O diabo e o Padre Amorth
Sobre o que é O Diabo e o Padre Amorth?
O diretor William Friedkin retoma o tema da possessão em primeira pessoa, mas desta vez sem roteirista. Mais de quarenta anos depois de ter dirigido O Exorcista, ele embarca numa investigação pessoal sobre até onde a ficção se aproximou da realidade.
O ponto de partida é o Padre Gabriele Amorth, sacerdote católico italiano que ganhou fama mundial como o exorcista-chefe da Diocese de Roma. Friedkin convence o religioso, então com 91 anos, a permitir que suas câmeras registrem um caso real.
Resultado: um documentário curto, exibido no Festival de Veneza 2017, que mistura entrevista, arquivo e o registro ao vivo de um exorcismo em uma mulher italiana cujo psiquiatra não conseguia explicar as mudanças físicas e comportamentais.
Estreia e legado
O filme foi apresentado em maio de 2017 como seleção oficial do Festival de Veneza, na seção Fora de Competição, com estreia comercial limitada nos Estados Unidos ainda em 2017 e chegada discreta ao circuito de arte no Brasil.
Hoje é lembrado menos como obra autoral e mais como um documento de época. Funciona como o testamento temático de Friedkin sobre possessão, fé e ceticismo, temas que atravessam sua filmografia desde O Comboio do Medo (1977) e Operação França (1971).
Para o público, é uma peça histórica do catolicismo popular do início do século 21, capturada por um diretor que viveu o auge e o declínio do cinema de possessão em Hollywood.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o carisma de Padre Amorth e a forma como Friedkin se coloca em cena, vulnerável, admitindo que não sabe o que é real. É raro ver um diretor desse porte abrir mão da pose de autoridade diante de um tema que marcou a carreira dele.
Ponto fraco: a superficialidade. Com apenas 68 minutos, o documentário não aprofunda nem o caso clínico, nem o debate teológico, nem a metodologia do exorcista. Sobra a sensação de um rascunho de algo que poderia ser maior.
Soma isso a uma abordagem que tende a confirmar a hipótese da possessão real sem confrontar visões psiquiátricas com o mesmo tempo de tela. Para quem busca isenção, fica a dúvida.
Curiosidades de bastidor
- O documentário nasceu de um encontro casual entre Friedkin e Amorth em Roma, depois de o diretor ler uma matéria sobre o sacerdote numa revista de bordo.
- Friedkin declarou que o caso acompanhando no filme teve resolução positiva segundo o padre, mas que a identidade da mulher e a família nunca foram reveladas por questões de privacidade.
- Foi a última incursão pública de Friedkin no tema possessão, pouco antes de seu falecimento em 2023, o que dá ao filme um peso de despedida.
Perguntas frequentes
O Diabo e o Padre Amorth é um filme de terror?
Não. É um documentário. Há cenas de exorcismo real, mas a proposta é investigativa, não de susto. Funciona melhor como documentário de fé do que como entretenimento de horror.
Preciso ter visto O Exorcista para entender?
Ajuda, porque Friedkin parte da própria experiência com o clássico de 1973. Mas quem nunca viu também consegue acompanhar, já que o foco está no caso atual e nas conversas com o padre.
O exorcismo mostrado no filme é real?
Segundo Friedkin e o próprio padre Amorth, sim. A Igreja Católica reconhece a autenticidade do rito, embora a medicina moderna explique os fenômenos de forma diferente. O documentário não tenta resolver esse impasse.
Pra quem é este filme:
- Fãs de O Exorcista interessados no making-of espiritual do clássico, conduzido pelo próprio Friedkin.
- Curiosos por catolicismo, exorcismo e debates sobre fé versus ciência na cultura contemporânea.
- Estudantes de cinema que querem entender a obsessão temática de Friedkin por ritual, mal e instituições.
Título original: The Devil and Father Amorth
País de origem: Estados Unidos
Distribuidora: Festival
Diretor: William Friedkin
Principais atores: