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O Estranho que Nós Amamos

O Estranho que Nós Amamos

14 Drama Suspense Duração: 1h 33min

Introdução

Em 1864, três anos após o início da Guerra Civil, o cabo unionista John McBurney é encontrado ferido em um bosque da Virgínia pela jovem Amy. Ela o carrega até o internato feminino onde vive, administrado pela rígida Martha Farnsworth.

Lá, as mulheres decidem cuidar do soldado para depois entregá-lo às autoridades confederadas. Só que a presença de um homem altera a rotina da casa. Edwina, a professora mais jovem, se encanta. Alicia, a adolescente rebelde, se insinua. Martha tenta manter o controle. E Amy observa tudo em silêncio. O que começa como ato de caridade vira um jogo de sedução, ciúmes e manipulação com consequências irreversíveis.

Dirigido por Sofia Coppola, o longa é um remake do filme de 1971 com Clint Eastwood, que faz uma ponta curiosa no elenco. O roteiro enxuto, a fotografia naturalista e a economia de diálogos transformam o espaço fechado do internato numa panela de pressão.

Estreia e legado

Estreou no Festival de Cannes 2017, onde Sofia Coppola ganhou o prêmio de Melhor Direção — a segunda mulher a vencer a categoria na história do festival. Chegou aos cinemas brasileiros em 10 de agosto de 2017, distribuído pela Universal Pictures, e foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Atriz para Nicole Kidman.

Ao contrário do original de 1971, que explorava a sensualidade com humor e violência explícita, a versão de Coppola adota um tom mais seco, atmosférico e feminino. O recorte é o oposto: a câmera fica com as mulheres, e o forasteiro vira objeto de disputa em vez de predador ativo.

Hoje é lembrado como um dos dramas de época mais comentados da década de 2010 e como o filme que consolidou Sofia Coppola como cronista de ambientes femininos sob pressão. Para quem curtiu essa pegada, vale cruzar com Presságios de um Crime e Trumbo Lista Negra.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a direção de Sofia Coppola, precisa ao transformar o internato num microcosmo de desejo e repressão. A fotografia de Philippe Le Sourd, quase toda em luz natural, reforça a sensação de enclausuramento. As atuações formam um conjunto afiado: Kirsten Dunst entrega uma das melhores performances da carreira, e Elle Fanning rouba cenas com uma contenção perturbadora.

Ponto fraco: o ritmo é deliberadamente lento. Quem busca um suspense convencional, com reviravoltas e confrontos diretos, pode achar o desfecho abrupto e a tensão acumulada demais para o que explode em tela. O último ato pede que o espectador preencha os silêncios — e nem todo mundo topa esse pacto.

Curiosidades

  • Clint Eastwood, protagonista do filme original de 1971, faz uma ponta no remake como soldado confederado que aparece brevemente numa das primeiras cenas.
  • Sofia Coppola reescreveu o roteiro para inverter a perspectiva: no original, a voz narrativa era do homem; aqui, o ponto de vista é das mulheres do internato.
  • A maior parte das filmagens aconteceu na histórica Belle Meade Plantation, no Tennessee, escolhida pelo estado de conservação dos jardins e da arquitetura original do século XIX.

Perguntas frequentes

O Estranho que Nós Amamos tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina de forma seca, com um corte definitivo logo após a resolução do conflito, sem cenas extras durante ou depois dos créditos.

O Estranho que Nós Amamos é um filme de terror?

Não exatamente. É um suspense psicológico e um drama de época. Há atmosfera de ameaça, mas o terror vem do comportamento das personagens, não de elementos sobrenaturais ou violência gráfica.

Qual a diferença entre O Estranho que Nós Amamos e o filme de 1971?

A versão de 1971, dirigida por Don Siegel, tinha Clint Eastwood como protagonista e explorava a história pelo lado do soldado, com humor e violência explícita. A de 2017 troca o tom, adota o olhar feminino, encurta o ritmo e troca o desfecho por um final mais frio e simbólico.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de Sofia Coppola interessadas no retrato de universos femininos isolados e nas hierarquias silenciosas entre as personagens.
  • Quem gosta de dramas de época que apostam em clima e construção de personagem em vez de spectacle e ação.
  • Espectadores que curtem suspense psicológico contido, sem violência gráfica, mas com tensão crescente até o desfecho inevitável.