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O Eleito

O Eleito

Policial Suspense Duração: 2h 7min

Premissa prática

Em 1940, o exilado Leon Trótski vivia vigiado no México enquanto a URSS tentava encontrá-lo. Para chegar até ele, Moscou precisava de alguém que soubesse desaparecer no meio da multidão.

Esse alguém é Ramón Mercader, um jovem oficial espanhol com talento para personificação, paciência e uma obediência cega. Em O Eleito (The Chosen), a câmera escolhe justamente o lado menos romanceado da história: o do carrasco.

Com ordens diretas de Stálin, Ramón passa meses construindo uma vida paralela no México, com nome falso, relacionamentos plantados e até um casamento de conveniência. Cada cena bebe em suspense psicológico, com o espectador sempre sabendo quem ele é de verdade.

É um filme sobre identidade, lealdade e a solidão de quem não existe oficialmente para ninguém.

Linha do tempo e legado

Dirigido pelo catalão Antonio Chavarrias, O Eleito estreou internacionalmente em 2019 e desembarcou no catálogo da Netflix anos depois, ampliando seu alcance. O longa reconstrói com rigor os bastidores do assassinato de Trótski em Coyoacán, episódio histórico que já rendeu obras como o romance O Homem Que Amava Cães, de Leonardo Padura, e o documentário Trotsky: Uma Vida Extraordinária.

A maior curiosidade do filme está na inversão moral: ao humanizar Mercader, o roteiro questiona até onde vai a obediência ideológica. O assassinato de Trótski continua sendo um dos episódios mais marcantes do policial político do século XX, e o longa se soma à galeria de ficções que revisitam esse capítulo.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a decisão narrativa de acompanhar Ramón em vez de Trótski é o grande trunfo. O filme ganha tensão justamente por sabermos, desde o início, como aquela história termina. Alfonso Herrera segura a responsabilidade com frieza calculada.

A reconstituição de época do México dos anos 1930 e a atmosfera paranoica de Coyoacán também merecem destaque, com figurino e cenografia que sustentam o período.

Ponto fraco: o terceiro ato entrega resoluções emocionais convencionais demais, com pontas explicadas de forma didática. Quem busca o rigor seco de The Limehouse Golem pode sentir que faltou mão pesada na reta final.

Curiosidades de bastidor

  • O longa foi gravado em locações de Catalunha, Espanha, que passaram pelo Distrito Federal do México dos anos 1930.
  • Alfonso Herrera, conhecido por novelas mexicanas e pela série Sense8, passou por treino físico e de idiomas para viver um personagem com sotaque catalão e espanhol peninsular.
  • Ramón Mercader ficou preso no México por 20 anos e, ao sair, recebeu a Ordem de Lenin, a maior condecoração soviética, detalhe que o roteiro apenas sugere.

Perguntas frequentes

O Eleito é baseado em fatos reais? Sim. O filme dramatiza a operação soviética para assassinar Leon Trótski no México, em 1940, com foco no agente Ramón Mercader.

Quem é o assassino de Trótski no filme? Ramón Mercader, vivido por Alfonso Herrera, apresentado aqui como um agente com várias identidades falsas, incluindo a de um belga fugitivo da guerra.

O Eleito tem cena pós-créditos? Não. O longa fecha a narrativa ainda dentro do terceiro ato, sem cenas extras após os créditos finais.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de suspense histórico e dramas de espionagem baseados em fatos reais.
  • Leitores de biografias políticas, diários de Stálin, livros sobre a Guerra Fria e a Revolução Mexicana.
  • Quem curte cinema europeu paciente, do tipo que prefere silêncio e olhares a explosões.