Veja o trailer do filme OPERAÇÃO FRANÇA
Operação França: o policial que mudou o cinema nos anos 70
Em Marselha, um assassino de aluguel elimina um policial francês. Do outro lado do oceano, em Nova York, os detetives Gene Hackman e Roy Scheider começam a farejar um pequeno comerciante cujo padrão de vida não fecha com a renda declarada.
A investigação revela um carregamento de 60 quilos de heroína vindo da França, escondido no Lincoln Continental de um astro de cinema que ninguém suspeita. O antagonista Alain Charnier, interpretado por Fernando Rey, é o tipo de vilão elegante que opera de terno e charuto.
Dirigido por William Friedkin, o filme mistura policial e ficção policial com uma estética quase documental, gravada nas ruas de Nova York, com luz natural e câmera na mão.
Estreia e legado
Operação França chegou aos cinemas em 9 de outubro de 1971 nos Estados Unidos e chegou ao Brasil ainda no final daquele ano. O impacto foi imediato: arrebatou cinco Oscars nas categorias principais — Melhor Filme, Diretor, Ator (Gene Hackman), Roteiro Adaptado e Montagem.
Para se ter ideia da dimensão, foi o primeiro filme policial a vencer o Oscar de Melhor Filme desde Sindicato de Ladrões, quase quatro décadas antes. Definiu o tom do cinema de gênero pelos anos 1970 e influencia tudo, de Viver e Morrer em Los Angeles a Parceiros da Noite.
Hoje é lembrado como um divisor de águas: inaugurou a era do filme de ação baseado em fatos reais, com vilões realistas e heróis moralmente cinzentos.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a perseguição de carro sob o elevado do Brooklin continua insuperável. Dura pouco mais de 10 minutos, é brutalmente filmada e influenciou O Comboio do Medo, Bullitt e praticamente todo filme de perseguição que veio depois. A fotografia de Owen Roizman, toda granulada e realista, vira personagem.
Gene Hackman entrega um Popeye Doyle que é observador, bruto e infalível, com cara de poucos amigos e métodos que beiram a ilegalidade. É trabalho de Oscar e justificadíssimo.
Ponto fraco: o ritmo é lento para os padrões atuais. A primeira hora é quase um procedural de investigação, com pouca ação e muita conversa em bares e becos. Quem busca adrenalina constante pode estranhar. A dublagem brasileira clássica, presente em muitas cópias em circulação, também envelheceu mal.
- Grande parte das cenas externas foi filmada de forma clandestina nas ruas de Nova York, com Friedkin usando演员 reais e civis como figurantes para capturar uma sensação documental única.
- A perseguição de carro sob o elevado foi feita sem autorização oficial e quase provocou acidentes reais. O próprio Hackman dirigia boa parte das cenas.
- O roteiro é baseado no livro homônimo de Robin Moore, que documentou a Operação Relâmpago, investigação real da polícia de Nova York contra o traficante Jean Jehan.
Operação França é baseado em fatos reais?
Sim. O filme é inspirado na Operação Relâmpago, investigação da polícia de Nova York nos anos 1960 que desarticulou uma rede de tráfico de heroína entre a França e os Estados Unidos. Os personagens foram renomeados, mas o caso é real.
Quem dirige Operação França?
O diretor é William Friedkin, que ganhou o Oscar de Melhor Diretor por este trabalho e depois dirigiria o clássico O Exorcista em 1973.
Operação França tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina de forma seca e brutal, sem cenas extras após os créditos, no melhor estilo do cinema dos anos 1970.
Pra quem é este filme:
- Entusiastas de cinema policial clássico que apreciam obras como Parceiros da Noite e querem entender a genealogia do gênero.
- Cinéfilos interessados na filmografia de William Friedkin e na transição entre o cinema clássico de Hollywood e o Novo Hollywood dos anos 70.
- Fãs de atuações densas, especialmente de Gene Hackman, Roy Scheider e do vilão Fernando Rey.
Título original: THE FRENCH CONNECTION
País de origem: EUA
Data do lançamento: 31/12/1971
Diretor: William Friedkin
Principais atores: