram o ritmo do cinema mudo e podem parecer lentas para quem não está acostumado com a era.
Ponto fraco: a direção de Jack Oakie como Napaloni rouba a cena com uma energia cômica que, em alguns momentos, supera o próprio Chaplin. É um problema menor, mas existe.
Curiosidades de bastidor
- Chaplin levou mais de dois anos para escrever, dirigir e estrelar o filme, adiando o projeto por temer uma reação negativa do público americano ainda neutro na guerra.
- A cena do balão com o mundo é uma referência direta ao filme mudo de 1931 e foi construída com miniaturas e efeitos práticos, sem computação gráfica.
- O roteiro original previa que o barbeiro e Hynkel não se encontrassem, mas Chaplin mudou de ideia durante a edição para dar mais peso ao terceiro ato.
Perguntas frequentes sobre O Grande Ditador
O Grande Ditador é baseado em fatos reais? Não. A história é fictícia, ambientada no país imaginário de Tomainia, mas satiriza diretamente a ascensão do nazismo e o expansionismo de Hitler nos anos 1930.
O Grande Ditador tem cena pós-créditos? Não. O filme termina com o discurso final do barbeiro e os créditos sobem em seguida, sem nenhuma cena extra depois.
Qual a duração de O Grande Ditador? São 125 minutos, em preto e branco, com classificação livre nos restauros modernos exibidos no Brasil.
Pra quem é este filme:
Título original: The Great Dictator
País de origem: Estados Unidos
Data do lançamento: 01/03/1940
Distribuidora: Sem Distribuidor
Diretor: Charles Chaplin
Principais atores: